Você é uma dramaturga renomada, com textos encenados por grandes atores, como é o seu processo de criação?
Renata Mizrahi –  Varia muito de peça para peça. Tem peças que eu escrevo por encomenda, então eu tenho um prazo mais urgente.

No ano passado, você teve algumas peças em cartaz, como “Colisão”, “O olho de vidro”, “Os Sapos” e Vale Night”, e agora, você estreia um

Peça “Vale Night”- Foto Tatynne Lauria

infantil, são propostas completamente diferentes. Para um autor, como você lida com tantos assuntos, ao mesmo tempo? Como trabalha toda essa versatilidade?
Renata Mizrahi –  Cada peça me faz emergir no seu universo. Eu tento virar as chaves, mesmo, sabe. Se você parar para pensar todos os temas tem uma ligação. Todas as peças falam relação, de microuniversos, elas de alguma maneira se correlacionam. A gente tem essa capacidade, né, de ser multi.

Existe diferença na linguagem de uma peça para adultos, para uma infantil?
Renata Mizrahi – Total! A linguagem para criança precisa ter um ritmo diferente, precisa ser lúdica, precisa de música, eu acredito que música é fundamental pra o universo infantil, além de ser mais curta, a criança tem um tempo ali de absolvição. Já a peça adulta, ela é mais profunda, não necessariamente mais dramática, ela tem que ir fundo nas questões.

Além de escrever, você se envolve na produção?
Renata Mizrahi – Quando é um projeto meu, eu me envolvo completamente. Já quando é por encomenda, eu não me envolvo, no máximo, eu dou algumas opiniões, quando pedem.

Sobre adaptações, pretende fazer alguma? Aliás, o que você acha de peças adaptadas para o cinema?
Renata Mizrahi – Já fiz algumas, como, “O Olho de Vidro”, “o que é que ele tem”, com a Louise Cardoso, já fiz infantis também como o “Jardim Secreto”,

“Os Sapos” – Foto Clara Linhart

entre outros. E agora tô adaptando “Os Sapos”, minha peça, para o cinema.

Eu acho que a peça tem que ser cinematográfica, por exemplo, uma peça que se passa dentro de um apartamento o tempo todo, para ela ir para o cinema, ela precisa ter outros ganhos. Eu acho super possível, eu acho que todas as histórias podem ser adaptadas para tudo.

Para encerrar, quais autores te influenciaram / influenciam na sua carreira?
Renata Mizrahi – Eu acho Nelson Rodrigues genial! Eu acho que a maneira que ele escreve é muito potente, ele para mim é um grande influenciador, eu gosto muito Beckert, eu gosto muito da Yasmina Reza, muita gente já comparou muitas vezes “Os Sapos” com “Deus da Carnificina”, e eu acho uma honra, acho maravilhoso. Clarice Lispector me influencia muito na minha escrita para teatro. Eu também gosto muito dos autores contemporâneos, minhas amigas, como a Carla Faour e a Julia Spadaccini.

Foto destaque: Renato Mangolin

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