Elephants
Foto: Luis Soria

Com linguagem híbrida, “Elephants” mistura cinema e teatro com o recurso de chroma Key, o espetáculo pode ser conferido gratuitamente no YouTube. Peça aborda temas como solidão, depressão, fracasso e suicídio

 Adaptado da obra “Sobre Elefantes e Coelhos”, de René Piazentin,  “Elephants” aborda o encontro entre um corretor de imóveis e uma excêntrica tatuadora, que carregam a dor do fracasso, mas que externalizam e lidam com ela de maneiras diferentes. Em paralelo as amarguras das personagens centrais, acontece uma espécie de epidemia de suicídio, onde as pessoas sobem nos prédios e ao se jogarem desaparecem. Toda essa movimentação é vivenciada pela misteriosa Mulher da Long Neck, que começa a se relacionar de forma enigmática com as personagens da peça.

De acordo com o autor, René Piazentin, o tema principal não é o suicídio, ele é o pano de fundo para mostrar como pessoas diferentes lidam com o tema sofrimento psicológico, depressão, e como o encontro das duas personagens centrais afeta a maneira de lidar com o próprio sofrimento e com o do outro.

Segundo Nelson Baskerville, a peça vem, certamente, a calhar com o que a humanidade vive hoje com a pandemia da Covid-19, e com o isolamento que vivemos por mais de um ano. ” “Elephants” fala da solidão, de pessoas solitárias que vagam pelas grandes cidades sem se relacionar com o outro. A pandemia trouxe essa solidão para todos nós, ela nos deixou sozinhos em casa, isolou cada um no seu canto. Muitos não tinham com quem conversar e começaram a falar sozinhos ou com suas plantas e animais”, exemplifica o diretor.

Devido a pandemia da Covid-19, o espetáculo foi transformado em um cine-teatro, uma mistura de linguagens do teatro com o audiovisual. “Elephants” é um projeto idealizado por Miniquelli e Mafra, que acabou se transformando em uma Graphic Novel brasileira, uma linguagem ainda pouco usada no audiovisual brasileiro.

 Todo o processo, entre ensaios on-line, filmagem e montagem gráfica levou nove meses. “Quando surgiu a ideia de trazer um cenário virtual na fase mais complicada da pandemia, fui pego de surpresa, mas o trabalho do André trouxe uma provocação completamente nova para mim, Carol e Danna. É incrível me ver transformado em personagem de quadrinhos e mais: ver a melancolia do texto do René dialogando tão bem com isso e com o momento que vivíamos”, ressalta o ator, Danilo Miniquelli.

Ele completa, “É muito maluco pensar que praticamente não nos relacionamos, que ensaiamos uma grande parte do processo sem nos vermos, nos tocarmos, sem sentir o respiro do outro. Foi uma sacada genial do Nelson, que com a inventividade da Telumi, do Daniel, do Dan Maia, além do próprio André, obviamente, trouxe um resultado poético, profundo e excêntrico, como sempre li o texto do Renê”.

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