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	<title>Evelyn Blaut-Fernandes, Autor em Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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	<title>Evelyn Blaut-Fernandes, Autor em Rota Cult</title>
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		<title>Shame uma perturbadora aposta de Steve McQueen protagonizada por Michael Fassbender</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Evelyn Blaut-Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Feb 2017 11:30:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[#DicaNetFlix]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Centrado nas fragilidades de um homem, Vergonha acompanha alguns dias de um viciado em sexo. Alguns podem considerá-lo um escândalo porque a sexualidade, o consumo e a angústia são explorados com poucos pudores e reservas. Mas, na verdade, ele tenta tratar com naturalidade alguns dos sintomas do mundo moderno. Não deixa de ser, contudo, uma [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-20012 alignleft" src="http://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2017/02/shame-211x300.jpg" alt="shame" width="211" height="300" srcset="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2017/02/shame-211x300.jpg 211w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2017/02/shame-296x420.jpg 296w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2017/02/shame.jpg 352w" sizes="(max-width: 211px) 100vw, 211px" />Centrado nas fragilidades de um homem, <em>Vergonha</em> acompanha alguns dias de um viciado em sexo. Alguns podem considerá-lo um escândalo porque a sexualidade, o consumo e a angústia são explorados com poucos pudores e reservas. Mas, na verdade, ele tenta tratar com naturalidade alguns dos sintomas do mundo moderno. Não deixa de ser, contudo, uma perturbadora aposta de Steve McQueen protagonizada por Michael Fassbender.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a carnalidade excessiva pode evocar o debate, é porque este executivo irlandês radicado em Nova York poderia ser qualquer telespectador; e Nova York poderia ser qualquer outra cidade. Brandon não consegue conter sua desesperada compulsão por sexo, mas também não consegue estabelecer um mínimo contato emocional, seja com sua conflituosa e carente irmã, seja numa falhada tentativa de iniciar um relacionamento com uma colega de trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">Há quem possa dizer que o filme contém comportamentos aberrantes, mas as cenas de conteúdo erótico são reproduções de alguns momentos da vida de um personagem que encontrou inconscientemente nas mais distintas manifestações sexuais um subterfúgio. No fundo, a obscenidade da obra depende inteiramente dos olhos, dos sentidos, do repertório, da (de)formação de quem vê.</p>
<p style="text-align: justify;">Na sua vida, existe um abismo cada vez mais fundo entre sexualidade e intimidade. Ou a intimidade pode ser fragmentariamente conseguida pelo sexo, como se pode suspeitar pelo plano-sequência do <em>ménage-a-trois</em>. No entanto, a arte erótica assim o é na medida em que se alia à imaginação. Porque o seu principal objetivo é dar corpo aos aspectos da sexualidade. O erotismo pode estimular a sexualidade ou representá-la simplesmente em seu conjunto de afetos, atos, energia e sensorialidades.</p>
<p style="text-align: justify;">O sexo é transformado em produto de consumo, coisa carnal, apesar de fugaz. Ou melhor: porque é fugaz. Em outras palavras, o sexo não é uma representação do obsceno, é o seu simulacro, é a atividade em que ele verdadeiramente se expõe. Acontece, porém, que ao seu vício é imputada a perversa capacidade de se infiltrar nos discursos, de impregnar os objetos, de contornar barreiras. E, por causa dele, Brandon é capaz de deixar de lado sua integridade.</p>
<p style="text-align: justify;">Como o seu vício é uma forma de expressão plurissignificativa, é difícil compreender a intimidade deste homem em estado crítico, embora ele esteja numa posição supostamente exposta. Vergonha propõe uma reflexão sobre a vida privada e o lado obscuro de um personagem caindo vertiginosamente em si.</p>
