Filme foi exibido na Mostra Internacional de Cinema, em São Paulo e no Festival do Rio.

O documentário Encarcerados apresenta o universo do sistema penitenciário pela ótica dos carcereiros. Agora não mais pelo viés da ficção, mas no dia a dia, no cotidiano, e exibe a vida desses homens que estão na “linha de frente” para a efetivação penal nas unidades prisionais. Aliás, segundo o codiretor Pedro Bial, os livros escritos por Dráuzio Varella foram o território fértil onde nós plantamos as sementes desses produtos audiovisual.

Apresentado de forma documental, cuja direção conta também com os diretores Fernando Grostein Andrade e Claudia Calabi, Encarcerados, foi apresentado por coletiva de imprensa realizada na última semana. Além disso, Dráuzio Varella não hesitou em falar quando questionado sobre o trabalho desenvolvido pelos três profissionais.

“Quem me falou primeiro do projeto foi o Pedro Bial. Ele e eu temos, certamente, uma longa convivência, ele veio com essa ideia de que o meu livro daria um documentário interessante. Nessa época o Fernando estava fazendo um trabalho numa cadeia de Guarulhos, eu achei que os dois iam se entender. E, de fato, se entenderam muito bem, tanto que chamaram a Claudia para dar a contribuição da pesquisa. Acho que, surpreendentemente, foi uma comunhão muito feliz, pois eles conseguiram fazer um documentário muito forte”, explicou.

É dessa forma que o projeto saiu do campo das ideias e tomou forma junto com outros envolvidos como Caio Gullane e Andreia Giusti, da Spray e Gullane, ambos à frente da produção e distribuição; em coprodução com Globo Filmes e GloboNews. Para eles, os desafios perpassaram pela responsabilidade de captação de material inédito filmado em oito penitenciárias de São Paulo, além do cuidado com a segurança dos profissionais que participaram.

“Sempre zelamos pela segurança física e mental dos personagens do filme, como também da nossa equipe. Nós nos preocupamos muito em preservar a imagem e respeitar os códigos de ética estabelecidos através do árduo trabalho dos carcereiros com os presidiários. Não queríamos expô-los a nenhum risco, tanto no âmbito profissional como perante as suas famílias. Acredito que esse tenha sido nosso maior desafio”, contou Andreia.

Carregando um tema que ainda é difícil de ser debatido, o documentário se propõe a dar visibilidade para esses profissionais que convivem diariamente com um sistema conhecido por ser deficitário em muitos aspectos. O encarceramento em massa, certamente, ainda está longe de ter políticas prisionais focadas na solução do problema, mas, que a cada dia, continua com expansivo crescimento da população prisional. Sobre isso, a diretora Andreia Calabi ainda reforçou que, neste sentido, o documentário pode contribuir para uma melhoria do sistema prisional.

“O contexto penitenciário é muito imaginado e cheio de conceitos equivocados. O filme joga luz sobre este profissional ao expor as forças e fragilidades dos carcereiros, além de expor também o sistema penitenciário. Humanizar carcereiros e encarcerados é algo muito presente no livro do Drauzio e, certamente, presente no olhar dos três diretores, cada um à sua maneira”, confidenciou Andreia.

O esforço para produzir um retrato fiel do que se passa com esses profissionais é resultado de uma pesquisa de longa data feita pelos diretores, que provoca a reflexão e autocrítica na sociedade através de histórias de pessoas comuns, mas que trabalha duro para manter a ordem num ambiente, nem sempre, organizada. Por isso, entrar neste universo é por si só ousado e fundamental.

Ainda sobre como a obra pode auxiliar na transformação positiva do sistema prisional, Dráuzio é enfático, “Quando eu comecei este trabalho nas cadeias o Brasil tinha cerca de 90 mil presos. Hoje, esse número passa de 700 mil. Nós aumentamos oito vezes esse volume e a violência aumentou nos últimos 30 anos. Imaginar que um documentário vai mudar a realidade de um sistema prisional é um sonho. Eu acho que o grande mérito de um projeto como esse é trazer a realidade para conhecimento público, para que as pessoas saibam que esse mundo existe e que é importante que exista a consciência a respeito dele”, concluiu.

Gravado antes da pandemia, Encarcerados só será lançado ao público, agora, dois anos depois, nos cinemas, no dia 26 de agosto. O documentário que já foi exibido na Mostra Internacional de Cinema, em São Paulo, e no Festival do Rio.

 

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here