ITER KRIMINIS é uma experiência provocadora e contemporânea que procura iluminar um lado obscuro do ser humano, íntimo e velado. Doze atores encenam breves momentos da vida de alguns dos maiores assassinos de todos os tempos, muitos reais, e alguns fictícios, inspirado na literatura de grandes autores, como Dostoievski e Shakespeare, e também em crimes reais que se tornaram icônicos. Confira a entrevista com os atores:

 Qual é a importância de encenar Dostoievski e Shakespeare no palco para a carreira de vocês?
Fabio Moraes  – O teatro será sempre a fonte da juventude de todo ator, e de quem ama a arte e a vê não só como entretenimento mas como instrumento de transformação da realidade. Falamos de dois gênios da dramaturgia. Estamos bebendo da fonte….

Fernanda Becker – Todo ator precisa ter Dostoiévski e Shakespeare no currículo. Estar em contato com esses textos (mesmo que, no meu caso, não esteja encenando eles) é sempre engrandecedor. A riqueza das palavras e a profundidade delas, mesmo que ditas de uma forma simples, nos fazem pensar. E o que mais me impressiona é como esses textos são atuais, mesmo tendo sido escritos há muitos anos.

Manoel Borges – É, certamente, enriquecedor. Eu sempre quis interpretar personagens clássicos e a vida sempre me levava para personagens mais novos. Mas as coisas acontecem na hora certa. “Crime e Castigo” de Dostoievsky foi o que desencadeou nosso processo de pesquisa de personagens para a montagem da peça. E é incrível poder dar vida a um personagem tão extraordinário quanto Raskolnikov, de um autor tão magnífico e emblemático quanto Dostoievsky.

Geovana Metzger – Como atriz é de uma responsabilidade imensa interpretar Lady MacBeth, uma personagem tão forte e tão representada pelo mundo todo. Acredito que busquei a minha verdade frente a essa mulher apaixonada e ambiciosa e isso é o mais importante. Como responsável pela Dramaturgia, não posso deixar de salientar que todos os personagens da trama, reais ou literários, têm grande importância na pesquisa da psique humana.

Vocês usam da tragicomédia na concepção da peça. O que Dostoievski e Shakespeare achariam disso?
Marcia Dutra – Qualquer um dos autores retratam em suas obras a tragédia e comédia, Shakespeare começou sua carreira fazendo comédia, depois foi muito reconhecido pelas obras de tragédia e no final da sua carreira obras de tragicomédia, e Dostoievski em suas obras sempre relatava os transtornos mentais, a violência e o assassinato. Achar não saberia te responder, mas temos nessa peça muito da obra de qualquer um dos dois.

Francisco de Assis – Acredito que Dostoievski e Shakespeare ficariam bastante satisfeitos com a concepção que a diretora Julia Carrera deu ao trabalho, uma vez que aproxima o espectador de uma realidade muito próxima a nossa e que muitas vezes fica oculta ou é mais confortável fazer de conta que não existe e “Iter Kriminis” mostra isso de uma maneira sutil e leve.

Géssyca Mendes – Acho que a tragicomédia tem tudo a ver com esses personagens, aconteceu de forma muito natural. O público ri de coisas que são super trágicas porque são feitas de uma maneira absolutamente comum e com isso eles se identificam com o humano que há no personagem. Acho que eles gostariam que o público tivesse essas sensações e fosse provocado à esses questionamentos.

  Lêda Ribas –  Difícil se colocar no lugar de dois gênios, mas, talvez se surpreendessem com o fato de sua obra repercutir com tanta força ainda nos dias de hoje.

Manoel Borges –  A intenção do “Grupo Novo De Teatro” sempre foi, desde o início, fazer algo que fosse uma mescla de instalação, performance e teatro (Nossa principal origem enquanto atores), mais do que trabalhar um gênero específico como comédia ou tragédia ou tragicomédia. Mas a melhor parte de se fazer arte é que a mensagem fica para cada pessoa de forma única. Acredito que eles pensariam que estamos no caminho certo.

Fernanda Becker – Acho que ao longo da vida nos deparamos com situações em que é melhor rir pra não chorar. Dostoiévski e Shakespeare foram mestres em mostrar como o nosso dia a dia é sofrido e trágico e como podemos rir disso tudo. Acho que é o que tentamos fazer na peça.

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