<div class="youtube-embed" data-video_id="NJfOTJ8WRDQ"><iframe width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/NJfOTJ8WRDQ?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="autoplay; encrypted-media" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>&#8220;A Morte de Luis XIV”, de Albert Serra é um retrato dos últimos dias do maior rei da França</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Evelyn Blaut-Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Jan 2017 13:00:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em agosto de 1715, Luís XIV – o rei absolutista da França e Navarra, também conhecido como rei-sol – começa a sentir fortes dores numa perna. Apesar de continuar a exercer as funções de governante, o seu estado de saúde agrava-se rapidamente. Cada dia mais fraco, vê-se rodeado por membros da corte e médicos, que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em agosto de 1715, Luís XIV – o rei absolutista da França e Navarra, também conhecido como rei-sol – começa a sentir fortes dores numa perna. Apesar de continuar a exercer as funções de governante, o seu estado de saúde agrava-se rapidamente. Cada dia mais fraco, vê-se rodeado por membros da corte e médicos, que se esforçam por encontrar um meio de curá-lo. Depois de semanas agonizantes, acaba por morrer. Termina assim um reinado de 72 anos, um dos mais longos da monarquia europeia. Com a morte do rei-sol, é o seu bisneto Luís XV, de apenas cinco anos, quem herda a coroa francesa.</p>
<p style="text-align: justify;">Com uma fotografia barroca, dirigido pelo catalão Albert Serra (<em>História da minha morte</em>), estrelado por Jean-Pierre Léaud (ator fetiche da <em>nouvelle vague</em>, homenageado com a Palma de Honra na edição de 2016 do Festival de Cannes), <em>A morte de Luis XIV</em> é uma co-produção entre França, Alemanha e Portugal. Além de fazer parte de uma carreira de criação audiovisual para o circuito da arte, o quinto longa de Albert Serra é um réquiem sobre a durabilidade paradoxalmente num filme sobre a morte. Este trabalho conceitual nasceu como potencial instalação com elementos performáticos para o Centro Georges Pompidou (Paris) que não se concretizou por questões logísticas e acabou se transformando num filme que gera o mesmo tipo de perguntas provocadoras.</p>
<p style="text-align: justify;">Por que Jean-Pierre Léaud interpreta Luís XIV (em agonia)? Que relação pode haver entre Antoine Doinel (personagem criado por François Truffaut, que aparece em cinco dos seus longas, sempre interpretado por Léaud) e Luís XIV? Dentre tantas outras, a minha: o que significa ao público brasileiro, hoje, assistir ao crepúsculo do rei-sol – um velho decrépito de peruca que, enquanto assiste impotente ao rápido avanço da sua gangrena, pede água, mas só bebe se for em copo de cristal, ao mesmo tempo em que é bajulado por um séquito mais preocupado em confabular e agregar culpa a um certo médico cujo remédio milagroso não curou o rei?</p>
<div class="youtube-embed" data-video_id="G_oEnaiXhOU"><iframe width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/G_oEnaiXhOU?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="autoplay; encrypted-media" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Fenômeno editorial na Europa, Trem noturno para Lisboa no Netflix</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Evelyn Blaut-Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Jan 2017 13:00:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[#DicaNetFlix]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dirigido por Bille August (de A casa dos espíritos, 1993), com um elenco fenomenal e adaptado do best-seller homônimo de Pascal Mercier, Trem noturno para Lisboa tinha tudo para ser, também no cinema, um sucesso, mas parece que não foi isso o que aconteceu. A última produção do cineasta dinamarquês é um telefilme cujo protagonista, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Dirigido por Bille August (de <em>A casa dos espíritos</em>, 1993), com um elenco fenomenal e adaptado do best-seller homônimo de Pascal Mercier, <em>Trem noturno para Lisboa</em> tinha tudo para ser, também no cinema, um sucesso, mas parece que não foi isso o que aconteceu.</p>
<p style="text-align: justify;">A última produção do cineasta dinamarquês é um telefilme cujo protagonista, depois de ter salvado uma jovem do suicídio, fica com o seu casaco e descobre, dentro dele, um livro e uma passagem para Lisboa. Abandona seus alunos e embarca num trem em busca de respostas para o mistério que rodeia a tal jovem (que desaparece logo após o incidente) e que acaba também por perturbá-lo. É o livro escrito por Amadeu de Prado (Jack Huston), um médico português, durante o regime de Salazar que incita a sua curiosidade fazendo-o peregrinar por uma Lisboa turística.</p>
