Projeções ao ar livre, mesas redondas, cursos e palestras estão na programação.

No mês de novembro, por ocasião do Dia da Consciência Negra, a programação do MAM Rio se estenderá até o dia 30 de novembro, com a proposta de debater questões raciais em forma de projeções de cinema, mesas redondas, cursos e palestras.

No Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, às 18h, será realizado o debate presencial “Expressão e Documentação da Cultura Negra Brasileira”, na área externa do museu, com participação do cineasta Jom Tob Azulay, do músico, percussionista e pesquisador Djalma Correa, da diretora artística do MAM, Keyna Eleison, e do diretor do Festival 1666, Rodrigo Sousa & Sousa. O debate antecede a exibição da versão digital restaurada em 4K do documentário “Os Doces Bárbaros”, às 19h.

Com capacidade para 50 pessoas (debate e projeção), cada assento será higienizado e posicionado com o devido distanciamento. Será a primeira sessão presencial e ao ar livre da Cinemateca, desde o início da pandemia. Os ingressos estarão disponíveis on-line, com contribuição sugerida e opção de gratuidade.

“O debate recupera a participação do cinema e da arte na criação de registros mais sistemáticos e diretos das manifestações socioculturais afro-brasileiras. Os filmes do Jom Tob, as gravações de Djalma e a interpretação de Macalé no filme ‘Amuleto de Ogum’ deram maior visibilidade à presença negra na sociedade brasileira, dentro de uma perspectiva que valorizava tanto a expressão quanto a constituição de acervos em torno das vivências cotidianas, religiosas e artísticas”, afirma o gerente da Cinemateca, Hernani Heffner.

“Os Doces Bárbaros” (1978), de  Jom Tob Azulay, é um registro da turnê que Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia e Caetano Veloso fizeram em 1976, em comemoração aos dez anos de suas carreiras. Jom Tob Azulay e Djalma Correa são pioneiros no registro da musicalidade popular, dos terreiros de candomblé e da medicina popular através das ervas, entre outros aspectos da cultura negra brasileira. Seus trabalhos e acervos são importante contribuição para a afirmação do negro na sociedade brasileira.

No dia seguinte, 21 de novembro, Gilberto Gil volta à tela da Cinemateca, novamente ao ar livre, com a exibição de “Corações a mil”, documentário de Jom Tob Azulay, que acompanha um tour de apresentações do músico e compositor. Primeiro filme brasileiro realizado com som Dolby Stereo, a produção tem a participação de Regina Casé, interpretando a personagem ficcional de uma supertiete.

“A Cinemateca é um dos acervos do MAM Rio mais acessados no Brasil. Entendemos que precisamos trazer essa programação a público e, dentro do contexto pandêmico, nada mais consciente do que trazer a programação ao ar livre e integrada à importância desta data”, afirma Eleison, diretora artística do museu.

No dia 21, às 16h, será lançado o ciclo de falas públicas do Programa MAM | Capacete de residências artísticas e pesquisas, com fala da cientista social e pesquisadora Elô Nunes em diálogo com a diretora artística do Programa MAM | Capacete, Camilla Rocha Campos. A atividade será realizada presencialmente para 30 pessoas, com lugares higienizados e posicionados com o devido distanciamento. Os ingressos estarão disponíveis on-line, com contribuição sugerida e opção de gratuidade.

Intitulado “Próximas de Nós”, este ciclo de conversas abordará temáticas trazidas pelos residentes e pesquisadores que fazem parte do programa iniciado em setembro, apresentando ao público linhas de pensamento conectadas com algumas dinâmicas da arte contemporânea e além. Estão em pauta a relação da arte, a partir da cidade do Rio de Janeiro, e suas dinâmicas de território, conflitos socioambientais, etnografias visuais, antropologia das imagens e a relação entre história da arte e a sociedade civil.

Elô Nunes tem uma trajetória militante e profissional, que busca em seu território investigar práticas por meio de construções coletivas com mulheres, o que inclui a valorização das narrativas e o retorno às práticas ancestrais. Ela participa do Coletivo Mulheres de Pedra, que privilegia a autoria e protagonismo de mulheres negras no oeste da cidade do Rio de Janeiro.

 Já no dia 23 de novembro, das 19h às 21h, a área de Educação e Participação do MAM Rio inicia o segundo curso para educadores dessa primavera, pela plataforma Zoom para até 95 participantes. Inscrições pelo link: https://bit.ly/mamrio-curso-novembro

Além disso, no mês da Consciência Negra, artistas, pesquisadores e educadores dialogam acerca das questões: É possível descolonizar o currículo, a partir de práticas e olhares negros? Como instaurar questionamentos e ações que apresentam a perspectiva negra como base epistemológica para a arte e a educação?

As aulas, aliás, serão ministradas por Wanderson Flor do Nascimento, professor de Filosofia da Universidade de Brasília; Andreza Jorge, artista, ativista e professora do Departamento de Arte Corporal da UFRJ; e Tiago Sant’Anna, artista visual, curador e doutorando em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia.

Por fim, o MAM Rio ainda oferece programa “MAM para educadores” oferece cursos que abordam a transversalidade das áreas de educação, arte e cultura, a partir das coleções, exposições e acervos do MAM. O intuito é estreitar os laços entre o museu e a escola, e colaborar com a formação continuada dos profissionais da educação.

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