O suspense se torna um excelente gênero cinematográfico, quando suas convenções são respeitadas e sua narrativa segue sempre deixando o expectador um passo atrás na trama. Mas, infelizmente essa nova empreitada do diretor Tomas Alfredson, dos ótimos ( Deixe ela Entrar, O Espião que Sabia Demais ) padece de requisitos básicos para se considerar um bom filme. Vamos juntos dissecar Boneco de Neve.

Para que você caro amigo leitor, entenda toda lambança que está na tela, Boneco de Neve é uma adaptação de uma serie de livros escrita por Jo Nesbo e é centrado em Harry Hole, aqui vivido por Michael Fassbender, um detetive que investiga uma serie de desaparecimentos de mulheres com uma única característica, todas são marcadas por relacionamentos extraconjugais com filhos cujos pais não se sabem quem são, e a medida que ele vai se aprofundando, percebe que ele pode estar atrás do primeiro serial killer da Noruega, onde a única pista deixada, são bonecos de neve.

Apesar da premissa até interessante, este longa peca em muitos aspectos básicos, como por exemplo, sua edição sem sentido, muitos planos estão literalmente “voando’’ na tela, sem qualquer ligação com a cena seguinte, isso se deve ao fato de o próprio diretor assumir que algumas passagens do roteiro não puderam ser filmadas. O problema se eleva devido ao fraco roteiro, onde os diálogos são rasos e não tem nenhum aprofundamento dos personagens, todos são apresentados sem continuidade narrativa, exemplo disso é o próprio protagonista, sabe se que ele é um detetive renomado, detentor de inúmeros casos solucionados, porém nada disso é evidenciado, seu problema com alcoolismo e sua vida conjugal conturbada, também são jogadas sem que possamos entender os reais motivos. Agora você coloca tudo isso no mesmo pacote para os outros personagens. Só para citar mais um, sua parceira, vivida pela Rebecca Ferguson tem um arco narrativo sem sentido, e suas motivações nunca ficam claras.

Boneco de Neve sofre por achar que só o gênero em que está inserido seria suficiente para ganhar o expectador, ledo engano, porque como falamos anteriormente, nesse tipo de filme o expectador necessita estar sempre um passo atrás, onde a surpresa de cada cena, de cada vitima encontrada, te faz querer ir junto com o protagonista, aqui a partir do fim do 1º ato já matamos o assassino e suas ridículas e forçadas motivações.

No fim das contas tem se um filme extremamente arrastado, confuso em sua estrutura básica de montagem e que finaliza um ano bem ruim desse ótimo ator Michael Fassbender.

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