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“O DIA DEPOIS”: UMA CRÔNICA TRAGICÔMICA

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Se no começo dos anos 2000 o cinema sul-coreano foi descoberto por meio dos filmes de terror, na última década o campo de visão se expandiu para além do gênero inicial. Assim, um dos nomes que, logo, se destacaram foi Hong Sang-soo – responsável pelos longas Hahaha e A Visitante Francesa –, que é conhecido por conseguir lançar muitos longas em um curto período de tempo – uma espécie de Woody Allen asiático. Desta forma, em 2017, o diretor esteve com uma obra no circuito comercial, duas no Festival do Rio e uma na Mostra de São Paulo, onde foi apresentado O Dia Depois – que também participou da Mostra Competitiva de Cannes.

O filme mostra um dia na vida de Kim Bongwan (Kwon Kae-hyo), dono de uma editora de livros que tem que se equilibrar entre um casamento em crise com uma esposa ciumenta e um relacionamento extraconjugal com uma ex-funcionária histérica. E a chegada de uma terceira mulher abala esta dinâmica. Song Areum (Kim Min-hee), uma pessoa introspectiva e de pensamento lógico, é a nova funcionária da empresa de Bongwan, que é responsável pelo treinamento da jovem.

Com isso, o diretor começa a narrar uma crônica sobre relacionamentos e hipocrisia, mas diferente das obras anteriores, as emoções e reações são elevadas a níveis catárticos em um tom satírico, uma vez que praticamente debocha do quarteto protagonista ao apresenta-los como representantes de seus piores defeitos – o fraco, a ciumenta, a histérica e a fria –, mas sempre respeitando a simplicidade, que é a principal característica da filmografia de Hong Sang-soo. Um exemplo disso – e da criatividade do diretor – é como acontece a dinâmica de Bongwan: o público vê as três mulheres entrando e saindo dos arredores do homem, o qual tem um tipo de interação com cada uma.

É justamente por meio de situações cotidianas que acontecem no período de 24 horas que a trama realiza, aos poucos, um estudo acerca de convenções sociais e relações humanas – neste aspecto, o longa lembra um pouco o trabalho do diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho em “O Som ao Redor”, inclusive algumas tomadas parecem saídas de obras do cineasta pernambucano. Assim, “O Dia Depois”, por fim, mostra-se uma observação sobre a inconstância, a mutabilidade dos desejos humanos, e, apesar de ser uma análise ácida, em nenhum momento julga ou condena suas personagens: elas penas são como são – o que é acentuado pela fotografia em preto-e-branco. E é desta forma que Hong Sang-soo se afirma como um dos mais interessantes diretores autorais da atualidade.

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