Por Graça Paes

Na manhã de quinta-feira, dia 22 de junho representantes da série Samsung Rock Exhibition e o curador da exposição “Nirvana: taking punk to the masses”, Jacob McMurray reuniram a imprensa para uma coletiva onde informaram dados da série inteiramente dedicada às exposições de rock e cultura pop, patrocinada pela líder mundial em tecnologia em parceria do Ministério da Cultura e com a realização do Instituto Dançar, que traz pela primeira vez ao Brasil a exposição sobre a banda Nirvana. Após, seis anos no The Museum of Pop Culture de Seattle -MoPOP, a mostra chegou ao Brasil, e já está aberta a visitação, desde o dia 22 de junho, no Museu Histórico Nacional, e segue até o dia 22 de agosto.

A mostra conta a história do surgimento do Nirvana e de toda a cena Grunge é montada fora dos Estados Unidos. Estão expostas mais de 200 peças entre instrumentos icônicos, fotos, vídeos, depoimentos, álbuns, objetos pessoais dos integrantes, cartazes, manuscritos de letras de músicas, ente outras peças. Até mesmo o primeiro contrato da banda com o selo Sub Pop, fotos dos integrantes do Nirvana ainda crianças, registros de ensaios e setlists de shows, inclusive as duas apresentações que o grupo fez no Brasil, em 1993.

“Os integrantes do Nirvana vieram de um passado pobre. Eles tinham muitas ambições, mas jamais esperariam que, logo em seu segundo álbum, a banda se transformaria no maior sucesso do planeta. Pouco depois de lançado, [o disco] ‘Nevermind’ desbancou ‘Dangerous’, de Michael Jackson, do primeiro lugar da lista de álbuns mais vendidos da parada americana. Na época, uma banda quase desconhecida vender mais discos que o rei do pop era algo impensável. Hoje as vendas do álbum já alcançaram 31 milhões de cópias. Acredito que tudo aquilo tenha sido demais para Kurt, que não estava preparado para todo o sucesso que veio em seguida”, opinou o curador da mostra, Jacob McMurray.

O visitante também poderá ver de perto objetos pessoais dos músicos e cartazes, além de um mural com 21 discos que fazem parte do acervo pessoal do baixista Krist Novoselic. entre outras peças que fazem parte do acervo e ajudam a contar a história da banda desde o início humilde, na cidade de Aberdeen, até a fama e reconhecimento mundiais conquistados com o lançamento do álbum “Nevermind”, em 1991. Momento a partir do qual tudo ficou pesado demais para Kurt.

Apenas três anos depois do lançamento de “Nevermind”, Kobain cometeu suicídio. O corpo do vocalista foi encontrado no dia 8 de abril em uma em cima da garagem da casa que ele vivia, em Seattle. Acabara nesta data o Nirvana. O baixista Krist Novoselic seguiu na carreira, mas sempre em bandas que não obtiveram grande sucesso, como o Sweet 75. Já o baterista David Grohl reencontrou o sucesso como vocalista, guitarrista e principal compositor do Foo Fighters.

A exposição também tem em seu acervo álbuns de várias bandas que formaram o movimento Grunge, entre elas, Pearl Jam, Soundgarden, Mudhoney e Alice in Chains, que podem ser ouvidos na mostra. “Na época da juventude dos integrantes da banda havia pouquíssimas opções de lazer onde eles moravam, em Seatle, o que levava muitos adolescentes a aprenderem a tocar algum instrumento, apenas para se distraírem. Além disso, boa parte das grandes bandas de rock da década de 1980 não incluía a cidade em suas turnês, ou seja, não havia nenhum show para ir. Diante daquela situação, os garotos que viviam por lá se viram obrigados a criar sua própria música”, ressalta McMurray.

Uma realidade bastante familiar para os adolescentes que também moravam em Brasília, capital do Brasil durante os anos 1970. Local de onde sairiam algumas das principais bandas do rock nacional, como Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude.

“Nosso cotidiano era muito parecido com o que os garotos de Seattle experimentariam na década seguinte. Não havia shows para assistir, cinema para ir e nada para fazer. Brasília era entediante para os jovens naquela época e foi a partir daquele tédio que decidimos montar nossas próprias bandas”, relembrou Philippe Seabra, vocalista, guitarrista e compositor da Plebe Rude, que participou do lançamento da exposição. “Eventos como este são importantes para mostrar que jovens, com a atitude e motivação certas, podem deixar marcas permanentes no mundo. Foi o que o Nirvana fez”, acrescentou.

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