Por João Victor Ferreira

“Lá no início / Em 1955 / O homem não conhecia o show de rock n’roll / E todo aquele ritmo (…) / Ninguém sabia o que eles iriam fazer / Mas Tchaikovsky tinha a notícia, e ele disse (…) / Faça-se o rock” (Let There Be Rock. AC/DC, 1977).

AC/DC já sabia dessa notícia também. Dia 13 de julho, o rock faz mais uma vez aniversário. Um ritmo característico da segunda metade do século XX e que mudou a música e o pensamento ocidental da época. A data que relembra o primeiro Live Aid, em 1985, não podia ficar de fora na comemoração dos diversos grupos que hoje compõe o estilo. É nesse ritmo de tentar agradar gregos e troianos, punks e virtuoses, que hoje listaremos 10 filmes que demonstrem, de alguma forma, o seu amor pelo gênero do Rock n’Roll.

Entre muitos fãs, alguns desses filmes podem soar como batidos e clichês. Esse, ainda assim, é o melhor momento de relembrar aquele filme que fez você gostar de bater cabeça no quarto, enquanto a sua mãe gritava para abaixar o volume, ou ainda descobrir novos títulos que de novo façam esses sentimentos aflorarem. O máximo de diversidade de gêneros e estilos foi o maior critério usado nessa lista, então prepare-se para ver autobiografias, comédias, romances e até musicais (como se isso fosse realmente contraditório).

Acho que uma menção inicial que dispensa muitos comentários é o recente Bohemian Rhapsody (Brian Singer, 2018), filme que conta a história da banda Queen e que deu a estatueta de melhor ator para o intérprete Rami Malek. O filme está aqui deslocado principalmente pela sua importância com o Dia do Rock, ao recriar inteiramente o show da banda no Live Aid de 1985. Por isso merece ser citado: pelo elemento nostálgico. Dito isso, vamos para os filmes…

OS FILMES DE COMÉDIA

Está aqui a categoria dos “filmes que você assistiu criança e passou a amar o Jack Black desde então”. Não há dúvida que o ator teve uma importância gigantesca em disseminar o rock n’ roll para uma nova geração que vive na ressaca do estilo. Pro verdadeiro fã, esse estímulo poderia vir com as bolachas empoeiradas do pai, ou pelo conhecimento geral mínimo de música. Ainda assim, é quase impossível para um jovem dos anos 2000 não ter empatizado com o estilo, depois desses filmes. Fica também na conta de Black, o talento de ter misturado tão bem a comédia com o rock.

Escola do Rock (Richard Linklater, 2003)

Depois de Dewey (Jack Black) ter sido expulso de sua banda, ele tenta a sorte sendo professor de música em uma escola particular. O que a diretora não imaginava é que ele, muito mais do que formar uma orquestra, pretendia formar uma banda de jovens roqueiros. Esse filme é o mais lúdico da lista. Ver criancinhas aprendendo a ter atitude e não aceitar cegamente as ordens dos adultos, em uma escola particular conservadora, é extremamente engraçado, e é dentro desse clima inusitado que vemos a construção do filme Escola de Rock.

A figura austera da diretora “linha dura” contrasta muito bem com o caos que Dewey pretende, mesmo sem demonstrar: o que torna tudo muito engraçado. Esse filme tem um clima de filme infantil que casa muito bem com a escolha de músicas icônicas, na trilha sonora. Da mesma forma que os alunos, de alguma forma, você está aprendendo o básico ali.

Tenacious D (Liam Lynch, 2006)

JB e KG (codinomes para os próprios Jack Black e Kyle Gass) formam uma banda, com a pretensão de ser a maior da história. Para isso, eles precisam achar a paleta do destino e assim partem em uma aventura. Esse filme tem o primeiro ponto positivo de ter formado a banda Tenacious D (que tocou no último Rock in Rio).

Da ficção para a realidade, essa é uma das (se não a melhor) comédias de rock. A trama é extremamente inusitada e despretensiosa, o que dá muito charme para o decorrer da trajetória que foca inteiramente na relação de amizade entre os dois personagens. Diversos chavões da vida de qualquer roqueiro viram piada no filme: a família religiosa que impede o filho de ouvir essa música, o dom satânico que explica as habilidades monstruosas do músico, até a famosa escorregadinha de guitarrista.

O filme ainda conta com a participação de figuras icônicas, como o vocalista Dio, que interpreta ele mesmo, e o astro Dave Grohl que faz o diabo, no fim do filme.

