Espetáculo “A Busca” marca estes 30 anos de atuação do Moitará no teatro contemporâneo do Brasil, no Teatro Serrador, no Centro do Rio.

Nem comédia, nem drama, A Busca está ligada à cena-poema, gênero pautado em efeitos sensoriais para construção da narrativa. Efeitos estes que, somados ao trabalho da atriz Erika Rettl, servem de fio condutor para contar a história que será vista pela plateia. É a segunda montagem de uma trilogia sobre o gênero. A primeira foi Imagens da Quimera, de 2003, indicada ao Prêmio Shell (música) com grande reconhecimento de público e crítica. Com a palavra, Erika Rettl, intérprete que chama atenção pela exuberância de suas composições no palco: “A Busca fala da necessidade de resgatar a matriz feminina como potência arquetípica presente em todos os seres. Vai ao encontro de uma consciência que está interligada a grande rede que nutre a Vida. Espero que A Busca possa, de alguma forma, tocar este feminino, que sente, que cuida e que está latente em cada espectador. Que cada pessoa ao sair da apresentação seja motivada a acreditar que a sua busca em alimentar uma conexão sincera e comprometida com a Vida vale a pena”.

Cabe a ela – ora com, ora sem máscaras, ora com, ora sem texto -, propiciar ao espectador uma contemplação única através de sua vigorosa interpretação. Lança mão de elementos que exploram a sensorialidade e que compõem o cenário. “Traçamos um paralelo entre várias narrativas sobre o feminino, estabelecemos uma dramaturgia acerca da importância da Vida. A amplitude e relevância deste tema alicerçam a estética da cena-poema, potencializam a relação de identificação da plateia provocando uma reflexão sobre o desenvolvimento da Vida no planeta”, destaca o diretor Venício Fonseca. Os artistas sustentam que a temática é extremamente atual. A Busca propõe investigar a relação de equilíbrio entre os princípios masculino e feminino, o yin e yang, as forças e relações originárias que formam todos os seres.

As primeiras ideias sobre este espetáculo vêm de uma máscara de três faces, criada pela atriz Erika Rettl no distante ano de 1995. A máscara é inspirada nas Parcas ou Moiras, divindades da mitologia greco-romana que controlam o destino dos mortais e determinam o curso da vida humana, decidindo sobre vida e morte. Durante a pesquisa, ao confrontar as possibilidades do jogo cênico dessa máscara, que possui características de um Ser fantástico, surgiu à necessidade de criar outras máscaras individualizando cada uma das três faces para personificar o sagrado, o animal e humano, presentes na tríade do feminino.

Venício Fonseca conta mais sobre a criação do roteiro, a partir de aspectos do mítico feminino através de lendas e mitos de muitas civilizações. Livros como “Pistis Sophia”, que revela a figura feminina, análoga à alma humana e simultaneamente um dos aspectos femininos de Deus, “Solombra” último livro da poetisa Cecília Meireles, e “A arte de semear estrelas”, de Frei Betto, entre outros, serviram à investigação.

A atuação de Erika Rettl tem elementos de destaque. A começar pela máscara que é utilizada na cena inicial, criada por ninguém menos que o italiano Donato Sartori, grande artista e mascareiro, morto em 2016. Sartori foi parceiro do Moitará desde a origem do grupo. Promete chamar atenção também a máscara da Babaiaga, a “mulher Loba”, confeccionada por Venício Fonseca. “Consideramos a máscara o eixo da nossa pesquisa sobre dramaturgia de ator. É muito significativo a máscara ser o símbolo totêmico do Teatro. Conhecer e conviver com o Sartori foi um divisor de águas, logo nos primeiros anos do Moitará. Antes da vinda do Sartori ao Rio, nos anos 1980, a máscara era vista mais como adereço. Muitos artistas e grupos brasileiros beberam desta fonte. Pudemos compreender que a máscara é um instrumento que detém uma linguagem própria”, diz Erika.

Serviço:
A Busca
Temporada: de 4 a 27 de outubro de 2018
Sessões: quinta, sexta e sábado, às 19h30.
Local: Teatro Serrador (Rua Senador Dantas, 13 – Cinelândia, Rio de Janeiro – Metrô Estação Cinelândia)
Ingressos: R$ 40, R$ 20, R$ 15 – lista amiga
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 53 min

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here