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Portugal é o homenageado em concerto da Série Mundo, da Orquestra Sinfônica Brasileira

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A Orquestra Sinfônica Brasileira celebra a música portuguesa em concerto da Série Mundo no palco da Sala Cecília Meireles. O maestro Javier Logioia fica à frente da orquestra, que conta ainda com a participação especial da soprano portuguesa Carla Caramujo. No repertório, obras de Mário Tavares, Ronaldo Miranda, Alexandre Delgado e Joly Braga Santos.

Foi ao lado da OSB que Mário Tavares estreou a Abertura folclórica, em 1958, uma de suas mais emblemáticas composições de caráter nacionalista. A obra, que pode ser apresentada com ou sem a presença de um coro, impressiona não menos pelo seu apelo lírico do que pelo vigor que incendeia algumas páginas, como o ritmado gesto inicial, apresentado em uníssono pelas cordas. A fluência absoluta do idioma musical de Tavares se faz sentir ao longo de toda a abertura, que navega entre os temas de forma espontânea, quase rapsódica. Ronaldo Miranda, segundo compositor do programa, começou oficialmente a carreira de compositor em 1977, quando recebeu o 1º Prêmio no Concurso de Composição para a II Bienal de Música Brasileira Contemporânea. Anos antes, no entanto, ele já havia elaborado aquela que viria a se tornar uma das suas obras mais admiradas: Cantares. A gênese da canção remonta a 1969, quando Miranda, ainda estudante de composição, inscreveu a canção, com texto de Walter Mariani, em um concurso de música popular. Embora não tenha sido selecionada, ela ressurgiria em 1984, em uma nova versão que a tornaria uma das obras mais executadas do compositor. A peça existe em versão para voz e piano, em outra para voz, cravo, flauta e viola da gamba, mas é em uma terceira encarnação que ela chega a este concerto, arranjada para voz e orquestra de cordas. Encerrando a tríade brasileira, será ouvida uma das árias mais queridas do repertório nacional para soprano, a comovente “C’era una volta un principe”, da ópera Il Guarany, de Carlos Gomes. A ópera estreou em Milão em 1870, e embora escrita em italiano, trata de um assunto genuinamente nacional, inspirado no romance homônimo de José de Alencar. A ária aqui ouvida pertence ao segundo ato, no qual, em um momento de recolhimento, a protagonista Ceci toma o violão e canta uma espécie de canção de ninar.

Foi na figura de Santa Isabel de Portugal que o compositor português Alexandre Delgado foi buscar inspiração para escrever a obra que será ouvida na sequência: Vida e Milagres de Dona Isabel. A ela são atribuídas inúmeras graças, a maior parte delas apócrifas, incluindo o célebre milagre das rosas (tradicionalmente associado a Santa Isabel da Hungria, sua tia-avó), mas a inteligência e a abnegação da filha de Dom Pedro III de Aragão e esposa de Dom Dinis encantam por si mesmas, conforme se percebe na mais antiga narrativa sobre a sua vida, escrita no século XIV. Para este ciclo para soprano e orquestra, dividido em cinco breves quadros que vão do nascimento à morte da rainha, Delgado valeu-se de excertos da narrativa medieval reconstituída por J. J. Nunes, adaptando-os em verso para evocar o lado mais humano da santa. Composta em 2019 por encomenda da Orquestra Clássica do Centro, a obra teve sua estreia absoluta naquele ano com a mesma solista desta noite, a soprano Carla Caramujo.

Um dos sinfonistas mais importantes da tradição portuguesa, Joly Braga Santos é quem assina a última obra do programa. Professor de Alexandre Delgado e aluno de Luís de Freitas Branco, outro grande mestre lusitano do gênero, Braga Santos é daqueles criadores que bem ancoram a sua linguagem musical em uma clara visão estrutural, sem, no entanto, eximi-la de força dramática e expressividade. De suas seis sinfonias, as quatro primeiras foram escritas quando ele tinha entre 22 e 27 anos e foram recebidas com enorme entusiasmo por ocasião da estreia. A Terceira, gesto final deste programa, é dedicada ao seu grande mestre e apresenta ao ouvinte de imediato o seu arcabouço expressivo-estrutural. 

SERVIÇO: Dia 22 de junho (segunda-feira), às 19h / Dia 23 de junho (terça-feira), às 19h

Local: Sala Cecília Meireles (Rua da Lapa, 47 –  Lapa, Rio de Janeiro – RJ)

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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