OS FILMES DE MUSICAL

Um dos gêneros mais clássicos da história do cinema americano (e mundial) não poderia ficar de fora de uma lista que conta com a maior semelhança que o tema do Rock tem com o cinema de musical: a importância da música em si. Seja em um estilo mais clássico de musical, característico da era de ouro hollywoodiana, ou a subversão mais recente que o gênero sofre, tal estilo tem mais do que a obrigação de constar aqui. É válido ressaltar que muitos filmes que falam sobre bandas ou música podem ser classificados formalmente dentro do gênero musical (até como uma estratégia de distribui-lo). O foco aqui são títulos que usam a música (ou no caso, o número musical) não somente como trilha sonora, mas como mecanismo dramático para fazer a história andar.

Across the Universe (Julie Taymor, 2007)

Jude (Jim Sturgess) é um jovem trabalhador britânico que parte para uma jornada nos Estados Unidos com o objetivo de encontrar seu pai. São nessas andanças pelo novo continente que ele encontra e se apaixona por Lucy (Evan Rachel Wood). Munidos pelas músicas dos The Beatles que estruturam a narrativa, Across the Universe conta essa história de amor que passa a ser ameaçada pelos conflitos ideológicos e sociais dos anos 1960.

Uma grande vantagem que o filme apresenta é o acervo gigantesco de músicas de uma das maiores bandas de todos os tempos. A inovação vem em um arranjo nunca antes visto, fazendo as músicas funcionarem em uma nova roupagem, mas mantendo o seu ritmo e a poesia das letras. Nesse caso, as letras fazem a história andar, fazem os dramas se intensificarem ou até fazem o clímax ser solucionado.

Mais inteligente do que apenas incluir as músicas dos The Beatles na trilha sonora, Across the Universe se destaca por fazer as músicas cantarem por si mesmas e com isso serem parte integral da trama. Destaques para os números que envolvem as músicas “Girl”, “Hey Jude” e “Helter Skelter”.

 Rock of Ages (Adam Shankman, 2012)

Na Hollywood dos anos 1980, Drew (Diego Boneta) é um jovem tímido que resolve ajudar a menina do interior Sherrie (Julianne Hough) que sonha em se tornar vocalista de uma banda de rock. Os dois buscam realizar os seus sonhos regados a sexo, drogas e Rock n’ Roll, enquanto trabalham na famosa casa de shows Bourbon.

Um musical da Broadway, já famoso desde 2005, Rock of Ages tem a sua transposição para o cinema, em 2012, nas mãos de Adam Shankman, diretor já acostumado com o gênero. Na versão cinematográfica, Boneta e Hough são protagonistas carismáticos para o público jovem.

Ainda assim, não restam dúvidas que Stacee Jaxx, personagem do carismático Tom Cruise, é quem rouba a cena em maior parte do filme, fazendo um astro de rock famoso. O grande charme da versão está nesse personagem que tem uma jornada de decadência profissional ao longo do filme, algo que, de certa forma, fica em primeiro plano em relação ao romance gerado entre os dois protagonistas.

Há aqui um fator relevante de ser considerado que é a inclusão mais integral do gênero de rock n’roll em um número musical, que não abre mão do estilo, acordes, atitude das músicas que são interpretadas. São exemplos clássicos como Paradise City, Pour Some Sugar on Me e Don’t Stop Believin. Mesmo com um final e uma trama um tanto previsível, Rock of Ages é uma boa mescla pra quem ama musicais e, mais ainda, é roqueiro na veia.

OS DRAMAS BIOGRÁFICOS

O Rock e a música como um todo, é um grande celeiro de ideias que podem gerar histórias e dramas biográficos, com as histórias trágicas e épicas de estrelas fonográficas. Esse estilo de filmes não poderia faltar aqui, com diversos exemplos icônicos de biografias que contam a história de uma banda, ou de um membro delas. O que faz uma biografia cinematográfica que envolve música ser única é a capacidade que a direção tem de te fazer ter uma experiência sensorial compatível com o que seria escutar aquela banda. Como são mídias diferentes, essa transição (ou tradução) pode se tornar cada vez mais complicadas. É por isso que os dois exemplos citados são pertinentes em perceber como um filme tem a capacidade de glamorizar o espaço artístico de uma banda de rock famosa, enquanto o outro faz justamente o trabalho de desglamourizar o mundo das estrelas tão reconhecidas. Ambas, à sua moda, são experiências sensoriais.

