Djamila Ribeiro dará voz ao livro “Clara dos Anjos”.

Em comemoração ao centenário da morte do jornalista e escritor Lima Barreto, acaba de ser lançado o projeto “Espalhe Lima Barreto”. A iniciativa destaca o legado do autor por meio de vídeos, artes e textos em formato bilíngue e de livre acesso. Idealizado por Lilia Schwarcz, o projeto tem apoio do Princeton Institute for International and Regional Studies (PIIRS).

Entre fevereiro e novembro (mês que marca os 100 anos da morte do autor), vídeos inéditos serão lançados no site do projeto , com personalidades negras declamando trechos da obra do autor. A primeira é Djamila Ribeiro, filósofa e escritora, que dá voz a excertos do livro “Clara dos Anjos”.

Estão nos planos, além dos vídeos, disponibilizar pinturas e ilustrações de artistas diversos inspiradas no escritor e textos completos em formato e-book. Embora Lima Barreto esteja entre os mais importantes escritores brasileiros, sua obra ainda preserva muitos potenciais a serem explorados e reconhecidos, inclusive no exterior. É por isso que o projeto se propõe a divulgar em português e inglês uma obra que, durante muito tempo, ficou fora do cânone literário e do modernismo. Aliás, a escolha do mês de lançamento do projeto, fevereiro de 2022, busca justamente enegrecer o debate em torno da arte modernista em meio às celebrações do centenário da Semana de Arte Moderna de 1922.

“Esse projeto ilumina o legado de um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, cuja obra foi silenciada pelo racismo e permanece atual frente aos dilemas contemporâneos. Ao longo do mutirão Espalhe Lima, nos tornamos uma única equipe e já estamos nos mobilizando para novas colaborações”, explica Guilherme Fagundes, antropólogo e representante do Brazil Lab.

Newman Costa, Diretor de Audiovisual da Baioque, explica que o movimento “Espalhe Lima” será uma oportunidade de reconhecer a vida e obra de Lima Barreto, mas também lançar nas redes conteúdo de impacto social, pilar caro à empresa.

“Trazer sua obra, além de ampliar acesso a um conteúdo cultural riquíssimo, levanta uma provocação para que a sociedade reflita sobre questões como a exclusão social e o racismo. Já temos o exemplo do embranquecimento de Machado de Assis, contra o qual até hoje precisamos lutar, e o pequeno espaço dedicado a Lima dá continuidade ao apagamento da produção negra no Brasil. Para nós, este trabalho é uma homenagem, mas também uma luta”, conclui.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here