<p style="text-align: justify;">Com esta peregrinação, Gregorius (Jeremy Irons) tenta reconstruir o passado e entender uma História, juntando fragmentos de um quebra-cabeça. Conhece pessoas que, afinal, vão ajudá-lo nesta tortuosa empresa, como a oftalmologista Mariana (Martina Gedeck). Intercala-se a este presente a década de 1970, quando é formado um triângulo amoroso por Amadeu, Jorge (August Diehl) e Estefânia (Mélanie Laurent). Ambos, o médico e seu melhor amigo, apaixonam-se por ela. Como pano de fundo, há um outro duelo muito mais amargo: o embate entre a repressão e o antifascismo. Apesar disso, a questão política jamais deixa de ser mero pano de fundo e o que se sobrai são mesmo as reviravoltas melodramáticas.</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, se há mensagem subjacente é a do desejo intempestivo de Gregorius de fugir do seu cotidiano em busca de uma aventura (que nem a sua era). O problema é que essa chama que o já idoso professor vai em busca não é passada para o espectador. As ações parecem demasiado protocolares. O grande problema talvez seja a romantização de um período extremamente sombrio para a História portuguesa como foi a ditadura salazarista.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos elementos do filme me atraíram para assisti-lo: a direção, o elenco (Jeremy Irons e Martina Gedeck, particularmente), o enredo. Não que a direção não seja boa, nem que o elenco – com estrelas tarimbadas – não esteja bem. É que há aspectos especialmente irritantes. Por exemplo, o fato de um filme que (parte dele) se presta a contar uma história portuguesa, em que todos os atores – americanos, alemães, suecos e portugueses – falam inglês, restando aos atores portugueses papeis de menor destaque. Mas, como a produção é suíço-alemã, a escolha da língua (ou uma não-língua, língua neutra?) se justifica. E, além disso, uma fotografia de novela vespertina, uma maneira um tanto naive de lidar com assuntos sérios que envolvem o regime salazarista e o modo meio atabalhoado como se encerra o longa. Esperava mais do trio Bille August, Jeremy Irons e Martina Gedeck.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Foto: Divulgação</strong></p>
<div class="youtube-embed" data-video_id="jGXa9dr6xGg"><iframe loading="lazy" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/jGXa9dr6xGg?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="autoplay; encrypted-media" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Novo filme de Asghar Farhadi, o mesmo diretor de &#8220;A Separação&#8221;, &#8220;O apartamento&#8221; chega aos cinemas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Evelyn Blaut-Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Jan 2017 13:00:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vencedor do prêmio de melhor roteiro e de melhor ator (para Shahab Hosseini) no último Festival de Cannes, O apartamento é talvez o melhor filme de Asghar Farhadi, diretor do celebrado A separação, que volta às telas com uma história sobre os dilemas morais do Irã moderno. Além de oferecer valiosas reflexões morais (costumes), também [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Vencedor do prêmio de melhor roteiro e de melhor ator (para Shahab Hosseini) no último Festival de Cannes,<em> O apartamento</em> é talvez o melhor filme de Asghar Farhadi, diretor do celebrado<em> A separação</em>, que volta às telas com uma história sobre os dilemas morais do Irã moderno. Além de oferecer valiosas reflexões morais (costumes), também propõe questões éticas – em sua etimologia, ethos significa literalmente morada, o lugar onde as pessoas habitam.</p>
<p style="text-align: justify;">O último longa de Farhadi é uma espécie de realismo social e se desenvolve, como de costume, em torno do lar. Num filme que conta a história de uma família, mais que papel primordial na trama, a casa é praticamente o personagem central. Além da casa onde vive o casal Emad e Rana, a personagem feminina é posta em destaque num espaço em disrupção. Emad é professor, Rana fica em casa, ambos são atores talentosos de um grupo meio amador meio profissional de teatro que está produzindo A morte de um caixeiro-viajante, de Arthur Miller. Assim que o espetáculo começa a ser encenado, eles são forçados a se mudar porque o prédio onde moram parece estar desmoronando devido a falhas na construção. Farhadi cria uma cena extremamente perturbadora com rachaduras que se encaixam nas janelas quebradas apontando, ao mesmo tempo, para uma catástrofe em maior escala: toda a construção (social) está em colapso.</p>
<p style="text-align: justify;">Devido a riscos de desabamento no prédio onde morava, Emad e Rana são forçados a se mudar para um novo apartamento no centro de Teerã, que, pelo que parece, era habitado por uma mulher que trabalhava como prostituta. Mas quando eles descobrem quem costumava morar ali antes deles, Rana já havia aberto a porta pensando que era para o seu marido. Mas não era.</p>
