Cantor fala da importância da musica como instrumento transformador.

Divulgação/Luringa

O novo single de Gabriel O Pensador, “Vamo Aí”, chega com uma mensagem de combate ao racismo e à indiferença perante todas as formas de opressão.  A faixa conta com a participação de Ponto de Equilíbrio, além da jovem rapper Gabz.

O cantor, mais uma vez, aborda temas marcantes e momentos de transformação da sociedade, citando na poesia as mortes de George Floyd e do menino João Pedro.

Em maio, ele também lançou “A Cura Tá No Coração”, a musica traz uma mensagem de união, amor e superação, o cantor demonstra ser porta-voz do sentimento coletivo, traduzindo, certamente, em sua poesia temas marcantes e momentos de transformação da sociedade.

Em “Vamo Aí”, você traz uma mensagem de combate ao racismo e à indiferença perante todas as formas de opressão. Como a música pode ajudar no combate ao racismo?
Gabriel O Pensador – A música tem um poder de fazer pensar, de abrir olhos, as mentes e os corações, né. Desde de Bob Marley, Sandra Sá com “Olhos Coloridos”, que me veio a memória agora, que é uma música que a gente canta no nosso show, muitas vezes misturando com a música “Lavagem Cerebral”, “Racismo é burrice” é o novo nome daquela minha faixa do primeiro disco que já falava de racismo. Então, desde músicos de estilos diferentes, especificamente dentro desse tema, até coisas mais abrangentes que também falavam muito disso, a gente já lembra do Rap, do Public Enemy, na época que eu comecei a ouvir rap entre tantos outros.

A música passa uma energia de transformação, de insubordinação, que é muito necessária. A minha música “Racismo é burrice” tem sido trabalhada nas palestras que eu faço, com jovens. E num desses eventos, eu conheci um cantor, Jairão (vocalista do Aláfia), que veio me contar, que quando ele tava na escola, com 16 anos de idade, um professor resolveu contar piadas, quando ele era o único aluno negro de uma colégio particular, em SP. Entre as piadas, ele entrou numa onda de contar piadas racistas, enquanto todos os alunos estavam rindo, ele voltou para casa chorando e decepcionado com o professor e os colegas. No dia seguinte, ele foi pra escola com um aparelho de som e o meu disco, porque ele queria mostrar a minha música, que seria uma maneira de fazer as pessoas refletirem sobre o que tinha acontecido, tudo com a autorização do diretor. Assim, o professor de física, que tinha contado as piadas, foi expulso. Depois de muitos anos, o Jairão, foi surpreendido pelo professor numa lanchonete, que o convidou para a escola onde era o diretor, e mostrar o trabalho que eles fazem contra o racismo.

Após tudo que aconteceu com a morte do George Floyd e os movimentos antirracismo. Como esse movimento reflete no mercado musical?
Gabriel O Pensador – A música reflete tudo o que acontece na sociedade, né. Tempos turbulentos, violentos e confusos por causa de doenças, mortes e medo. Eles podem trazer músicas como respostas tanto para alivio, falando de paz, falando de calma.

Na minha música, “A cura do tá no coração”, de certa forma ela busca esse alivio numa parte, em outras ela reflete com um papo reto sobre os nossos erros, de sempre, de estarmos sempre tão egoístas, tão intolerantes, tão frios, mas eu acho que a música tá acima da conjuntura, a música como forma de arte, ela pode condensar sentimentos coletivos, que estão ai a muitos anos, né.  Então, um caso como esse, já aconteceu na década de 90, com o Rodney King. Também de grande revolta nos EUA, entre outras mais recentes.

Com relação ao mercado, eu não saberia dizer, mas a criação de música ela serve como um espelho disso tudo, musica, arte em geral. Ela traduz os sentimentos da humanidade.

 Você fez a sua primeira Live, em meio a pandemia, como foi a receptividade do público? Tem algum cantor que você gostaria que participasse?
Gabriel O Pensador –
A minha live serviu para levantar o meu astral. Meus fãs, seguidores e amigos me cobraram. Eu tinha perdido meu pai em abril e tava num momento de introspecção e acabei criando a letra de Ä cura tá no coração”, ai foquei um pouco em trabalho, mas muito na minha. Ai, o meu tio, irmão do meu pai, foi quem acabou incentivando. E ai, de uma hora para outra, eu resolvi que iria fazer.

Os seguidores se envolveram no repertório com sugestões, e acabaram sugerindo coisas legais, que eu fiquei com vontade de resgatar, como “Mandei avisar”, que eu fiz com Yuka e nunca mais tinha cantado, que virou um clipe a parte, depois da Live e no Spotify como um novo produto. Me fez bem! O público recebeu muito bem, eu pude me conectar com a galera de todos os países que a gente costuma ir, onde a minha música chega. Aliás, a live foi transmitida em uma das rádios de Portugal.

Eu acho que as lives podem desenvolver melhor essa questão da participação a distância. A estrutura de produção da Live do Lulu, no Copacabana Palace é um bom exemplo de como fazer. Me deu vontade de fazer coisas nesse sentido, mas eu sei que é bem complicado.
Gostaria que o Ventania, cantor hippie, grande amigo, fizesse parte. O Bule Bule, da Bahia, um senhor que um grande improvisador de cordel, uma lenda viva da música popular brasileira. Além da Gabz e o Ponto de Equilíbrio. Eu adoro receber convidados nos shows em geral.

O mercado das Lives tem bombado em tempos de Covid-19. Como isso afeta o mercado musical, futuramente?
Gabriel O Pensador – O mercado pode aproveitar isso mesmo sem pandemia. Eu acho interessante, que no Brasil, a gente tem lugares que não acontecem tantos eventos grandiosos de certos tipos de música. Então, a live para essas cidades, é uma oportunidade de curtir o show de igual para igual.

A TV FLA e as redes sociais do Clube de Regatas do Flamengo exibiram uma entrevista do rapper em uma transmissão especial pré-live. Qual é a influência do Flamengo na sua vida e na sua carreira?
Gabriel O Pensador – O Flamengo é uma paixão de moleque, desde criança, é um esporte que gosto muito, além do surfe, que tem grande influência na minha vida. São lembranças de torcer, de vibrar, de me emocionar, o ritual de ir ao jogo também tinha um lado musical. As torcidas organizadas na época, com as músicas e tambores.

Uma lembrança ligada a minha carreira, certamente, foi cantar na final da Libertadores, no ano passado (2019), eu e Papatinho para fazer o beat e o Tiago Mocotó, meu irmão que sempre me acompanhou na ida aos jogos desde adolescente, cantando no gramado antes do jogo. Meus filhos estavam em acompanhando, foi emocionante! Sou um torcedor normal com todos os outros.

Aliás, o surfe mexe mais comigo! Falando de coragem, de amizade, da Rocinha, da época que conheci mais de perto a favela, eu tinha 12 anos e tava começando a surfar, que é uma longa história, mas para que tiver curioso, escute a música “Cantão”, que sobre esse canto da praia, ela conta bem essa história.

 

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