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Cidade de Deus: Tudo que você precisa saber sobre a 2ª temporada

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Em coletiva da 2ª temporada de “Cidade de Deus: A Luta Não Para”, elenco e direção detalham a virada da trama para o thriller político, o retorno de personagens históricos e a expansão das milícias.

A 2ª temporada de “Cidade de Deus: A Luta Não Para” chega às telas no dia 8 de novembro, com exibição no canal HBO e no catálogo da HBO Max. Em coletiva de imprensa com transmissão global, elenco e equipe criativa anteciparam os rumos da produção, que desenvolve as tramas abertas no primeiro ano e desloca seus embates para o terreno institucional do Rio de Janeiro.

O que esperar da 2ª temporada de “Cidade de Deus: A Luta Não Para”?

A 1ª temporada de “Cidade de Deus: A Luta Não Para” estabeleceu um salto temporal significativo em relação ao longa de 2002, ambientando a narrativa em meados dos anos 2000 para acompanhar as transformações da comunidade. Se no filme clássico o confronto armado se concentrava nas esquinas entre Zé Pequeno e Mané Galinha, a nova temporada mostra que a disputa alcançou os escalões mais altos do poder. A série preserva os tiroteios e a correria nas vielas, mas transforma os conflitos locais em reflexo direto de decisões tomadas a portas fechadas, onde a violência de rua vira moeda de troca entre a expansão das milícias e os acordos com o poder público.

No centro desse turbilhão, Buscapé (Alexandre Rodrigues) segue como a lente e a consciência moral da narrativa. Agora um repórter fotográfico experiente, o protagonista enfrenta dilemas éticos cada vez mais complexos ao registrar a rotina do território, dividindo-se entre a cobertura do jornalismo diário e o perigo iminente de documentar as engrenagens que conectam as vielas aos gabinetes do Estado. Na coletiva, o ator destacou que seu personagem amadureceu junto com a própria história, deixando para trás a postura do jovem que apenas tentava sobreviver para se consolidar como um profissional consciente do impacto de suas imagens em meio à disputa pelo poder.

Das vielas aos gabinetes: a dinâmica do thriller político

Sobre essa virada de tom para a política, o diretor-geral Aly Muritiba (“Cangaço Novo”) explicou que a nova temporada abre as portas dos gabinetes para mostrar as raízes da violência urbana. Segundo o cineasta, a intenção da sala de roteiro foi conectar as ações nas ruas às decisões institucionais tomadas no asfalto:

“A gente começa a compreender como aquilo que acontece no microcosmo da comunidade é muitas vezes reflexo do que está sendo tramado nos gabinetes. Acho que a gente tem uma série que continua pertencendo ao gênero ‘favela movie’, mas temos agora um thriller político muito forte, graças principalmente à personagem da Berenice.”

Os personagens e as disputas de poder

Essa nova dinâmica se reflete diretamente nas disputas institucionais da trama, que ganham contornos mais perigosos com a entrada de grupos paramilitares nos corredores da política carioca.

Berenice (Roberta Rodrigues) e a resistência na política

A personagem Berenice, vivida por Roberta Rodrigues (“Verônika com K”), funciona como o centro dessa transição para o universo público. Disputando o cargo de vereadora, ela precisa atuar em um ambiente dominado por interesses hostis, deparando-se com o avanço do poder paralelo.

Roberta Rodrigues comentou as pressões que cercam a trajetória da personagem: “Começa que ela é uma mulher preta naquele lugar. A gente já sabe qual é a realidade das mulheres pretas na política. A Berenice é uma resistência, e ela vai ter que entender que precisa ser política, literalmente, para conseguir resolver o que tanto deseja. A luta não para.”

Cinthia (Sabrina Rosa) como base da comunidade

Enquanto Berenice avança para os palanques, Cinthia, vivida por Sabrina Rosa (“Filhos do Carnaval”), comanda o centro comunitário e encara de perto a dor das famílias da favela. Na coletiva, a atriz definiu o papel como um símbolo de resistência cotidiana:

“A Cinthia na segunda temporada é mãe, uma mãe muito forte que vê os filhos sendo engolidos por essa violência. O valor da arte é colocar a lente nessas importâncias, nas lutas fervorosas dessas mulheres que são a base da família e da comunidade.”

O contraponto de Jerusa (Andreia Horta)

Do outro lado dessa arena, o contraponto direto à atuação comunitária surge com Jerusa, vivida por Andreia Horta (Elis). Operando nas sombras, a personagem funciona como o elo entre o crime organizado, os paramilitares e os gabinetes oficiais. Diante das escolhas da figura na nova temporada, a atriz ressaltou o choque entre ambição individual e o bem comum:

“A Jerusa representa tudo o que eu acho que a gente tem que combater como sociedade: a violência como forma de comunicação e de poder. Ela está ligada ao crime organizado, às milícias, absolutamente conectada com um interesse pessoal frente a um grupo unido, lutando por interesses coletivos através da política”, disse Andreia.

A corrupção de Cabeção (Kiko Marques)

Em paralelo, a ascensão de Reginaldo Cabeção à chefia da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro coloca no topo do poder uma figura que prospera nas brechas da corrupção, transformando o aparato policial em ferramenta de barganha. Apresentado no primeiro ano da série, o personagem ganha contornos mais sombrios. Em seu relato na coletiva, Kiko Marques (7 Prisioneiros) destacou o incômodo diante dessa trajetória:

“Na segunda temporada, ele alcança esse status sensacional de se transformar no Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro. É extraordinário do ponto de vista social da gente olhar e falar: olha o que somos, olha o país que somos. Esse personagem se alimenta do crime sendo que está fora dele, quando o papel dele seria nos proteger.”

O retorno de Sandro Cenoura na nova temporada

Além dos embates institucionais, a volta de Sandro Cenoura resgata laços diretos com o clássico de 2002. Ausente no primeiro ano da série, o personagem reaparece na trama após cumprir sua pena de prisão decorrente da guerra contra Zé Pequeno. Matheus Nachtergaele (O Auto da Compadecida) mencionou que voltar ao papel significa revisitar um estado de espírito construído no início de sua trajetória, acompanhando as transformações do país e do próprio cinema nacional ao longo dos anos.

Na trama da 2ª temporada, Cenoura tenta manter distância do crime, mas atende a apelos de moradores para retornar ao território com a missão de mediar atritos e frear a conduta inconsequente de jovens armados que assumiram o comando do tráfico local:

“Cenoura vive na criminalidade, mas ele é o detentor de alguma ética. Não se faz dele um herói, nem se fez dele um herói na época do primeiro filme. Ele é um cara envolvido com o crime, mas que tem um código. Ele tentou sair dessa vida, cumpriu pena e é trazido de volta por motivos afetivos.”

Tudo sobre a 2ª temporada de “Cidade de Deus: A Luta Não Para”

Quando estreia e onde assistir à 2ª temporada de “Cidade de Deus: A Luta Não Para”?

A 2ª temporada de “Cidade de Deus: A Luta Não Para” estreia no dia 8 de novembro. A produção conta com seis episódios lançados semanalmente, exibidos aos domingos na grade linear do canal por assinatura HBO e disponibilizados simultaneamente para reprodução no streaming HBO Max.

Quais atores do filme original retornam na 2ª temporada?

A produção mantém nomes históricos do longa de 2002 no elenco principal: Alexandre Rodrigues (Buscapé), Roberta Rodrigues (Berenice), Sabrina Rosa (Cinthia) e Edson Oliveira (Barbantinho). O segundo ano marca também a volta de Matheus Nachtergaele no papel de Sandro Cenoura.

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