Foi durante uma viagem a Belo Horizonte que o ator Charles Asevedo conheceu o autor mineiro Bartolomeu Campos de Queirós. Um tempo depois, encontrou entre sua extensa e premiada obra literária o livro “O Olho de Vidro do Meu Avô”, publicado em 2004. Estava ali uma história que o inspirava a subir nos palcos, mas seu desejo ia além, pois as memórias do livro remetiam diretamente às suas próprias memórias de vida. Foi então que convidou os atores Vera Holtz e Guilherme Leme Garcia para repetirem a dobradinha do premiado espetáculo “O Estrangeiro”, e eles resolveram convocar a autora Renata Mizrahi para escrever essa conexão entre a vida do Charles e a história do Bartolomeu. Em seguida, a atriz Flávia Pucci foi chamada para integrar o time de criadores numa direção coletiva que marca o olhar de três atores de formações diversas sobre o trabalho de um único ator em cena.

A peça, na primeira pessoa, é um relato sobre infância, relação com avô, descoberta da sexualidade, relação de opressão com o pai e de amor incondicional pela mãe. As histórias do livro e da vida do Charles se misturam numa criação poética, ficcional e documental. Não existe um limite entre ficção e realidade. O ator começa seu depoimento acreditando que foi sempre pela metade e passou a vida buscando ser inteiro. É através dessa busca que vamos conhecer suas memórias de infância, suas relações familiares delicadas, suas descobertas de vida até chegar ao que se tornou hoje.

Como diz Bartolomeu, “A memoria é um grande patrimônio que a gente tem. A memória é o que eu tenho de mais precioso. Mas é preciso também saber que na memória tanto mora o vivido, quanto mora o sonhado. Mora a vida que eu vivi. E mora a vida que eu sonhei viver. Então quando você busca a memória, ela vem sempre misturada. Ela não vem pura. E é impossível ter uma memória pura, a memória é esta mistura, esta conversa entre a realidade e a fantasia”.

“O Olho de Vidro” foi contemplado no prêmio Myriam Muniz 2015 e estreia dia 16 de março no Centro Cultural Correios, onde fica em cartaz de quinta a domingo às 19h, até o dia 30 de abril. Com trilha sonora de Marcelo H, cenário e luz dos premiados Aurora dos Campos e Tomás Ribas, a peça é uma comédia dramática que fala poeticamente de um olho que vê e outro que imagina.

SERVIÇO:
O OLHO DE VIDRO
Local: Teatro Centro Cultural Correios (Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro)
Temporada: 16 de março a 30 de abril
Horários: Quinta a Domingo, às 19h
Ingressos: R$ 20,00 (Inteira) R$ 10,00 (meia)
Bilheteria: Quarta a domingo – 15h às 19h
Duração: 60 min.
Classificação: 12 anos
Gênero: Comédia dramática
Capacidade: 200 lugares

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