O enredo não é exatamente original. Estressado, querendo recarregar as energias, um casal, Lauro (Bruno Gagliasso) e Renata (Regiane Alves), pega o carro, sobe a serra e escolhe como refúgio, longe da civilização, uma cabana onde pretende descansar. Mas, o que parecia ser um pedaço do céu na terra, rapidamente, se revela o contrário. Perto dali, assassinatos foram cometidos recentemente e os culpados não foram presos. De cara, é possível ver semelhanças entre Isolados, novo filme de Tomas Portella, e ‘Estranhos’, longa-metragem americano de 2007. E se procurarmos um pouquinho só, acharemos pontos em comum com outras obras do gênero. No entanto, os problemas deste híbrido de thriller com terror psicológico não residem na falta de originalidade. São outros, bem mais complicados.   
 
No cinema ou na televisão, nem tudo precisa ser meticulosamente explicado. Com as pistas certas, o espectador pode juntar as peças e formar a história em sua cabeça. Para isto, basta que o roteiro seja escrito de maneira que conduza o público pelo caminho desejado pelo roteirista. Algo que não ocorre neste caso. Tudo é muito solto, largado e há ainda três flashbacks desnecessários. Ao mostrar detalhes da vida dos protagonistas, é de se esperar que, de alguma forma, aquelas informações contribuam para o entendimento da trama. Isto também não acontece. A melhor coisa do texto escrito por Mariana Vielmond é uma virada que ocorre próxima do fim.          
 
Inspirada em quadros de Rembrandt, pintor holandês que viveu no século XVII e era chamado de “mestre das luzes e das sombras”, a fotografia também é um problema ao abusar das sombras e utilizar pouquíssima luz para aumentar o clima de tensão. Na teoria, a ideia foi excelente. Entretanto, na prática, não foi tão boa. As tomadas acabaram escuras demais, prejudicando, assim, uma das melhores coisas do filme: a direção de arte. A casa escolhida como locação principal, pela equipe dirigida por Claudio Amaral Peixoto, é perfeita, um verdadeiro achado, mas sua importância cênica é reduzida drasticamente graças à escuridão reinante.
 
Em relação às atuações, os elogios vão todos para o protagonista. Após despontar como mais um rosto bonito, Bruno Gagliasso atingiu a maioridade artística. E ela não foi conquistada da noite para o dia ou interpretando apenas mocinhos. Como o louco coronel Timóteo, na novela ‘Cordel Encantado’, deu provas claras de seu talento. Em sua primeira película, a comédia romântica ‘Mato Sem Cachorro’, se revelou encantador na pele de um galã atrapalhado, no melhor estilo Hugh Grant, em ‘Um Lugar Chamado Notting Hill’. Neste novo trabalho, a composição para viver Lauro, um personagem soturno, com mais segredos do que aparenta, teve que ser precisa sob o risco de descambar para a caricatura. Já a sua companheira, Regiane Alves, não goza do mesmo talento. Contudo, ela tem uma atuação correta como a frágil Renata e não chega a comprometer seu colega de cena.        
 
Ao se equilibrar cuidadosamente entre acertos e equívocos, o maior mérito de Isolados é apostar no cinema de gênero e mostrar que ele poder ser feito no Brasil. Há iniciativa e vontade de fazer algo diferente. A prova está aí, em cartaz, a partir desta quinta, dia 18 de setembro, em aproximadamente 200 salas de todo o país. Corrigindo e aperfeiçoando alguns pontos necessários, o público tupiniquim, tão acostumado às comédias-televisivas, pode, sim, comprar este barulho e apoiar tal iniciativa. 
 
Desliguem os celulares e bom filme. 
 
BEM NA FITA: Direção de arte e a atuação de Bruno Gagliasso. 
 
QUEIMOU O FILME: A fotografia e o roteiro – com a exceção da virada que ocorre próxima do fim do longa-metragem. 
Crítica também publicada no Blah Cultural por Bruno Giacobbo

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