Por Mallu Correa

Dirigido por Luc Besson, Anna – O perigo tem nome, conta a história de uma jovem modelo em início de carreira que tem um segredo revelado – é uma agente da KGB infiltrada. O filme conta toda a sua trajetória, desde antes de ser recrutada, passando pelo seu período de treinamento, até o momento em que se torna uma verdadeira agente. O grande problema do filme é que Anna (Sasha Luss) é bonita, inteligente, cheia de dons, mas nunca realmente foi livre e teve poder de escolha sobre sua vida. E o filme é sobre uma mulher que busca, incansavelmente, sua liberdade.

Recheado de plot twists e com uma protagonista forte, o filme é um prato cheio para os amantes de ação. As cenas de luta e negociações são extremamente bem construídas, todo o diálogo em relação ao futuro de Anna e as suas obrigações te obrigam a sentir a angustia e a torcer pela personagem, apesar de algumas falhas no caráter que a personagem mostra.

Ao longo do filme você repara que ele se afasta o máximo possível de uma visão maniqueísta envolvendo Estados Unidos/Russia. Ele mostra o que acontece dentro das operações dos dois lados e que, tanto um quanto o outro, fazem coisas erradas para defender seus próprios interesses.

Sasha Luss tem uma boa performance em tela, mesmo nos momentos mais conflitantes, ela demonstra calma e a dose exata de tensão que tem que ser mostrada não só para os outros personagens interagindo com ela, mas também para não revelar toda a trama ao telespectador e ao mesmo tempo instigá-lo. Assim como sua parceira, Helen Mirren, que interpreta sua “mentora” na KGB, também passa períodos apreensivos e sabe demonstrar da maneira exata. A química que as duas têm em cena é algo bonito de se assistir.

Apesar de uma montagem interessante e de conduzir o telespectador a vários detalhes que, sozinho, é difícil reparar, o filme ainda peca (muito) na questão de reduzir uma mulher que sofreu na mão de homens a vida inteira, à um rosto bonito que usa seu sex appeal para “seduzir” e acabar ganhando o que quer. Não que essa visão seja, de um todo, ruim. Mas o modo como foi retratado acabou desmerecendo toda a inteligência da personagem e se limitando a mostrar, obviamente, sua sexualidade. Isso sem contar, é claro, o relacionamento “oficial” homo-afetivo que a protagonista tem e que é totalmente ridicularizado, pela falta de empatia com a parceira e por trocá-la, sempre, por homens.

Não é um ponto de vista totalmente chocante se você considerar que o diretor do longa tem mais de cinco acusações de abuso por algumas atrizes e outras profissionais. Ou seja, deixar na mão de um homem com um histórico um tanto quanto problemático a trama de uma mulher forte nunca resulta em uma obra boa, de fato. E Anna, acaba se tornando a mesmice, mais uma personagem bonita batendo em pessoas para saciar os desejos reprimidos de homens, héteros, cis e brancos.

 

 

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