No inicio do Sec. XX, no Rio de Janeiro, existiram mulheres judias fortes que aqui chegaram sem saber falar português, sem amigos, sem família, sem poder entrar numa sinagoga e sem poder morrer pois não poderiam ser enterradas em cemitério judaico. Elas deram a volta por cima e fizeram sua sinagoga e seu cemitério. História de mulheres fortes que deram a volta por cima. É importante resgatar essa história especialmente quando atualmente vemos  estupros coletivos e discutimos o empoderamento das mulheres.

Polacas 4“Polacas – As Prostitutas Judias” é um resgate de uma parte da história da sociedade civil brasileira que se perdeu em meio a preconceitos e negligência. Essa é uma história de seis moças que vieram de várias partes do mundo tentar a sorte no Brasil. Encontrando uma realidade rude e dura. O cenário era de fome, pobreza e antissemitismo na Europa do Leste. Muitas das moças de famílias judias ansiavam por maridos e melhores condições de vida e as Américas surgiam como forma de construir uma nova vida longe da discriminação e da miséria. Jovens judias, analfabetas, muitas ainda virgens, recebiam propostas de uma vida melhor. Já no porto de Marselha, no sul da França, o sonho caiu por terra e antes mesmo de embarcar para o Novo Mundo. E é assim que começou a história tabu de muitas “escravas brancas”, as prostitutas judias conhecidas como “polacas” que, foram parar nos centros de cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires e Nova York. No Rio de Janeiro, as polacas viviam nos bordeis e cortiços na Praça XI, área central da capital fluminense, onde hoje se chama Cidade Nova e estão sediados prédios públicos. Quase não restou vestígio do passado das polacas no Rio de Janeiro. O assunto ainda tabu e, muitas vezes, esquecido, virou tema para peça que busca desmistificar a existência dessas moças.

A temática das polacas, judias vindas da Europa para se prostituírem nas regiões do entorno da Praça Onze e do Canal do Mangue no Rio de Janeiro, ao mesmo tempo que expõe a ilimitada sordidez humana, causa fascinação pela riqueza que habita em cada história de vida, que mesmo expostas nas mais desmerecedoras condições ainda assim venceram obstáculos não somente inerentes à condição de vida e de trabalho , mas mesmo aqueles impostos pela sua própria religião, que as consideram impuras e indignas, para dentro de uma visão coletiva alcançarem objetivos concretos contra o silêncio institucional da vida social brasileira das primeiras décadas do século XX.

Importantes pensadores da cultura nacional lançaram seu olhar sobre esse universo, desde Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Hollanda, mas com maior destaque e protagonismo em dois romances de Moacyr Scliar, “O Ciclo das Águas” e “Sonhos Tropicais”, além do excelente livro de Esther Largman, “Jovens Polacas – Da Miséria na Europa à Prostituição no Brasil”. Em tempos mais recentes, o teatro nacional igualmente se debruçou sobre o assunto através do ótimo texto de Renata Mizrahi, “Silêncio!”.

PolacasCom “Polacas, as Prostitutas Judias”, o seu autor e diretor Dinho Valladares busca ampliar as perspectivas pela singularidade do seu ponto de vista, que como aponta sua “carta de princípios” já na sinopse oficial, tenta evita o prisma de “‘coitadinhas’ que foram enganadas pelos maridos ou pelos cafetões. Mas mulheres de verdade com erros e acertos que fizeram a opção pessoal de virem para a América tentar uma vida melhor … um resgate de uma parte da história da sociedade civil brasileira que se perdeu em meio a preconceitos e negligência”. O espetáculo realiza uma “dramatização a partir da história de prostitutas que viveram no Rio de Janeiro no século XX. Cinco prostitutas estão num prostíbulo a espera de clientes, quando são assediadas por um Caften e resolvem fugir para um lugar melhor”.

Serviço:
“Polacas – As Prostitutas Judias”
Local: Teatro SESI (Rua Graça Aranha 01 – Centro)
Temporada: de 12 de Junho a 04 de Julho – segundas e terças
Horário: 19:30hs.
Gênero : Drama
Foto: Dinho Valladares

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