Single, que integra o próximo trabalho da banda, desenha a realidade de muitos homens e mulheres que, sem qualquer rede de apoio, estatal ou familiar, ficam desumanizadas pelas ruas da capital paulista. O clipe foi gravado com zabumba e sobreposto por todas as pirações do rock progressivo. O resultado é um baião cheio de vocais místicas e coros típicos das canções nordestinas.

Belíssima e ao mesmo tempo ácida, canção retrata a realidade das pessoas desumanizadas pelas ruas da capital paulista. “Essa letra surgiu depois de conversar com um homem que tinha acabado de descobrir ter AIDS. Ele estava em uma escadaria, no caminho da minha casa. Me parou, segurando alguns papéis, e explicou toda a sua situação. Dizia que precisava voltar para o nordeste, onde estava a mãe. Lá, pelo menos, teria “alguém para o enterrar”. Essas eram as palavras dele e, depois de ajudá-lo com algumas coisas e explicar que ele não estava condenado à morte, tudo aquilo me subiu na mente misturado à dolorosa realidade que eu via no centro da cidade, quase todos os dias, onde eu estudava”, explica o vocalista Rodrigo Zalc. “O desafio musical, então, foi compor algo que, embora colocasse o dedo na ferida dessa verdade em torno da doença, do crack e tantas coisas mais, trouxesse esperança para as pessoas. É contraditório. Canto tristeza em meio a alegria melódica”, completa.

No videoclipe, realizado pela Buvuá Filmes e Estúdio Ló, a bailarina Isabela Guido representa o mar e seu movimento infinito. “Do lado de fora, ela fica quase que completamente à mercê das ondas, seja na calmaria ou na tempestade. Do lado de dentro, porém, tenta fugir da força implacável das águas que a puxam cada vez mais para o fundo. É sobre resistir, mesmo que esteja afogando”, comenta Bruno Faria Hatanaka, diretor do projeto visual ao lado de Bruna de Vasconcellos Torres.

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