Produção da Netflix, não se limita apenas em relembrar cronologicamente o caso.

Como vem sendo de praxe, a Netflix vem apresentando a seus assinantes doses constantes de documentários criminais de alta qualidade, daqueles que não só trazem boas histórias ou casos intrigantes mas também uma edição audiovisual primorosa. Em mais um de seus recentes lançamentos no gênero, é apresentado um dos maiores escândalos da sociedade norte-americana no início desse século: o caso Jeffrey Epstein.

Pertencente da alta sociedade de Nova York, Epstein era considerado pelas mídias locais e conhecidos de círculos sociais como alguém recluso. Um bilionário cuja origem da fortuna era desconhecida mas de alguma forma ligada ao mercado financeiro; não a toa localmente ele recebera o apelido de “Gatsby” (em referência ao personagem Jay Gatsby criado por F. Scott Fitzgerald) por sua boa aparência e reclusão.

Entretanto, a partir de 2006 diversas denuncias contra ele começaram a ganhar espaço na grande mídia por associarem sua pessoa a crimes de pedofilia, prostituição de menores de idade, estupro de vulnerável e etc. conforme os anos foram passando se estabeleceu que a situação era muito mais grave do que parecia e o caso ganhou dimensões ainda maiores quando se lembrava que Epstein era amigo de pessoas muito poderosas, tais como Bill Clinton e Donald Trump.

O documentário produzido pela Netflix não se limita apenas em relembrar cronologicamente todo o caso mas também dar voz as vítimas. Aquelas que na época dos delitos eram menores de idade ganham a chance de mostrar que até hoje ainda carregam cicatrizes emocionais dos abusos sofridos pelo bilionário. Há algumas situações tão sensíveis que antes do inicio de cada episódio um aviso é apresentado informando que algumas das declarações das vítimas podem conter detalhes de como os ataques aconteceram e isso poderia ser um gatilho para o espectador.

No campo da informação o documentário também é bem servido, com entrevistas de advogados que por anos representaram as vítimas nos tribunais contra alguém com uma influência gigantesca e também com comentários de policiais da Florida (local aonde os crimes mais aconteciam) que relembram o quanto era difícil iniciar qualquer investigação contra Epstein ainda no principio da história devido as conexões que ele tinha no departamento.

Com apenas quatro episódios, Jeffrey Epstein: Poder e Perversão causa ultraje imediato pela história apresentada e, principalmente, pelo o que foi causado às pessoas envolvidas. Diferente de “Gênio Diabólico” por exemplo, aqui o foco da produção não é um caso misterioso e mirabolante mas sim as marcas reais que crimes sexuais deixam nas vítimas. É bom reiterar o aviso apresentado pela produção de que sim, algumas pessoas podem ser mais afetadas do que outras pelo o que é mostrado.

O documentário também deixa no ar uma sensação incomoda sobre o quão próximo Epstein era de pessoas em posição de poder. Apresentando fortes evidências de que grandes nomes dos Estados Unidos ou eram próximos dele no âmbito privado ou já tiveram relações profissionais, para eventualmente essas mesmas pessoas afirmarem que nunca foram próximas dele ou mau o conheciam no período pós investigações.

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