Musical idealizado, coescrito e dirigido por Renato Rocha, em cartaz no Teatro Riachuelo, reunindo 10 atores/cantores/dançarinos e quatro músicos conta com a  direção musical e concepção dos arranjos do cantor Zé Ricardo, que comanda o palco Sunset do Rock in Rio.

Com orientação experimental que participou do grupo Nós no Morro, Renato Rocha criou em Londres espetáculos para a Royal Shakespeare Company e a Roundhouse, e, na volta para o Brasil, dirigiu em 2017 “Ayrton Senna — O musical”, espetáculo que abriu as portas na aérea musical brasileira.

A peça leva para o espectador toda a construção do gênero no teatro, desde as audições, passando pelas angústias e as conquistas, levando para a ficção teatral um sonho tão comum a cada ator, em especial para quem busca uma carreira nesse mercado, cada vez mais competitivo.

Lulu Santos atravessa gerações com a música dele, é impressionante como suas músicas verberam até hoje. O que te levou a fazer um musical com as musicas dele? Aliás, como foi essa troca com ele? Ele ajudou na construção da peça?
Renato Rocha – Infelizmente, não. Ele é uma pessoa muito ocupada, mas ele ficou muito feliz com a ideia de se fazer um musical com as músicas dele. E mais feliz ainda por não fazer parte da fila dos musicais biográficos, mas que se apropriava da trilha dele para contar uma outra história. Deixamos ele super à vontade em fazer parte do roteiro, mas ele preferiu ver pronto. Alias, ele ainda não assistiu por conta da turnê do último álbum. E tá super ansioso para ver, até por que os amigos, como Fernanda Abreu e o Memê já viram e elogiaram muito.

A ideia partiu pela relevância que o Lulu tem na nossa cultura. São musicas que atravessam gerações e embalam a trilha sonora da vida das pessoas. Todo mundo em algum momento já foi tocado pelas músicas dele. Eu queria que fosse um musical que de antemão tivesse um valor afetivo para o espectador.

São mais de 40 canções de Lulu Santos, em cena, como foi o processo de escolha delas?
Renato Rocha – Foi dolorido! Infelizmente não dá para ter tudo, né. A gente chegou a ser chamado de maluco por ter quarenta músicas. Foram meses de mergulho na obra dele. Eu queria muito que a história partisse do próprio discurso dele. A única coisa que eu tinha na cabeça é que tinha quer ser uma metalinguagem do universo artístico, que eu acho que é fundamental no momento politico que a gente está vivendo no Brasil. Resignificar o papel do artista, do amor e do sonho. É como ele diz na musica: “Eu vejo a vida melhor no futuro, eu vejo isso por isso do muro …” . O Lulu é um artista que fala disso nas suas músicas, em geral. A gente foi deixando a própria obra dele nos afetar, nos inspirar, e assim a gente viu que toda forma de amor é o lema do musical. A gente percebeu que por trás desse grande hitmaker que é o Lulu, existe um grande letrista, com letras que tem mensagens que mais do que nunca a gente tem está precisando ouvir. É totalmente relevante!

O nosso papel como artista hoje é ressignificar o papel da arte na sociedade. Eu acho que esse projeto fala um pouco disso, da beleza de ser artista.

Como você mesmo disse, o musical não conta a história do Lulu. “O meu destino é ser Star” mergulha na obra de Lulu Santos para falar de todas as formas de amor, qual é a importância de se falar de amor hoje em dia?
Renato Rocha – Eu acho que a coisa mais importante do mundo, hoje, é falar de amor, eu morei muitos anos na Inglaterra , onde eu tive a oportunidade de conhecer o Peter Brook, e ele falou justamente disso, a revolução hoje tá no amor, por mais que a gente viva num mundo violento, corrupto e individualista, o amor ainda é capaz de transformar, de perceber a importância do outro, de ser ter um olhar mais generoso, e o espetáculo fala disso, de valorizar o bom dia, o sorriso do outro, por medo da violência. O espetáculo deseja passear por essas camadas, sabe, criar um olhar mais generoso seja pelo medo do sucesso ou pelo medo do fracasso.

Você teve dificuldades no processo de audição para a montagem de um espetáculo?
Renato Rocha – A gente já tinha uma dramaturgia musical, mas ainda não tinha o roteiro de cenas. Foi um processo criativo muito dolorido e prazeroso ao mesmo tempo. A gente teve muita dificuldade em encontrar o elenco certo. É um musical com dez artistas em cena, o que não é comum para esse tipo de musical, de maior escala. A gente fez uma audição super direcionada em busca de atores completos. Foram muitas. A gente começou o processo criativo sem ter os diálogos prontos, ainda. A gente teve a oportunidade de entrar numa sala de ensaio sem texto. Todo mundo ficou se perguntando como vai ser isso, ai eu disse: “Gente, nós temos quarenta musicas do Lulu, é praticamente 60% do texto. Vamos entrar com o que a gente tem e entender como cada um pode se apropriar da obra”.

A Helga Nemeczyk é uma artista completa, atua, canta e dança. Ela tava dentro do projeto desde o inicio?
Renato Rocha – Nenhum ator fazia parte desde o inicio. A gente foi encontrando durante o processo. Quando a Helga apareceu, eu já tinha visto outras artistas de musical, mas foi de cara, eu soube ali que era ela.

Eu acho que é um personagem diferente de tudo que ela já fez, ela normalmente faz mais humor, o que é importante também para a história, além de toda a experiência dela. A Helga é pessoa super interessante de se trabalhar, desde o processo criativo. Ela se joga, participa, isso é ótimo. Ela se enquadra muito bem nesse perfil, que gosto de trabalhar. Eu tô muito feliz com o resultado!

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