Projeto traça um perfil revelador sobre Sganzerla.

“Eu daria todos os filmes que fiz, toda a minha carreira, para poder saber porque é que eu me interessei por cinema desde a primeira infância”, declara Sganzerla no depoimento ao MIS. Talvez Sganzerla tenha vivido sem encontrar tal resposta. Ao homenageá-lo, a série “Cadernos de Cinema” expõe a grandeza daquele que é um dos realizadores do cinema moderno feito no Brasil. Com vocês, Rogério Sganzerla!

“Cadernos de Cinema” é uma coleção de livros mensal em homenagem a cineastas brasileiros clássicos e contemporâneos. A coleção é  por assinatura, o que permite a constituição de uma bibliografia qualificada sobre o cinema nacional. A relação de Rogério Sganzerla (1946-2004) com o cinema era apaixonada e visceral, aliás, começou cedo. Muito jovem, assinou ensaios sobre a sétima arte. O pulo para a direção acontece em 1966, com o curta “Documentário” e, nos anos seguintes, dois longas o colocariam no panteão de nossos grandes cineastas: “O Bandido da Luz Vermelha” e “A mulher de todos”, lançados, respectivamente, em 1968 e 1969.

Tropicalista, marginal, underground, experimental são adjetivos que não definiram o realizador que ele foi. Rogério Sganzerla é um artista impar. A “Cadernos de Cinema” dedica o segundo número da sua coleção de livros que também serão publicados também em Portugal. Além disso, posteriormente o projeto será traduzido para espanhol e inglês e editados em diferentes países.

A edição dedicada a Sganzerla é estruturada em três partes. “Depoimento” é a primeira delas e traz uma entrevista com o homenageado. A segunda seção é o ensaio “Ver com olhos livres”, no qual a filmografia do diretor é minuciosamente analisada desde de 1966 à  sua última obra.

A terceira, e última parte, traz um índice da filmografia do homenageado, entre longas, curtas e médias metragens. O volume traz cerca de 80 imagens do diretor e de seus filmes, muitas delas raras e inéditas.

Após O Bandido da Luz Vermelha, Sganzerla planejava realizar um musical que teria Gilberto Gil como protagonista. Porém a prisão do compositor, em fins dos anos 60, forçou-o a mudar de planos, levando-o a realizar “A mulher de todos”. Essa é uma das muitas revelações do diretor no depoimento que abre o volume. A entrevista e o ensaio complementam-se e, juntos, traçam um perfil revelador sobre Sganzerla. O que é trazido por um é complementado pelo outro – e vice-versa.

Além disso, o ensaio de Cohn é uma peça-chave para conhecer o temperamento de Sganzerla. Ele reproduz escritos do diretor como a íntegra do “Manifesto Fora da Lei, criado por ocasião do lançamento de O Bandido da Luz Vermelha, além de reproduz trechos de entrevistas contundentes como a concedida pelo cineasta e pela atriz Helena Ignez.

Seu rompimento com o Cinema Novo é abordado (por não querer estar amarrado a nenhuma corrente estética), sobre a rejeição à pecha de Maldito e sobre as realizações da Belair, produtora na qual Sganzerla e Júlio Bressane foram sócios.

Esse rico olhar sobre Sganzerla é complementado ainda por depoimentos de nomes que trabalharam ou que conviveram com ele como Jorge Maltner, ator em “Carnaval na lama”,  e Caetano Veloso que incorporou a expressão “Sem essa, Aranha” (título de um dos filmes do diretor) na canção “Qualquer coisa”, lançada em 1975.

“Cadernos de Cinema – Rogério Sganzerla” será lançado dia 19 de fevereiro, sábado, às 19 horas, no Estação NET.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here