Maior festival de luzes da América Latina, o Rio Mapping Festival, em sua terceira eidção acontece durante o período, de 1 a 30 de abril, no Rio de Janeiro. Evento oferece ao público a oportunidade de conhecer a tecnologia artística mais moderna e mais usada nas grandes capitais pelo mundo. Confira abaixo a entrevista com o curador do Festival, Paulo Sacramento.

Culturalmente, qual é a importância de um Festival deste tamanho?
Paulo Sacramento – O Rio Mapping Festival é um festival que abrange várias vertentes, incluindo desde as artes visuais, o audiovisual até a música e a arquitetura. É um festival com essência urbana, cujas projeções acontecem na rua e que agrega com ele festas que também começaram na rua. O vídeo mapping é uma arte que tem um custo financeiro alto por necessitar na sua realização de tecnologia de ponta. A maioria dos acontecimentos ligados à utilização de vídeo mapping são eventos privados ligados à lançamento de marcas, ou eventos de grande porte como vimos com a abertura dos jogos olímpicos. Até mesmo festivais, costumam usar no máximo duas fachadas dentro de uma cidade, por conta dos custos e logísticas que esta técnica demanda. O Rio Mapping Festival permite a democratização do acesso à cultura, através de eventos gratuitos, e faz questão de estar presente em diversos locais da cidade permitindo à população um maior acesso a esses eventos, permitindo ver a cidade como ela nunca foi vista.

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Foto: Guilherme Paranhos

O Rio Mapping Festival surgiu a partir de novas propostas artísticas tecnológicas?
Paulo Sacramento – O Rio Mapping Festival surge do desejo de jogar luz sobre a cidade, e aliar a arte e a tecnologia, que cada vez mais, andam juntas. Festivais como esse já existem há muito tempo no resto do mundo, artistas brasileiros fazem sucesso lá fora, temos know-how mas não tínhamos espaço no Rio de Janeiro para que esses artistas pudessem se expressar.

Como você define Mapping?
Paulo Sacramento – Projeção de um conteúdo de vídeo sobre uma fachada, criado a partir de um molde com base na arquitetura de um edifício.

É preciso ter um olhar apurado para fazer parte desse movimento?
Paulo Sacramento – 
A técnica de videomapping demanda conhecimento, mas eu diria que pela força da necessidade o olhar vai se apurando à medida que você vai aprofundando o seu conhecimento. É necessário desejo, curiosidade e tenacidade, o olhar apurado segue esse movimento.

Foto: Guilherme Paranhos
Foto: Guilherme Paranhos

Qual é a principal proposta do Rio Mapping Festival? E como ele pode influenciar o intercâmbio artístico?
Paulo Sacramento – A proposta do Rio Mapping Festival é democratizar o acesso à técnica de vídeo mapping, fazendo com que o mapping, que é o futuro das artes visuais, seja acessível ao maior número de pessoas. Por isso também é tão importante para nós, apesar das dificuldades que isso acarreta, oferecer oficinas gratuitas ou de baixo custo.

Uma das influências artísticas principais na criação do Rio Mapping Festival vem de um coletivo de Barcelona que é pioneiro em vídeo mapping, o Telenoika, que esteve presente em nossa primeira edição e este ano graças a ajuda da Embaixada Espanhola estará presente novamente em nossa cidade. Também pudemos contar esse ano com a ajuda do Consulado da Holanda, que trouxe a artista Frouke Ten Velden que alia escultura com vídeomapping, e vai criar a versão 2.0 da obra VECTOR durante uma residência no nosso galpão, obra que será inaugurada na festa Coordenadas dia 21 e por fim para nossa surpresa recebemos diversas propostas de artistas estrangeiros na nossa Chamada Aberta. Um deles foi o francês Jérémy Oury, que foi selecionado e cujo vídeo será projetado no Real Gabinete Português de Leitura. Infelizmente o consulado francês já tinha todos os seus recursos direcionados e não pôde financiar a vinda deste artista este ano, mas se colocou à disposição para efetuarmos parcerias para a próxima edição. Temos como desejo criar pontes entre o Brasil e o mundo a partir destes encontros, conectando nossos artistas brasileiros com os artistas estrangeiros e levando o festival para fora do país. Cabe ressaltar inclusive, que muitos países tem eventos com vídeo mapping, mas poucos possuem festivais, que dirá festivais com a nossa amplitude. Somos motivo de inveja de diversos artistas estrangeiros (risos).

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Foto: Guilherme Paranhos

Como é o processo de criação do Festival?
Paulo Sacramento – O Festival não para. Trabalhamos o ano todo a curadoria, a pesquisa pelas fachadas, busca de parceiros e patrocinadores, além das oficinas que vem criando corpo a cada ano. Somos movimento. Tudo ao mesmo tempo e agora.

E do que será exibido?
Paulo Sacramento – Esse ano tivemos uma chamada aberta, e pudemos ter uma prévia das obras que foram selecionadas, mas quando convidamos artistas não costumamos pedir pra ver o conteúdo, criamos um tema e os mesmos trabalham cima e é super bacana, pois sempre tem surpresa.

Saiba mais sobre o Festival: https://rotacult.com.br/2017/03/3-edicao-do-rio-mapping-festival-reconfigura-olhares-sobre-paisagem-urbana/

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