Um dos principais heróis dos quadrinhos da Marvel, Thor vem lutando no cinema para encontrar o seu caminho entre uma das franquias de sucesso. Os dois primeiros filmes do Deus do trovão nunca conseguiram acertar o verdadeiro tom do personagem, perdendo diversas oportunidades de mostrar o lado mais épico do herói. Com os filmes dos Vingadores, o diretor Joss Whedon parecia encontrar o melhor caminho para o personagem no cinema, ir para o humor e não se levar tão a sério. Assim permitindo uma enorme liberdade criativa a Marvel Studios contratou o neozelandês Taika Waititi (A Incrível Aventura de Rick Baker) para a direção de Thor: Ragnarok, que logo se tornou um dos filmes mais aguardados do ano.

Na mais nova aventura no universo cinematográfico da Marvel, após ter seu martelo destruído por Hela, a Deusa da Morte (Cate Blanchett), Thor (Chris Hewsworth) acaba indo parar no planeta de Sakkar, o lixão do universo. Tratado como escravo, ele é vendido e passa a ter que sobreviver em uma luta de gladiadores contra ninguém menos que o incrível Hulk (Mark Ruffalo). Agora Thor precisa encontrar uma maneira de voltar a Asgard e impedir Ragnarok de destruir a civilização Aargasdiana, que se encontra nas mãos da implacável Hela.

Tomando como base diversos elementos da HQ “Planeta Hulk”, o filme precisou pegar a melhor história do gigante esmeralda e misturar com alguns eventos de Ragnarok para criar o que é de longe o melhor filme do Thor. Aplicando uma mudança completa no tom para ambos os personagens, esse sem dúvida, pode ser considerado o filme mais engraçado da Marvel até o momento. O estúdio nunca se preocupou em criar um tom mais leve para seus filmes, mas Thor Ragnarok vai para outro nível abraçando o humor de forma muito inteligente. O que é curioso e justo no filme mais divertido do herói que melhor apresenta ele como um verdadeiro Deus do trovão.

Novato no mundo das grandes produções de Hollywood, Waititi recria todos os elementos de uma opera espacial que fizeram sucesso nos filmes dos Guardiões da Galáxia e mistura com uma bela estética dos anos 80, criando cenas claramente inspiradas nas páginas de Jack Kirby, um dos criadores do personagem. Conhecido por seu humor e trabalho em cultuadas comédias, o diretor coloca sua marca no filme, mas brilha de verdade em cenas de ação que são visualmente lindas, criando quase que quadros em certas cenas, como a luta das Valquírias contra Hela ou todas as sequencias de Thor lutando em especial as embaladas por Immigrant Song, fazendo de Taika Waititi sem dúvida a grande estrela do filme.

O roteiro dinâmico de Eric Pearson, Craig Kyle e Chritopher Yost consegue criar momentos de humor impagáveis que funcionam muito graças ao afiado elenco. Hemsworth vive aqui seu melhor momento como o herói, mostrando toda a fisicalidade necessária para o papel, mas ele brilha de verdade utilizando o seu lado cômico, que sem dúvida vem se mostrando como um forte atributo e um diferencial em sua carreira. Além disso, a química do ator com a equipe dos “Vingativos” é excelente, Mark Ruffalo mostra o porquê é o melhor Bruce Banner/Hulk do cinema, Tom Hiddleston como sempre da um show de carisma provando o porquê amamos odiar o Loki a novata Tessa Thompson consegue explorar diversas camadas da Valquíria . Além disso, o elenco ainda conta com Jeff Goldblum que está no melhor estilo “Goldblum”, estregando exatamente tudo aquilo que os fãs podem esperar.

Como de costume, o grande calcanhar de Aquiles na Marvel ainda está em seus vilões, fazendo Hela seguir a tradição de vilões não tão marcantes. Mesmo assim suas intenções são claras durante todo o filme, e Cate Blanchett consegue passar o tom de ameaça cada vez que está em cena, além de esbanjar elegância na personagem até mesmo nas lindas e plásticas cenas de combate. Já Karl Urban apresenta um arco interessante, mas raso para o vilão Skurge. A grande verdade é que por mais que o filme não tenha problemas em seu ritmo (o humor ajuda a agilizar o compasso do filme), muitas coisas acontecem a mesmo tempo durante o filme. Permitindo que diversas situações, relações e até mesmo personagens não sejam tão bem desenvolvidos como deveriam.

No fim, Thor Ragnarok é mais um acerto dos estúdios Marvel e a verdadeira definição de um blockbuster de entretenimento, mostrando que cada vez mais o estúdio está a vontade para dar liberdade criativa a seus colaboradores.

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