Linde é uma avó progressista e rebelde, de origem polonesa-judaica, que tem uma vida privilegiada no interior da Itália. Ela vive com o marido em uma rica casa construída no meio de uma paisagem idílica. Prestes a receber o Prêmio Nobel de Literatura, Linde dá uma festa de celebração na residência. Durante a comemoração, é avisada sobre a fuga de imigrantes ilegais -é o prelúdio do tema evocado pelo filme.

Um violento ataque terrorista ocorre em Roma, exaltando ânimos xenófobos pela Itália. Ao mesmo tempo, a poeta aceita uma homenagem da prefeitura de sua pequena cidade. Na cerimônia, faz um provocativo e inflamado discurso, desagradando o país todo e virando pária.

Com a chegada de um novo imigrante na cidade, Maria, uma mãe de família tem sua vida virada de cabeça para baixo. Conforme ela se relaciona com o rapaz, um cenário de terrorismo começa a se desenrolar na, até então, calma região da Toscana.

O diretor Jacek Borcuch  parece que sente a força da história nas suas mãos e explora pouco as possibilidades visuais.  Com um roteiro em parceria com Marcin Cecko e Szczepan Twardoch, o filme passeia por inúmeras questões como a intolerância e a xenofobia.

 A paleta de cores se torna mais sombria, mais nublada, é executada com injustificável sutileza. Virando o filme do avesso, o que se segue é um longo e tortuoso entardecer.  O diretor Jacek Borcuch capta esse sentimento de maneira visual.

O efeito psicológico sufocante entre a falta de luz e os enquadramentos ligeiramente defeituosos, cambaleantes fazem de Doce Entardece na Toscana um belíssimo filme melancólico.

Apesar de ter elenco e equipe técnica formados majoritariamente por poloneses, o drama foi é ambientado em Volterra, na região da Toscana, onde foi filmado. A veterana Krystyna Janda, que já recebeu o prêmio de melhor atriz em Cannes por O Interrogatório, de Ryszard Bugajski, foi premiada pela sua interpretação no longa de Borcuch no último Festival de Sundance.

 

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