The Doors (Oliver Stone, 1991)

Jim (Val Kilmer) é um estudante de cinema da Califórnia dos anos 1960 que depois de algumas decepções artísticas forma, com alguns amigos, a banda The Doors. O filme trata principalmente da sua jornada trágica e glamorosa, até o momento de sua derradeira morte, em Paris, com 27 anos.

A estética de Oliver Stone casa de forma impressionante com o estilo de Morrison e da banda em si. O psicodelismo da direção em escolhas contrastantes de momentos do passado de Jim, com uma Califórnia libertária e hippie dos anos 1960 funciona muito bem para o entendimento histórico da época. Mais do que isso, essa afetação na direção rima com o estilo de Morrison como vocalista, ressaltando o seu lado de “artista não compreendido”, mas ainda assim um ser humano completamente instável. O resultado é uma experiência completamente sensorial que te faz quase entrar nas letras e poesias da banda, sem abrir mão de demonstrar o glamour que era ser uma estrela de rock, no final dos anos 1960.

O trabalho de Stone aqui merece ser destacado como uma das melhores adaptações pro cinema do sentimento e da sensação que as músicas da banda The Doors passam.

Last Days (Gus Van Sant, 2005)

Blake (Michael Pitt) é um cantor e guitarrista de uma banda de sucesso que deseja ficar livre das demandas e cobranças dos seus companheiros e produtores. Quando a sua depressão de agrava, ele passa a ter que lidar com os dilemas da sua solidão. Há uma alusão quase óbvia de que Blake é um codinome encontrado por Gus Van Sant para contar a história dos últimos dias de vida de Kurt Cobain, vocalista da banda Nirvana.

Sensorialmente tão poderoso quanto a obra de Oliver Stone, mas diametralmente antitético na forma, Last Days é uma jornada trágica de queda vertiginosa de uma estrela que não consegue mais achar o seu lugar no mundo e na vida. A beleza desse filme, por incrível que pareça, são os silêncios que vemos as ações inusitadas que Blake faz durante o seu isolamento em uma mansão que vive com os companheiros de banda. O filme é muito corajoso e surpreendente em usar de uma figura tão icônica, mas sem apelar em nenhum momento a sua obra.

Esse é um filme “sobre o Nirvana” sem nenhuma música da banda. Blake de vez em quando balbucia poemas e ritmos em suas andanças. A câmera é quase inteiramente estática e aberta, dando a sensação voyeurística de que assistimos aquilo quase como se fossemos testemunhas. O trabalho que o filme tem de desglamorizar o ambiente rock n’roll é extremamente válido, inclusive justificando o suicídio anunciado do protagonista no fim do filme

OS FILMES DE COMÉDIA ROMÂNTICA

Essa dupla de filmes entra no crivo das comédias românticas que envolvem, de alguma forma, o arquétipo do roqueiro. Da mesma forma que, em muitos filmes do gênero, conhecemos um arquétipo de jovem casal apaixonado, nesses dois casos a música faz parte da personalidade do protagonista e, mais que isso, o Rock valida o seu estilo de vida e uma atitude contra-cultura, por assim dizer. Inusitadamente, ambos os filmes se passam no Reino Unido, além de serem produções de orçamentos mais modestos, apresentando uma estética inovadora e podendo ser classificados como dramas independentes.

Sing Street (John Carney, 2015)

Conor (Ferdia Walsh-Peelo) é um jovem irlandês que vive em uma sociedade extremamente monótona e conservadora, dos anos 1980. Quando ele conhece Raphina (Lucy Bonton) seu mundo vira de cabeça pra baixo e ele se apaixona. Com a intenção de conquistar o seu coração, Conor se esforça para montar uma banda de rock, em um colégio católico. Sing Street, nome também da banda, é interessante por diversos pontos que perpassam a jornada do jovem roqueiro. Primeiramente, a vibe de pós-punk, misturada com um new wave americano contribui demais para o clima de inovação do rock n’roll dos anos 1980, algo que ajuda a contextualizar as escolhas estéticas do filme e, por consequência, nas escolhas estéticas dos meninos que formam a banda.

A rebeldia e quebra de padrões (algo que vem junto da postura roqueira) respalda o amor vivido entre os dois personagens principais que parecem não ter nada em comum e passam a fazer sentidos juntos. As inconsequências e improvisações acontecem tanto no âmbito musical, mostrando o processo criativo da banda, quanto nas ações de Conor com sua família e com Raphina. Ainda assim, o maior embate, que leva à reflexão de qualquer roqueiro ao longo da vida, é o futurismo/inovação versus a tradição/conservar. A figura do irmão de Conor se mostra importantíssima nessa questão ao mostrar que independente de Sing Street ser uma banda futurista, de nada adianta sem antes ouvir os clássicos de rock que vieram antes deles.

