É muito bom ver o nosso cinema muitas vezes cambaleado pela enxurrada de filmes com a chancela ‘’Globochanchada’’ tentar estabelecer gêneros cinematográficos, coisa que é tão comum nos cinemas mundo afora. Porém essas ótimas tentativas muitas vezes, esbarram em um amadorismo e uma auto-indulgência tamanha que mesmo com um interessante argumento, que é o caso de Travessia, tudo vai por água a baixo.

“Travessia”, filme do diretor estreante João Gabriel, que também assina o roteiro, nos apresenta a historia de Roberto (Chico Diaz) que acabou de perder a esposa e está solitário e infeliz. Além disso, o relacionamento com seu único filho, Júlio (Caio Castro), vai muito mal. Um dia, após se embebedar e ter uma noite frustrada com uma prostituta, ele acaba atropelando um garoto de rua. Desesperado, ele coloca o menino no carro e o leva ao hospital mais próximo. Apesar do socorro imediato, Roberto precisa prestar esclarecimentos na polícia e corre o risco de ser preso. Paralelamente, Júlio está apaixonado por uma moça ingênua (Camila Camargo) e a sustenta através do tráfico de drogas em festas badaladas que ocorrem na cidade.

Fica claro que a partir desse roteiro, o filme desenvolva uma narrativa paralela entre o pai e o filho, e suas tentativas para que o conflito que se estabelece logo na primeira cena, se resolva ou nos mostre artifícios para uma solução não é? Errado, e é aí que entra o grande e principal problema do filme. O diretor começa com uma péssima direção de atores, não falo do cast principal, que até estão bem, mas com certeza os atores coadjuvantes, são pessimamente dirigidos, não dando nenhuma credibilidade a trama, passando por atuações que beiram ao constrangimento e sem falar nos péssimos diálogos, como o filme é mal escrito.

Suas ‘”infelicidades’’ não param por aí, a montagem do filme é absolutamente sem sentido, cortes fora da hora, planos que não tem nenhuma ligação com o outro, o que se vê aqui em vários momentos é a nítida cartilha gramatical das faculdades de cinema sendo jogada, sem nenhum efeito narrativo. E mais, para tentar dar mais complexidade e uma pseudo intelectualidade cinéfila, ele usa o silêncio da forma mais equivocada possível, onde o máximo que ele consegue e fazer é o espectador gritar na sala, “FALEM ALGUMA COISA , POR FAVOR’’.

É obvio que é possível fazer um filme com a proposta de isolar os personagens principais em arcos opostos. Porém, fica a sensação de que “Travessia” perdeu uma grande oportunidade (e com certeza absoluta o seu diretor é o principal culpado ) de ganhar uma força ao não colocar pai e filho no mesmo quadro praticamente nunca. Ver a interação entre Caio Castro e Chico Diaz com certeza daria bons momentos, ajudaria o público a embarcar naquele drama familiar e por fim, daria sentido e uma possível solução para o conflito porque, quando a trama parece que vai engrenar, acontece o mais inesperado. O filme simplesmente acaba.
Saí da sala me perguntando, o que valeu essa jornada.

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