Contar a história de Bibi Ferreira no teatro não é para qualquer um. Ela desempenha o papel de protagonista do teatro no Brasil, assim como o teatro brasileiro se envolve com o seu enredo, que inclusive já foi tema de escola de samba em 2003 pela Viradouro, com o samba “Viradouro canta e conta Bibi – Uma Homenagem ao Teatro Brasileiro” e homenageada merecidamente na Broadway.

Deusa do teatro, diva do cinema, sem dúvida alguma, Bibi Ferreira é a mulher do teatro brasileiro. Confira a entrevista com Tadeu Aguiar, diretor de “Bibi uma vida em musical”, em cartaz no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro.

A Bibi a é um monumento cultural, qual é a importância da Bibi na sua vida e na sua carreira?

Eu convivi com a Bibi durante muitos anos, são quase quarenta. Quando ela completou cinquenta anos de carreira, ela me convidou para cantar com ela no espetáculo Bibi in Concert, e mais tarde no espetáculo “Bibi canta e conta Piaf” que reinaugurou a Praça Paris no Rio de Janeiro, onde cantamos juntos novamente. Eu tenho uma relação muito pessoal com ela, conheço bem a família, eu conheço muito a Bibi, muito, não tudo, como ela mesma diz ninguém conheça ela, nem ela mesma.

Eu tenho muito do pensamento da Bibi. Eu amo muito o teatro, eu amo tanto o teatro quanto ela ama o teatro. Eu não quero nunca me comparar à ela, por que ela é uma pessoa incomparável. Eu me espelho nessa mulher! Bibi para mim é uma referencia muito grande.

A mãe de Bibi Ferreira é um personagem muito importante na vida dela, mas a linha narrativa do musical retrata apenas a relação com o pai, Procópio Ferreira.

Isso foi uma escolha pelo seguinte, a gente quer falar da vida da Bibi como artista, a mãe dela foi muito importante, não há duvidas, ela trabalhava muito duro como esteticista para pagar as aulas de Bibi. Mas quem levou a Bibi para o palco foi o Procópio Ferreira, e assim a Bibi ficou conhecida como a filha do Procópio, não da Aída Izquierdo.  A gente coloca a mãe dela em cena, com a importância que ela tem, inclusive na entrevista que Bibi faz na com o pai na TV, ela diz que a mãe foi a pessoa mais importante na vida dela.

A gente pegou os momentos de ponto de virada na vida da Bibi Ferreira mais cruciais, senão seriam mais de 20 horas de espetáculo. Quando ela nasce, quando ela entra no palco pela primeira vez, quando ela entra na primeira companhia profissional, o teatro de revista e por ai vai até a homenagem na escola de samba e a ida à Brodway. Esses são os pontos de transformação da vida dela. E a gente optou por isso.

A história do teatro do brasileiro se mistura com a de Bibi Ferreira, qual é a importância dela na cultura brasileira?

Se mistura completamente! Todas as maiores atrizes e atores do Brasil passaram pela mão dela. Cantores de Ópera e bailarinos também. Ela é uma mulher que sabe tudo, né, ela sabe discutir com o maestro com consistência assim como balé. Ela estudou tanto que até luz, ela sabe fazer.

Bibi Ferreira é o maior expoente da cultura brasileira, ela é a mulher que conta a história de toda a Arte brasileira há 75 anos. Não tem outra, não há outra! Não existe essa possibilidade. Nós temos grandes atrizes e atores, mas nenhum deles se iguala à ela. Desde a qualidade artística e intelectual desta mulher!

O roteiro da peça é assinado por Artur Xexéo, qual é a importância dele no musical ?

O Xexéo é um dos maiores intelectuais do Brasil. Nós tínhamos um texto que é da Luanna Guimarães, que era muito bom, ela fez uma pesquisa incrível sobre a Bibi, porém no texto faltava um pouco de dramaturgia. Ela vem da televisão, escreve muito bem, e o musical sobre a Bibi é a primeira peça dela. E ela na maior generosidade topou essa parceria com o Xexéo de reescrever algumas cenas e transforma-las em uma peça de teatro. Ele foi muito importante para nossa história.

Como é para você construir grandes nomes do teatro como personagens?

O que mais me encanta no teatro é o ator, eu adoro dirigir atores, e o que eu queria na peça era que os personagens não fossem exatamente uma copia. A ideia é ver a essência desses personagens nos atores. A gente vê a alma desses personagens, não uma cópia. Eu queria na verdade é que os personagens fossem viscerais, vivos em cena, e não apenas reprodutores de uma imagem já pré-concebida.

Nós tivemos cinco semanas para eu dirigir essa peça, mas eu dirigi assim, com muita precisão por que eu estudei muito antes. Quando eu cheguei aos ensaios eu já sabia o que queria, eu já tinha as marcas prontas, claro, que muitas coisas foram mudando durante os ensaios. Mas o grande borrão eu já tinha feito em casa antes de começar. Eu não queria que ninguém entrasse em cena, sem ter uma história para contar.

*entrevista feita por telefone / Foto do musical: Guga Melgar

 

 

 

 

 

 

 

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