How to Talk to Girls at Parties (John Cameron Micthell, 2017)

Enn (Alex Sharp) é um rapaz tímido, apaixonado pela nova tendência do punk, na Londres de 1970. Certo dia ele conhece Zan (Elle Fanning), uma jovem alienígena que quer conhecer os hábitos terrestres. É ensinando o estilo de vida rebelde e contra cultura que Enn consegue construir essa relação inusitada.

How to Talk to Girls at Parties é talvez o filme mais inusitado dessa lista e, estranhamente, também o mais didático. O filme responde uma daquelas perguntas que você faz ao seu companheiro no bar: “se um alienígena caísse na Terra agora, como você explicaria o que é punk?”. A própria personagem no filme da Nicole Kidman representa toda a tradição punk que o filme constantemente chama. A Rainha Boadicea é o amálgama de tudo que é punk e isso inclusive a respalda para ver em Zan a oportunidade que nunca teve: a de fazer sucesso no meio que sempre amou. Ela empodera a jovem alienígena, fazendo uma crítica inclusive ao movimento que sempre usou as bandeiras de igualdade e liberdade para se respaldar, mesmo tendo uma representatividade ínfima de minorias.

No filme, nós somos os alienígenas e Enn explica passo a passo o que é punk para o grande público: música e estilo de vida. No final das contas, o amor honesto e libertário, a paixão desmedida e a luta contra as ordens vigentes, todos símbolos do movimento punk, estão contidas aqui no amor de Enn e Zan.

OS FILMES DE TERROR

Um espaço que não teria como não ser alçado aqui seriam os filmes de terror. Uma confluência que inclusive faz muito sentido tematicamente com o gênero do Rock n’ Roll. Stephen King contemporaneamente já dizia que o terror como gênero literário e cinematográfico se assemelhava com o movimento de contra cultura que o rock representava, principalmente nos anos 1960. Não poderia faltar e estão aqui dois exemplos de filmes que tem o rock presente em sua raiz, de forma que a música pode se tornar até ferramenta narrativa que gera o afeto do medo, da violência ou da escatologia.

Green Room (Jeremy Saulnier, 2015)

Pat (Anton Yelchin) é um dos integrantes de uma banda punk progressista americana que busca o sucesso com suas letras. Tudo muda quando eles são convidados a fazerem um show em um pub nos bosques do Oregon. O que eles não sabiam é que aquele lugar também é um antro de reunião de neonazistas que passam a ameaçar a vida dos integrantes da banda.

Green Room precisava entrar na lista por mostrar o lado punk do punk. O filme é basicamente divido em dois atos: uma jornada de descobrimento e maturação da banda, no início do filme (em um esquema parecido com um road movie), até o momento em que a banda vê um assassinato acontecer em uma sala de paredes verdes (que dá nome ao filme), deixando tudo mais intenso e violento. O filme, depois que ele vira de temática, passa a ser muito “direto ao ponto”: a questão aqui não é o suspense de quem vai morrer e quando, mas quase uma cadeia alimentar de sobrevivência. Patrick Stewart também está no filme e vive o líder venerado dessa organização violenta. No início se mostra bem compassivo e calmo com o fato da banda agora ser testemunha de um crime que aconteceu no seu pub. Depois de um tempo vemos que essa complacência é na verdade parte de uma psicopatia ainda maior.

O filme trabalha inclusive muito bem conceitualmente com o que foi o próprio movimento punk. Nas cinzas da “paz e amor” dos anos 1960, o punk surgia, nos anos 1970, em um tom agressivo e pessimista, cuspindo na cara da ideologia vigente. O que a banda de Pat não imaginava é que esse cuspe viria junto com sangue e dentes estraçalhados.

The Devil’s Candy (Sean Byrne, 2015)

O artista Ethan (Jesse Hellman) vive com a sua família na casa dos sonhos que acabaram de comprar. As coisas começam a ficar estranhas quando a aparição do ex-morador daquela casa, um guitarrista psicopata, que ameaça a vida dos que estão ali. O promissor diretor australiano de terror Sean Byrne, vem aqui com o seu segundo longa, depois do sucesso de The Loved Ones. The Devil’s Candy é uma homenagem ao horror com temas satanistas, algo recorrente no gênero cinematográfico, e sua relação com o heavy metal.

