Até o ano de 2017, quando estreou a morte te dá parabéns, o gênero slahser se encontrava esquecido desde Pânico 4 e com alguns filmes que surgiam para prestar uma homenagem ao gênero . Portanto, quando A morte te dá parabéns estreou não só veio com certa expectativa pela ambientação como também com uma premissa nova e interessante envolvendo assassinatos e viagem temporal.

A receita deu certo e uma sequencia foi garantida. Porém, pairava no ar a maldição das infinitas sequencias que tendem a desgastar qualquer filme promissor em nome de arrecadar uma alta bilheteria. Fora assim com a saga Halloween, A hora do pesadelo, Acampamento sangrento e o caso mais emblemático de todos, Sexta feira 13. Cabia então ao diretor Christopher B. Landon escapar dessa sina.

E, fugindo da tendência, de fato A morte te dá parabéns 2 consegue encontrar um equilíbrio (pelo menos inicial) entre as regras propostas no primeiro filme e a introdução de novos conceitos que impedem de tornar essa sequencia uma versão reciclada do filme anterior. De fato, escapar da sina das infinitas sequencias foi algo positivo apoiado por outros elementos positivos, porém há problemas que essa escolha acarreta.

Ao fugir de copiar a obra anterior, a sequencia seguiu pelo caminho de explicar o que motivava os surtos de volta no tempo da protagonista, uma vez que toda vez que ela era assassinada ela voltava para o inicio do dia em que morrera e recomeçava até descobrir quem a estava matando. Por consequente, essa opção acarretou uma alta carga de ficção cientifica à narrativa, algo que era apenas um elemento narrativo no filme anterior mas que servia ao propósito maior que era o suspense. Agora entram em cenas muitas equações de física temporal, funcionamento de dimensões paralelas, equipamentos de alta tecnologia que soltam raios azuis e nerds de laboratório.

Porém, há um lado negativo nessa quebra de expectativa. Com a ascensão do elemento de ficção cientifica no enredo, o suspense presente na obra anterior de descobrir quem é o assassino acaba perdendo força de maneira extrema. Como resultado, o filme acaba não soando como um suspense que ele prometera ser com toques de humor negro, mas sim uma ficção cientifica humorada. Do ponto de vista do subgênero slasher que há tempos está sem grandes títulos nos cinemas, ter a sua saga mais promissora em anos convertida em outro gênero pode atrapalhar a produção de novos exemplares.

A morte te dá parabéns 2 surge como uma exceção rara nas sequencias hollywoodianas ao fugir da tendência de copiar o que deu certo. A direção (mesma em ambos os filmes) ao mesmo tempo que mantém a ótima comédia e diversão do primeiro filme, demonstra plena confiança de avançar rumo a um terreno inesperado para fugir de maneirismos que poderiam ser adquiridos enquanto sequencia, mesmo que para isso seja necessário sacrificar o suspense.

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