<p style="text-align: justify;">A justaposição entre as cenas da vida real e da peça de Arthur Miller não são gratuitas, nem a demonstração formal das emoções, nem o realismo confuso e um tanto sombrio. A introdução da peça é uma inteligente narrativa em abismo num filme que também aborda um crime com vingança-justiça. Assim como em A separação e O passado, o sétimo longa de Asghar Farhadi investiga novamente a natureza humana e as relações entre homens e mulheres. Ao narrar a história de um casal de atores que enfrenta grandes mudanças quando mudam de casa, este suspense reflete as relações humanas e a (auto)destruição de uma determinada classe social. A semelhança com os personagens de Arthur Miller, típicos da classe média, é evidente. O viajante da peça vive em Nova Iorque, Emad e Rana vivem em Teerã – duas cidades às vezes mais semelhantes do que se poderia supor.</p>
<p style="text-align: justify;">Há quem considere este drama iraniano o nascimento de um novo gênero do cinema universal, aquele que deriva do impacto causado por Haneke e Antonioni: um casal de classe média condescendente segue com suas vidas e de repente sofre o golpe de um evento horrível, misterioso e anônimo, que revela a culpa e a vergonha em decorrência de cumplicidades, rumores e concessões. Mas da violência sexual e da zona de conforto surgem questões derivadas de construções culturais e simbólicas. Tantas vezes sem respostas.</p>
<div class="youtube-embed" data-video_id="jMqcPShWa_0"><iframe loading="lazy" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/jMqcPShWa_0?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="autoplay; encrypted-media" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Thriller psicológico, &#8220;Animais Noturnos&#8221; , chega aos cinemas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Evelyn Blaut-Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Dec 2016 13:31:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Susan Morrow (Amy Adams), uma negociadora de arte em Los Angeles, recebe pelo correio o manuscrito do romance Animais noturnos, dedicado a ela e escrito por Edward (Jake Gyllenhaal), seu ex-marido, com quem não tem contato há anos. Ao mesmo tempo em que percebe estar cada vez mais distante do atual marido, sente-se cada vez [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18408 alignleft" src="http://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2016/12/animais-noturnos.jpg" alt="animais-noturnos" width="184" height="273" />Susan Morrow (Amy Adams), uma negociadora de arte em Los Angeles, recebe pelo correio o manuscrito do romance <em>Animais noturnos</em>, dedicado a ela e escrito por Edward (Jake Gyllenhaal), seu ex-marido, com quem não tem contato há anos. Ao mesmo tempo em que percebe estar cada vez mais distante do atual marido, sente-se cada vez mais impelida à leitura, embora a violência do livro a incomode profundamente.</p>
<p style="text-align: justify;">O filme conta uma história de vingança dentro de uma história. Ambas as histórias, a da vida de Susan e a do livro que está lendo, funcionam, de certo modo, como duplos. A ação da leitura leva Susan a reavaliar o sucesso do seu casamento atual e o fracasso do relacionamento que acabou, bem como as decisões que tomou (sobretudo as amorosas) e suas consequências. Diante de um livro emocional, violento e bem escrito (é ela quem diz), Susan tende a perceber o livro de Edward como uma forma de vingança por ele nunca ter superado o fim da relação.</p>
<p style="text-align: justify;">Grande premiado do júri do último Festival de Veneza, e inspirado no livro <em>Tony &amp; Susan</em>, de Austin Wright, este é o segundo longa dirigido, produzido e escrito por Tom Ford, que regressa sete anos depois de sua estreia como diretor com <em>Direito de amar</em>. Das atuações, além de Amy Adams e Jake Gyllenhaal, merecem especiais atenções as participações de Laura Linney, Michael Shannon e Karl Glusman. Tudo aqui parece bem costurado, inclusive alguns lampejos lynchianos (principalmente o Lynch de <em>Império dos sonhos</em>), num thriller psicológico sobre (des)amor, rancor e arrependimento.</p>
<p><iframe loading="lazy" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/TICRnl3A-Og?feature=oembed" frameborder="0" allow="autoplay; encrypted-media" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Os Amantes Passageiros  um filme propositalmente nonsense</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Evelyn Blaut-Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Dec 2016 13:00:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[#DicaNetFlix]]></category>
