Uma pacata cidade numa região montanhosa da Itália se vê às voltas do sumiço da jovem Anna Lou, de 16 anos. Religiosa e devota, a menina acima de qualquer suspeita havia saído de casa para ir à igreja e nunca mais retornou.

O inspetor Vogel, antigo conhecido da opinião pública por ter falhado na investigação de um caso de assassino serial há alguns anos, é chamado para liderar a investigação em busca do paradeiro da menina. Ainda sem se livrar do estigma do caso anterior, Vogel se utiliza de antigos artifícios para instigar e atrair os holofotes para si, na esperança de se redimir desta vez, mas ele não contava com a complexidade deste caso. Um psiquiatra suspeito, um professor com hábitos estranhos, um jovem stalker desequilibrado, são só alguns dos suspeitos do desaparecimento da menina.

Uma cidade cheia de segredos e mistérios envolvendo uma seita religiosa e revelações inimagináveis sobre seus cidadãos. Em determinado momento, fica difícil para os personagens e para os próprios espectadores, entenderem para que lado a trama está indo. Difícil alongar uma sinopse, pois desde o início da trama já ocorrem fatos relevantes para a história que não podem ser revelados aqui.

O thriller de estreia do escritor italiano Donato Carrisi é carregado e acerta na ambientação e atmosfera que pretende. Como obra adaptada de um de seus best-sellers, o desafio foi transmitir nas telonas o efeito que as linhas e páginas de seus livros causam. E pode-se dizer que ele acerta neste quesito. A pegada noir que não perde para nenhum suspense de Darín aliada a uma trilha sonora intrigante, dão um tom bem original a obra.

Quanto ao roteiro, o desenlace da trama é complexo, devida às várias reviravoltas no plot. Definitivamente não é um filme para você que vai ao cinema para namorar. Ele requer 110% de atenção, do contrário, você pode se perder nas várias hipóteses que ele apresenta. Eu particularmente adoro filmes com esta pegada. Essa originalidade do cinema fora de Hollywood agrada (e muito). Uma falta de preocupação positiva com formatos prévios e mercadológicos.

As atuações são honestas. O nome mais pesado da produção, Jean Reno, confesso, me incomodou com uma pronúncia “quadrada” e lenta do italiano, tirando em algumas cenas, o ritmo e a tensão pedida. No entanto, contribui com a obra com sua experiência no cinema e é inegável que agrega ao título. Para quem considera elenco, na hora de escolher um título a assistir, tê-lo no casting pode fazer a diferença.

Destaque para o ator Alessio Boni, que consegue aplicar uma dualidade ao seu personagem, o professor Loris Martini, fundamental no primeiro ato. Toni Servillo, o inspetor Vogel, parece à vontade e nas horas em que exigido, corresponde.  Por fim, A garota na Névoa surpreende positivamente. Indicados aos amantes do gênero, sem dúvida alguma.

 

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