Em 1942, poucos meses após o ataque japonês à Pearl Harbor, as forças americanas se viram abaladas, com a moral baixa e a missão de neutralizar as tropas orientais, o que resultou no icônico conflito de Midway, um dos pontos decisivos para o fim da guerra e que já foi retratado no cinema em 1976, no longa “A Batalha do Pacífico”. Agora, a história volta às telas com uma nova roupagem tecnológica.

 Com direção de Rolland Emmerick – responsável por Independence Day, O Patriota e Godzilla -, esta nova versão tem tudo o que um tradicional filme de guerra deve ter – um elenco cheio de estrelas, cenas de ação bem dirigidas e uma boa trilha sonora -, mas se diferencia no que diz respeito à abordagem dada a alguns aspectos da trama, como, por exemplo, a representação das personagens japonesas.

 Aqui, os inimigos dos norte-americanos não são pintados totalmente como vilões nefastos que devem ser aniquilados a qualquer custo, tanto que alguns deles – os que ocupam posição de comando, como Yamaguchi (Tadanobu Asano) – recebem maior atenção do roteiro, o que os humaniza e mostra como a questão da honra tem grande valor para os japoneses. Isso distancia a produção do egocentrismo geralmente presente no gênero.

Isso não quer dizer que não haja a tradicional exaltação aos Estados Unidos, a qual, pelo menos, na primeira metade da projeção, beira a cafonice – em especial, devido ao excesso de frases de efeito presentes no roteiro. E, ainda, há falas demasiadamente expositivas – principalmente acerca de situações e termos de batalha e sobre honra, o que, no lado estadunidense, é feito de forma bem mais clichê do que no lado japonês.

 Aliás, o grande problema do longa é justamente o excesso – aqui, tudo é “muito”, em diversos sentidos. Começando pela quantidade de personagens – muitos deles unidimensionais e sem grande função na trama. Há, também, muitas cenas de batalha, as quais, depois da primeira metade do longa, soam repetitivas – os soldados norte-americanos sempre erram os primeiros disparos. E a trilha sonora, apesar de bem feita, poderia ser deixada de lado ou amenizada em alguns momentos.

Por outro lado, pelo menos, as cenas de ação são muito bem dirigidas e montadas – mesmo com muita informação em tela, o espectador não perde nada -, e os efeitos visuais também são bem realizados e servem ao filme – em especial, nas cenas de voo e de dentro dos aviões. Além disso, a reconstituição de época também é muito boa, o figurino e os cenários, de fato, transportam o público para a década de 40 – com uma considerável ajuda da cinematografia.

 E, é claro, o que ajuda muito a amenizar muitos dos defeitos – principalmente, os do roteiro – e o desempenho do elenco. O principal destaque é Ed Skrein, que interpreta o piloto Dick Best e pode ser visto como o protagonista da trama, uma vez que o seu arco é o mais desenvolvido – o fato de a personagem, que perdeu seu melhor amigo no ataque à Pearl Harbor, não ter medo de morrer e, ao mesmo tempo, temer que sua família tenha de viver sem ele é o principal fator que faz o público torcer por Dick.

Há, ainda, Woody Harrelson, que está muito bem como o Almirante Chester Nimitz, um tipo durão, mas compreensivo que se preocupa com os que estão ao seu redor – um tipo que ele sabe interpretar; Mandy Moore, que dá vida à Ann, esposa de Dick, uma personagem muito carismática e que prova mais uma vez – após o sucesso da série “This Is Us” – o quanto Moore evoluiu como atriz, mostrando-se muito mais segura.

E outra personagem interessante é Edwin Layton, interpretado por Patrick Wilson, que se sente culpado por não ter conseguido prever o ataque a Pearl Harbor e, agora, coloca todos os seus esforços em liderar a equipe responsável por interceptar e decodificar as mensagens trocadas entre as tropas japonesas.

Aliás, esse é um dos pontos altos da produção, uma vez que, considerando as duas horas e vinte minutos de duração, os dramas pessoais das personagens começam a perder o fôlego depois dos primeiros 90 minutos, assim, essa virada de foco para o esquadrão quase totalmente improvisado responsável por descobrir local e hora dos próximos ataques dos orientais injeta novo ânimo ao longa.

 Assim, Midway – Batalha em Alto Mar é um filme que, apesar dos deslizes, consegue realizar de maneira competente o que se propõe a fazer – é um filme histórico de guerra bem realizado que, mesmo não sendo um obra-prima favorita aos prêmios da próxima temporada, consegue entreter o público, que aceita embarcar na trama. É uma produção que poderia ter um roteiro mais conciso, porém é tecnicamente cuidadosa que conta com um bom elenco – o qual  também é composto por Luke Evans, Aaron Eckhart, Dennis Quaid, Darren Criss e Nick Jonas – e, para concluir, mostra o que aconteceu com as pessoas reais após o fim da batalha, o que humaniza tanto as personagens quanto toda a ação desenfreada de alguns momentos. Vale a pena dar uma olhada.

Foto: divulgação Diamond Filmes

 

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