		<category><![CDATA[Streaming]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cinéfilos e apaixonados pela filmografia de Pedro Almodóvar já perceberam decerto que a sua obra é recheada por uma complexa rede de citações. Rebeca (Victoria Abril), num diálogo entre mãe e filha em De salto alto (1991), faz uma referência direta ao argumento de Sonata de Outono (1978), de Ingmar Bergman. Carne trêmula (1997) cita [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-18135 alignleft" src="http://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2016/12/os-amantes-passageiros--208x300.jpg" alt="os-amantes-passageiros" width="208" height="300" srcset="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2016/12/os-amantes-passageiros--208x300.jpg 208w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2016/12/os-amantes-passageiros--292x420.jpg 292w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2016/12/os-amantes-passageiros-.jpg 486w" sizes="auto, (max-width: 208px) 100vw, 208px" />Cinéfilos e apaixonados pela filmografia de Pedro Almodóvar já perceberam decerto que a sua obra é recheada por uma complexa rede de citações. Rebeca (Victoria Abril), num diálogo entre mãe e filha em De salto alto (1991), faz uma referência direta ao argumento de <em>Sonata de Outono</em> (1978), de Ingmar Bergman. <em>Carne trêmula</em> (1997) cita uma cena de <em>Ensaio de um crime</em> (1955), de Luis Buñuel. No início de <em>Tudo sobre minha mãe</em> (1999), Esteban (Eloy Azorín) e Manuela (Cecilia Roth) assistem a <em>A malvada</em> (1950), de Joseph L. Mankiewicz. Já no final de<em> Volver</em> (2006), enquanto toma conta de Agustina (Blanca Portillo), Irene (Carmen Maura) assiste à televisão em cuja tela surge a imagem de Maddalena Cecconi (Anna Magnani) a pentear os cabelos em Belíssima (1952), de Luchino Visconti. Em <em>Abraços Partidos</em> (2009), Mateo Blanco / Harry Caine (Lluís Homar) reconhece a voz de Florence Carala (Jeanne Moreau) em <em>Ascensor para o cadafalso</em> (1958), de Louis Malle.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seus últimos filmes, no entanto, Almodóvar vem bebendo da própria fonte. É exemplo de referência interna a história do retorno da mãe cujas filhas pensavam que ela tivesse morrido num incêndio e passam a ver o seu regresso como a aparição de um fantasma que vem esclarecer questões do passado. Este enredo corresponde ao argumento de <em>Volver</em> e à trama de um romanceco de segunda categoria escrito por Amanda Gris (pseudônimo de Leo Macias), interpretada por Marisa Paredes em <em>A flor do meu segredo</em> (1995). O argumento de <em>Volver</em> já estava, onze anos antes, no roteiro ridicularizado sobre a dificuldade de se desembaraçar de cadáveres – ou sobre fantasmas que voltam para resolver coisas que não podem ser resolvidas, ou para fazer coisas que não foram feitas, afinal, sempre se deixam coisas por fazer. Outra citação interna consiste no apartamento de Pepa (Carmen Maura) em <em>Mulheres à beira de um ataque de nervos</em> (1988) cuja atmosfera cenográfica é reproduzida em Chicas y maletas, filme interrompido pelo cineasta Mateo Blanco / Harry Caine (Lluís Homar), em <em>Abraços partidos</em> (2009). Ou ainda a cena inesquecível da preparação do gazpacho em <em>Mulheres à beira de um ataque de nervos</em> evocada em <em>A vereadora antropófaga</em> (2009), monólogo de Carmen Machi (curta-metragem que integra o longa de 2009).</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Os Amantes Passageiros</em> (2013) fala do medo da morte. Não é isto o que sugere uma primeira leitura, mas pode ser essa a consequência para os passageiros de um avião que ameaça cair a qualquer momento. Dentre eles, é focada entretanto a classe executiva que simboliza uma “elite” composta por uma dominatrix decadente, um galã de novela mexicana, um banqueiro falido e uma pós-balzaquiana virgem que se aproveita de um passageiro da segunda classe, já que a segunda classe foi dopada pelos comissários de bordo para suportar um voo em círculos. Completam o circo dois pilotos enrustidos e três comissários extravagantes. Tudo isso num único cenário: um avião que, ao invés de cumprir sua rota da Espanha ao México, dá voltas no ar devido a um problema de pouso. Está clara a metáfora política, a crise econômica europeia, como muitos associam, e até mesmo a questão existencial, se quiserem: passageiros de uma nave a esmo. Aqui também se mesclam outros elementos de Almodóvar, que remetem aos seus primeiros filmes, ligados ao movimento de contracultura La movida madrillena pós-franquismo. Em películas como <em>Labirinto de paixões</em> (1982) e <em>Maus hábitos</em> (1983), drogas, sexualidade e moralismo institucional (Família e Igreja) são temáticas lúdica e ironicamente abordadas. Propositalmente nonsense, quase à beira da histeria, o filme recorre à comicidade mais escrachada para falar, na verdade, de crises, alienação e hipocrisia. Mas não me parece que a crítica se restringe à sociedade espanhola. Bem longe de ser um dos melhores trabalhos do mestre Almodóvar, <em>Os amantes passageiros</em> não deixa de ser, com todos os altos e baixos, uma obra de arte.</p>
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		<title>Tese sobre um homicídio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Evelyn Blaut-Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Dec 2016 13:00:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[#DicaNetFlix]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Baseado num romance homônimo de Diego Paszkowski, com direção de fotografia de Rolo Pulpeiro (Um conto chinês) e dos mesmos produtores de O segredo dos seus olhos (2009), Tese sobre um homicídio é o segundo filme dirigido por Hernán Goldfrid. A trama, no estilo policial, parece mais um thriller psicológico. Roberto Bermúdez (Ricardo Darín), ao [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17654 alignleft" src="http://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2016/12/tese-sobre.jpg" alt="tese-sobre" width="215" height="290" />Baseado num romance homônimo de Diego Paszkowski, com direção de fotografia de Rolo Pulpeiro (<em>Um conto chinês</em>) e dos mesmos produtores de <em>O segredo dos seus olhos</em> (2009), <em>Tese sobre um homicídio</em> é o segundo filme dirigido por Hernán Goldfrid.</p>
<p style="text-align: justify;">A trama, no estilo policial, parece mais um thriller psicológico. Roberto Bermúdez (Ricardo Darín), ao presenciar o corpo de uma mulher assassinada, desconfia que o crime foi cometido por Gonzalo (Alberto Ammann), seu astuto e arrogante aluno. Começa então um jogo de gato e rato entre professor e aluno que não são apenas professor e aluno. Bermúdez é amigo dos pais de Gonzalo, que o conhece desde criança e, desde então, nutre por este advogado, professor e escritor uma especial admiração.</p>
<p style="text-align: justify;">Por trás disso, uma série de ocultamentos e sugestões vai deixando pistas e mantendo a atenção do espectador. Mas também deixa falhas. Por fim, o que importa não é descobrir o assassino, mas, sim, o modo como as suspeitas são enredadas. Também em segundo plano correm tramas aparentemente secundárias como o relacionamento de Bermúdez com a ex-mulher Monica e com a irmã de Vale, a jovem assassinada.</p>
<p style="text-align: justify;">O espectador acompanha a recolha de dados que Bermúdez empreende – pistas que seguem numa direção que faz sentido. Contudo, outras pistas são, em menor quantidade e de modo atenuado, encaminhadas rumo ao possível equívoco de Bermúdez. Ao colocar na mesa questões éticas sobre condutas profissionais, não se sabe, afinal, se o filme trata de processos legislativos ou da obsessão de um homem, advogado aposentado, de justiça (?) ou da busca solitária pela verdade (?). Tudo isso, claro, instiga o espectador. Mas T<em>ese sobre um homicídio</em> está bem longe de ser uma obra-prima do gênero.</p>
<p style="text-align: justify;">O principal atrativo do filme é, sem dúvida, mais que a presença de Ricardo Darín, a sua excessiva exploração visual, não só porque o ator aparece em todas as cenas (TODAS), mas porque, em algumas delas (especialmente duas: uma, no museu; e outra, ao usar um retroprojetor), a sua imagem é multiplicada na tela por efeitos diversos. Ricardo Darín já participou de filmes melhores e já atuou de forma mais inteira. Não me canso nunca de rever <em>Nove rainhas</em> (2000) ou qualquer um dos longas que marcam sua parceria com Juan José Campanella, sobretudo <em>O clube da lua</em> (2004). Se há um motivo para assistir a T<em>ese sobre um homicídio</em> é o seu protagonista.</p>
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		<title>Morreu Ferreira Gullar, o &#8220;poeta experimental radical&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Evelyn Blaut-Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Dec 2016 13:00:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Matérias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Me pediram pra escrever uma nota sobre o falecimento do Ferreira Gullar. Mas que nota? Dizer que ele, certa vez, se definiu como o “poeta experimental radical”, que nasceu no Maranhão em 1930, que decidiu se tornar poeta durante a adolescência, frequentando os bares intelectuais e boêmios da Praça João Lisboa e o Grêmio Lítero-Recreativo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Me pediram pra escrever uma nota sobre o falecimento do Ferreira Gullar. Mas que nota? Dizer que ele, certa vez, se definiu como o “poeta experimental radical”, que nasceu no Maranhão em 1930, que decidiu se tornar poeta durante a adolescência, frequentando os bares intelectuais e boêmios da Praça João Lisboa e o Grêmio Lítero-Recreativo da sua cidade natal? que ganhou prêmios, Jabutis, Camões, que foi proposto ao Nobel de Literatura? que foi contemplado com o título de Doutor Honoris Causa na Faculdade de Letras da UFRJ? que foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, onde seu corpo está sendo velado nesta manhã? que nota eu posso fazer para falar da sua vida e da sua morte e da sua figura de relevo no panorama da poesia e da crítica de poesia desde a segunda metade do século XX? É suficiente dizer que teve papel de destaque na produção de uma literatura em moldes populares como poemas de cordel? Que parte da sua obra escapa aos rótulos e tem como destaque o “Poema sujo” e o livro <em>Dentro da noite veloz</em>? que era comunista, que lançou <em>a luta corporal</em> na poesia concreta e na vida (se é que há diferença)? que integrou o neoconcretismo, com Lygia Clark e Hélio Oiticica? que foi ele quem escreveu o manifesto do movimento, em 1959, publicando em paralelo o ensaio “Teoria do não objeto”, obra seminal do grupo? que foi detido pelo DOPS, em 1964, e passou a viver em Moscou, Santiago, Lima e Buenos Aires, onde escreveu o seu “Poema Sujo”? que voltaria, finalmente, pro seu país e que seria novamente preso e torturado durante 72 horas até ser libertado graças à intervenção de amigos artistas? que, depois de tudo, ainda escreveu mais poemas, traduziu, ganhou mais prêmios literários, colaborou com jornais e se tornou argumentista televisivo? que além de publicar coletâneas poéticas e ensaios sobre poesia e artes plásticas, ele aparecia, nos últimos anos, subsumido no polemista (ou mesmo preconceituoso) cronista semanal do jornal Folha de S. Paulo? Nunca sei o que escrever nestas notas. Tenho medo que esperem que eu diga que o poeta, escritor, dramaturgo, crítico de arte, biógrafo, tradutor e cronista morreu ontem no Rio de Janeiro, aos 86 anos, no Hospital Copa d’Or, por complicações pulmonares que derivaram em pneumonia. Mas isso não é suficiente. Ele fez melhor ao escrever sobre a morte no “poema sujo”:</p>
<p style="text-align: justify;">Corpo meu corpo corpo<br />
que tem um nariz assim uma boca<br />
dois olhos<br />
e um certo jeito de sorrir<br />
de falar<br />
que minha mãe identifica como sendo de seu filho<br />
que meu filho identifica<br />
como sendo de seu pai</p>
<p style="text-align: justify;">corpo que se pára de funcionar provoca<br />
um grave acontecimento na família:<br />
sem ele não há José Ribamar Ferreira<br />
não há Ferreira Gullar<br />
e muitas pequenas coisas acontecidas no planeta<br />
estarão esquecidas para sempre</p>
<p style="text-align: justify;">Mas nada será esquecido, não quando se reflete sobre o lugar e a função da vanguarda e da poesia na sociedade contemporânea e, sobretudo, num país onde “não há vagas”. Como o nosso.</p>
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		<title>A economia do amor</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Evelyn Blaut-Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Nov 2016 13:19:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p> A economia do amor fala de meandros muito complexos para um casal à beira do divórcio. Apesar de separados, Marie e Boris continuam a dividir o mesmo teto, pois Marie quer que Boris saia da casa que ela comprou, mas Boris só diz que sai depois que tiver todo o dinheiro empregado na reforma. Apesar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-17456 alignleft" src="http://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2016/11/a-economia-do-amor-214x300.jpg" alt="a-economia-do-amor" width="214" height="300" srcset="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2016/11/a-economia-do-amor-214x300.jpg 214w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2016/11/a-economia-do-amor.jpg 260w" sizes="auto, (max-width: 214px) 100vw, 214px" /> A economia do amor fala de meandros muito complexos para um casal à beira do divórcio. Apesar de separados, Marie e Boris continuam a dividir o mesmo teto, pois Marie quer que Boris saia da casa que ela comprou, mas Boris só diz que sai depois que tiver todo o dinheiro empregado na reforma.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar do filme sugerir que eles lavam roupa suja do início ao fim por mesquinharias, há espaço para a atenção às crianças, as gêmeas Margaux e Jade, a intromissão da sogra e dos amigos, um momento feliz em família, uma recaída, uma pequena desgraça que une os corações mais apartados. Além da dúvida, da raiva e da vitimização.</p>
<p style="text-align: justify;">Filme sensível (e com pequenos toques cômicos) sobre a dificuldade de permanecer junto e de passar a não estar mais junto, às vezes assistimos a um casal que parece não querer abrir mão de nada da vida que compartilharam, às vezes assistimos a um casal que prolonga as despedidas.</p>
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		<title>Ninguém deseja a noite</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Evelyn Blaut-Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Nov 2016 13:00:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O novo longa de Isabel Coixet é um relato sobre a luta do ser humano contra o entorno natural. A cineasta catalã compôs um retrato de mulher (de mulheres, porque são duas) com o homem ao fundo. E uma bela história em que se alternam o romântico e o mítico, o descobrimento universal e o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17451 alignleft" src="http://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2016/11/Cartaz_Baixa.jpg" alt="cartaz_baixa" width="200" height="291" />O novo longa de Isabel Coixet é um relato sobre a luta do ser humano contra o entorno natural. A cineasta catalã compôs um retrato de mulher (de mulheres, porque são duas) com o homem ao fundo. E uma bela história em que se alternam o romântico e o mítico, o descobrimento universal e o íntimo. A ação começa de forma épica, como as grandes aventuras, com barcos de época e trenós. Mas, à medida que avança, o filme começa a mostrar onde reside sua grandeza. Até que só restam, frente a frente, uma inuíte e uma senhora da alta sociedade de Boston. Com a brutal tormenta que se anuncia lá fora, elas – duas mulheres, duas civilizações, duas visões de mundo – vivem na noite polar. Este embate reflete, de alguma forma, a fragilidade da Terra frente à prepotência humana. A luz cênica busca reproduzir a penumbra e o claro-escuro das telas de Georges de La Tour.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo se passa entre 1908 e 1909, e quase o tempo todo no Ártico. Mas esta bela história inspirada em fatos reais pode ser bipartida. Na primeira parte, Josephine Peary segue os passos de seu marido, o explorador norte-americano Robert Peary, em sua expedição ao Pólo Norte. Na segunda metade, duas mulheres estão à deriva do (auto)descobrimento, da superação, da dor e do ardor, em quase todos os sentidos. Sofrendo, nas palavras de Coixet, “calamidades sem fim”, Josephine encontra-se na companhia de Allaka (Rinko Kikuchi). Josephine é quem adentra esta noite inóspita por amor ao seu marido, um herói explorador que se autoproclamou o primeiro a pisar no Pólo Norte, mas anuncia-se, afinal, um fantasma inalcançável, mais para vilão, vaidoso e, por que não dizer (?), trapaceiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Numa mítica travessia em nome da glória, Peary deixou esposa e filha em Washington, e Josephine, cansada de esperar, vai atrás dele, sem se importar com as condições climáticas nem com a vida das pessoas que o acompanhavam. Ela, de burguesia adinheirada e cultivada, sentia, como seu marido, um desprezo por todos os que não pertenciam a sua classe. Curiosamente, Josephine, perdida na imensidão da neve, segue com seu simulacro de vida. Quando percebe que tipo de homem é seu marido, inicia sua autêntica noite ártica. Fica ao seu lado, uma esquimó de inteligência natural e nobre que salva a vida de uma ocidental mais preocupada com um gramofone do que com as pessoas que a cercam.</p>
<p style="text-align: justify;">O tratamento do tempo cinematográfico nem sempre acompanha o tempo real mas, assim, a aventura de exploração do mundo que se quer como maior que a vida acaba por se transformar numa exploração intimista. E aí se tem, de fato, algo extraordinário, pois é essa a odisseia de Josephine: cinco meses de escuridão tornam-se numa viagem emocional, quase claustrofóbica. Ninguém deseja a noite é um filme polar, de pólos, sem alimento, sem água, sem saída, no lugar mais inóspito da Terra. Parece uma viagem geográfica, mas a geografia não é mais que uma descida interior.</p>
<p style="text-align: justify;">Além de tudo, Josephine Peary é Juliette Binoche. E só por isso já vale o filme inteiro.</p>
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