O contraponto da juventude e da arte de saber envelhecer na força dramática do texto de Tennessee Williams ganha versão brasileira com Vera Fischer, Mario Borges, Ivone Hoffmann, Bruno Dubeux, Clara Garcia, Dennis Pinheiro, Juliana Boller, Pedro Garcia Netto e Renato Krueger em cartaz no Teatro Carlos Gomes.

Com um texto mais do que atual, “Doce Pássaro da Juventude” é revisitado por Gilberto Gawronski com uma obra pertinente e dramática sobre a grande metáfora da vida, que é envelhecer.

A história se passa no sul dos Estados Unidos, na cidade natal de Chance Wayne, um fracassado que volta à cidade na companhia da grande atriz Alexandra Del Lago, que amarga o peso da idade, enquanto tenta fazer seu retorno ao cinema. A chegada dos dois à cidade causa rebuliço, mostrando que Chance é persona non grata. O texto de Tennesse Williams também traz à trama o surgimento do Ku Klux Klan, época marcada pela oposição aos movimentos civis, violência e discriminação racial.

Com uma estrutura cênica montada nos anos 50, a trama é revelada através dos vícios de seus personagens como no filme de 1962 com Paul Newman e Geraldine Page, que foi novamente cinematografado em 1989 com Liz Taylor e Mark Harmon.

Enquanto Chance está em fase de negação da juventude que já passou, Alexandra mostra que não tem mais o frescor juvenil. São pessoas diferentes com um fato em comum: os desejos e as aspirações juvenis. Não à toa, Vera Fisher (encarna o papel da diva do cinema) ao mesmo tempo em que o peso e as injustiças da idade são lhe imposta pela nossa sociedade.

O drama com traços de comedia na direção de Gilberto Gawronski prejudica a força dramática da obra de Tennessee Williams, deixando os atores e o espectador a mercê de um trabalho inacabado. São retratos que exigem forte veracidade. A montagem conta com trilha sonora original criada por Alexandre Elias, que ajuda a engrandecer o espetáculo, junto à uma estrutura cenográfica sofisticada.

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