Por: Claudio Verdugo
A banda goianiense Boogarins disponibilizou seu novo álbum “Sombrou ou Dúvida” no dia 10 de Maio, o trabalho é o quinto disco de inéditas do grupo formado por Dinho (vocais e guitarra), Benke Ferraz (guitarras), Raphael Vaz (baixo e sintetizadores) e Ynaiã Benthroldo (bateria).
Para começar a falar do Boogarins é preciso voltar lá trás, no primeiro disco de 2013, “As Plantas que Curam”, que chamou a atenção do selo americano Other Music. Desde então o grupo lançou mais quatro discos, tocou em grandes festivais internacionais como o Coachella, fez turnês pela Europa e Estados Unidos.
O som de “Sombrou ou Dúvida” segue a sonoridade característica dos discos anteriores, que flerta com o bom rock psicodélico e progressivo. A banda agora segue agenda shows por algumas cidades e capitais do país e depois segue em turnê pela Europa e Estados Unidos.  Abaixo, você encontra nosso conversa com o guitarrista Benke Ferraz.
A maioria das bandas do cenário independente e alternativo do Brasil que obtém maior destaque fazem parte do eixo Rio/ São Paulo, e vocês são de Goiânia, como é pra vocês fugir deste eixo e o que falta pra que mais artistas e bandas de outros cantos do Brasil possam ter mais projeção?
Benke Ferraz – