“Cantar no Coral Uma só Voz para mim, faz parte de uma nova vida. É como se fosse o coração que pulsa minha energia para o lugar certo, é o que me motiva”. A frase, dita com a voz embargada pelo ex-morador de rua Alessandro dá o tom de esperança que impulsiona os Corais Uma só Voz. Alessandro é um dos mais de 70 membros do projeto, que surgiu um ano atrás, com o objetivo de promover o resgate da dignidade e auto-estima dessa população, muitas vezes perdidas nas ruas cidade. O cenário para a celebração não poderia ser mais icônico: o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que pela primeira vez na história abre suas portas para a população de rua. O show dos corais acontece no foyer do Theatro, no dia 5 de maio, às 18h, com entrada gratuita. Os ingressos são limitados e deverão ser retirados na bilheteria do local a partir das 17h30.

Ao todo, seis corais existem na cidade, em uma iniciativa inédita no país, criados para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, capitaneados pelas ONGS inglesas Streetwise Opera e People’s Palace Projects, em uma frutífera parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro, através de sua Secretaria de Assistência Social Direitos Humanos, além da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, Movimento Nacional de População de Rua e Pastoral da Rua, entre outros parceiros. Com apoio internacional do British Council, Calouste Gulbenkian Foundation e Macquarie, a iniciativa luta para manter seu legado vivo e continuar suas atividades nos próximos anos, com o lançamento de uma campanha crowdfunding justamente no dia em que celebra um ano de atividades.

O acesso do público à apresentação no Theatro Municipal será limitada a 120 pessoas, mas para permitir que um número maior assista ao coral, o grupo fará, em seguida, mais uma performance na escadaria principal. “É um empoderamento social muito grande. Você imaginar que a população de rua raramente tem acesso a estes espaços e de repente elas estão sendo convidadas a se apresentar neles a serem aplaudidas. Pode não parecer, mas esse reconhecimento resgata a coragem das pessoas que normalmente são invisíveis nas ruas”, pondera Ricardo “Rico” Vasconcellos, regente dos Corais Uma só Voz.

São muitos personagens e muitas histórias por trás de cada membro do coral. Parte deles ainda mora nas ruas da cidade e outros são acolhidos por aparelhos da Prefeitura, como o Rio Acolhedor, Abrigo Plínio Marcos, entre outros. Durante o evento no Theatro Municipal, a Secretária Municipal de Assistência Social Teresa Bergher anunciará o termo de cooperação para políticas públicas em arte e população de rua. “Este é um marco importante na política pública da cidade. O objetivo deste projeto é dar dignidade a estas pessoas e trazê-las de volta ao convívio social através da música. Elas deixam de ser invisíveis aos olhos da sociedade”, comenta. Projetos municipais, como o Circulando, são grandes parceiros do projeto, garantindo transporte e apoio estrutural para que os ensaios aconteçam.

Entre os participantes de ainda se encontram em situação de rua, está dona Valéria, que mora sob marquises há doze anos e solta a voz junto com os colegas desde 2016. “A gente é invisível sempre, né? Somos muito maltratados. Agora quando eu canto, as pessoas vêm apertar minha mão, dizer que me viram cantando. Eu sinto que a minha estrelinha está brilhando”, comemora.Desde a fundação dos corais em maio de 2016, passando pela programação oficial das Olimpíadas do Rio e o aniversário oficial da cidade, os grupos já se apresentaram em mais de 40 performances, em espaços como o Museu do Amanhã, MAM, Biblioteca Pública Estadual, Casa Olímpica da Inglaterra, entre outros.

Repertório: Tenho Sede (Gilberto Gil), Semente do Amanhã (Gonzaguinha), Lamento do Morro (Tom Jobim / Vinicius de Moraes), Feira de Mangaio (Sivuca), Wave (Tom Jobim), Sanfona Sentida (Luiz Gonzaga), Amanheceu, peguei a viola (Renato Teixeira), Cirandeiro (Luiz Gonzaga)

CROWDFUNDING E SUSTENTABILIDADE

Os Corais Uma só Voz tiveram início a partir da Iniciativa With One Voice, capitaneada pela ONG Streetwise Opera, na Inglaterra, durante as Olimpíadas de Londres, em 2012. Naquele ano, pela primeira vez na história, a população de rua da cidade foi incluída na programação oficial do evento, com apresentações de ONGs que trabalham com arte e população de rua na tradicionalíssima Royal Opera House.

Seguindo o fio condutor olímpico, a inciativa passou três anos pesquisando, promovendo intercâmbios internacionais e fomentando o setor ao lado dos parceiros brasileiros em São Paulo e Rio de Janeiro. O resultado foi a criação dos corais Uma só Voz e o desenvolvimento de uma programação especial que integrou a celebração cultural olímpica na capital carioca.

Até o final de 2017, a iniciativa possui verba de legado para manter seus ensaiosmas para garantir sua sobrevivência e atividades a partir de 2018, contará com o apoio da população em geral. Será lançada no dia do evento no Theatro Municipal, a campanha crowdfunding Amigos dos Corais Uma só Voz. A proposta é incentivar doadores a apoiar a continuação dos corais, doando valores a partir de R$10. “Temos esperança que esse trabalho irá continuar a fazer diferença na vida das pessoas. Não podemos parar”, reforça Ricardo.

Para saber mais sobre a campanha e doar, basta acessar o link: www.catarse.me/amigosdoscoraisumasovoz

SERVIÇO
Corais Uma só Voz
Local: Foyer do Theatro Municipal (Praça Floriano, s/nº – Cinelândia)
Data e horário: 5 de maio de 2017, às 18h
Entrada gratuita (retirada dos ingressos a partir das 17h30 na bilheteria do Theatro)

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