Surgindo como mais uma oportunidade de dar visibilidade ao gênero do terror no Brasil, Morto não fala chega aos cinemas nessa quinta feira e conta a história de Stênio (Daniel de Oliveira), um homem que trabalha no Instituto Médico Legal (IML) no Rio de Janeiro, recebendo e limpando os corpos, e que tem um dom: ele consegue falar com os mortos. Papo vai, papo vem, Daniel acaba descobrindo diversas coisas com aqueles que já passaram para o outro lado, mas muitas desgraças podem acontecer se ele usar essas informações para algum benefício próprio.

Tendo por anos sendo deixado de lado e tendo que sobreviver com reduzidos orçamentos e sem conseguir realmente passar por circuitos exibidores que não fossem alguns festivais, o terror nacional começou recentemente a mostrar sua força e, principalmente, o seu valor. Com filmes sendo sucesso de crítica como Animal Cordial ou As Boas Maneiras, o novo longa de Dennilson Ramalho, Morto Não Fala, vem como mais uma alternativa para os brasileiros apreciarem a nossa própria arte.

O filme tem todos os padrões do gênero do horror e brinca com eles sabendo o que está fazendo, desde efeitos especiais bizarros, grande quantidade de sangue, cenário totalmente feito para um filme de horror, visto que uma grande parte do filme se passa num necrotério, até no próprio roteiro, flertando com o que existe depois da morte e principalmente com as conseqüências de uma vingança.

Além de agradar aos fãs do gênero, o filme também vem pra mostrar a força política e social que uma narrativa pode ter. Utilizando como contexto um típico trabalhador que faz inúmeros plantões pra tentar sustentar a família, morador da periferia do Rio de Janeiro e que, por agir controlado pela emoção em um momento de raiva, acaba mexendo com forças sobrenaturais e sendo punido por isso. O filme fala sobre a violência nos grandes centros, a falta de infraestrutura dos órgãos públicos, o tráfico de drogas e os problemas psicológicos e familiares desses indivíduos enquanto conta uma história tipicamente de terror.

Valorizar o cinema nacional é nosso dever, mas mais do que isso, é importante lembrar que o nosso cinema não é resumido apenas a dramalhões e comédias pastelão. Nosso cinema é diverso, tem monstro, tem Alien, tem susto, tem riso, tem lágrima. Morto não fala não estréia apenas como mais um filme brasileiro, mas também como uma resistência. Resistência do gênero e do cinema nacional.

 

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