Tanto na filha de Ethan, uma apaixonada por rock que só deseja uma guitarra de aniversário, ao gosto musical do protagonista, à vocação do psicopata e à trilha sonora do filme, repleta de hinos famosos do rock pesado, esse filme não deixa de ser repleto do mais puro medo e escatologia que é ouvir heavy metal. O filme é uma mistura do subgênero de casa mal-assombrada, com o uso do vilão serial killer e uma atmosfera satanista. O que de fato salta aos olhos é a concepção estética roqueira do filme que é transpassada na própria arte de Ethan que é um artista visual. Conforme o filme progride, seus quadros vão ficando cada vez mais sombrios e opressivos, indicando os resultados derradeiros do decorrer do filme.

OS DOCUMENTÁRIOS

Algo que não poderia faltar para qualquer fã de música e de Rock são os famosos documentários. Todo mundo que começa a se interessar muito por um assunto vasto, como é a história do rock, acaba querendo mais e mais e, muitas vezes, os documentários nos ajudam a contextualizar e nos dar maiores noções sobre aquela banda que tanto amamos.

Em um ambiente tão vasto com produções que cobriram a história artística de praticamente toda a banda que pisou no mainstream, ficou cada vez mais difícil separar apenas dois. Ainda assim vale a pena conferir a visão que dois cineastas famosos têm do mundo da música, algo que os inspira constantemente em outras de suas produções. Seja em uma estética que acompanha a vida de uma banda em turnê, ou ainda no trabalho árduo de separar milhões de imagens de arquivo em um filme que permaneça coeso narrativamente, qualquer documentário de música já aquece o coração do fã. Estão aqui dois que se destacam.

Shine a Light (Martin Scorsese, 2008)

Shine a Light é um documentário dirigido pelo antológico Martin Scorsese que cobre um show da banda The Rolling Stones, em 2006. Com a presença de figuras icônicas (tanto na música, quanto na política), Scorsese demonstra o amor que tem pela banda, celebrando sua história, músicas mais clássicas e momentos célebres. A banda já tinha sido retratada anos atrás por outro cineasta de peso, no filme Sympath for the Devil, de 1968, dirigido por Jean-Luc Godard. Na antiga experiência, Godard queria entender muito mais o movimento de contra cultura ao acompanhar a gravação do hit da banda. 4º anos se passam e Scorsese, um apaixonado por The Rolling Stones, já tendo usado diversas de suas músicas em outros filmes, decide acompanhar, produzir e dirigir um show da banda. Uma proposta um tanto inusitada, na época, para a estética documental, se não fosse pelo talento de Martin.

O diretor permanece atento aos detalhes do backstage, filmando momentos sublimes de conversa da banda, da preparação antes do show, dando mais relevo aos personagens retratados. O diretor também tinha noção do quão maçante seria um documentário conter somente apresentações musicais, podendo parecer somente um show gravado. É aí que ele introduz diversas imagens de 1960 e 1970, quebrando o ritmo e traçando contextos importantes na história da banda. Um documentário de muito bom gosto, de um fã feito para fãs. Até o Bill Clinton chorou no filme!

Eight Days a Week (Ron Howard, 2016)

Em uma imensidão e documentários feitos sobre os The Beatles, Eight Days a Week se destaca por algumas razões. O documentário de Ron Howard decide focar no período que a banda viveu mais de 250 shows, entre 1963 e 1966, algo que ficou conhecido entre eles como “Os Anos de Tour”. O grande charme desse documentário são as imagens de arquivo inéditas que o diretor teve acesso para compor a sua narrativa. Desde fotos, vídeos e entrevistas nunca vistas, esse filme já ganha o interesse por conceder esse conteúdo exclusivo. Aliás, não só isso, a narrativa é muito bem conduzida e com muito foco, já que delimita esse período de shows e os impactos que a beatlemania teve nos países ocidentais que a banda passou.

Outro elemento que salta os olhos são as reconstruções em cores e alta resolução que o material base foi tratado. Ver alguns momentos icônicos para a história da banda, como a apresentação no programa do Ed Sullivan, em cores é algo que acrescenta mais uma camada ao documento imagético. Um documentário muito bem produzido, editado e roteirizado que consegue exprimir bem os impactos que os The Beatles trouxeram para a indústria fonográfica e para a cultura ocidental da segunda metade do século XX.

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