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Idiotas: Macon Blair leva as telas uma road trip incendiária

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Macon Blair é um grande ator que surgiu de uma parceria com o diretor Jeremy Saulnier. Juntos, eles estavam juntos em Blue Ruin, belo drama extremamente independente estadunidense de 13 anos atrás, e logo depois chamaram atenção em Green Room, igualmente independente mas ligado ao horror, o que fez a popularidade de ambos aumentar. Em 2017, ele estreia como diretor em Já Não me Sinto em Casa Nesse Mundo e ganha a competição de Sundance, conversando de maneira muito aberta com a independência do cinema. Depois de estar no gigantesco elenco de Oppenheimer, Blair volta às origens em seu novo trabalho atrás das câmeras: não podemos dizer que Idiotas seja o filme que se espera, a partir de sinopse, trailer e imaginação. 

Mark e Davis acabam de se conhecer em um péssimo emprego: eles levam para a internação adolescentes problemáticos cujas famílias despacharam para clínicas de reabilitação. O que eles não sabiam era que em seu primeiro trabalho juntos, iam “enfrentar” Sheridan Kimberley, o herdeiro de uma fortuna que só parecia um rapaz depressivo. Na verdade, trata-se de um furacão devastador cujas passagens policiais se avolumam, e por motivos bastante torpes. A partir dessa premissa de teor já conhecido, Idiotas percorre um caminho perigoso, onde sua apresentação acaba sendo o ponto mais baixo do filme, que realiza uma narrativa bem menos sossegada, ou confortável. 

Quando digo a respeito da coragem de Idiotas, me refiro a um desenvolvimento cheio de risco quando gestualmente o filme poderia estar mais sossegado. O trabalho da montagem, por exemplo, que especialmente permitiu isso ao ritmo da produção. Idiotas abre sua demanda de uma forma conhecida, apresentando tais personagens, tanto protagonistas quanto o reconhecido coadjuvante-chave, e mostrando que o humor tem um cadenciamento próprio. Após uma zona de risos conhecidos em ideias mais esperadas, o filme vai gradativamente abandonando o que é seu espaço de conforto, não para simplesmente inovar sua narrativa, não é isso. O filme se distancia de um material mais reconhecível, e com isso, sua previsibilidade é posta à prova. 

A partir de então, tudo é ressignificado, como a própria atuação coletiva de seus atores. Dave Franco  (Vizinhos) é um ator naturalmente divertido, não parecia exatamente inspirado desde sua primeira aparição, com movimentações seguras em cena; quando percebemos, o ator perdeu a rede de proteção e adquire um olhar mais inusitado. O mesmo pode ser dito de O’Shea Jackson Jr. (de Straight Outta Compton), que também desvia sua rota de intenções para perder sua performance cheia de cálculos, incluindo uma insegurança dramática no lugar de destaque. Mas é Mason Thames quem, uma vez mais, prova que não pode ser ignorado; o jovem protagonista de O Telefone Preto, que nos apavora desde lá, aqui mostra uma linha cinzenta de atuação, carregada de possibilidades desconcertantes. 

A entrada em cena de coadjuvantes bastante fora da casinha também amplia os horizontes do filme, desde a discreta passagem do diretor do filme até a dupla formada por Kiernan Shipka (de Twisters) e Lynn Wanlass, chegando ao conceito arriscadíssimo trio Peter Dinklage, Melanie Loren e Nicholas Braun. Talvez resida nessa aparição, que é apresentada de uma forma óbvia para ser desconstruída, que Idiotas apresente ir além do seu potencial até ali. Nada disso é colorido de uma maneira a mudar os padrões que o filme apresentava até então, tornando essas definições mais orgânicas esteticamente, e seus resultados mais sutis, embora perceptíveis. 

Blair, enquanto autor, é o principal responsável por essa natureza toma forma de uma maneira silenciosa, para então Idiotas encontrar seu rumo verdadeiramente autoral. Ainda que essa chave esteja em lugar explícito, o filme tem a segurança de movimentar tais peças tão discretamente, que o combo da produção é vendido dentro de um aspecto orgânico, transformando toda a obra. Sua trajetória segue olhando para uma classe de trabalhadores desvalidos da América, para amplificar sua voz para todos os desgarrados de um país que parece naufragar em sua fúria, até perder a identidade. É uma espécie de selvageria controlada, exatamente como toda a nação parece se deslocar; a barbárie de boutique, onde todos podem pirar, até certo ponto. 

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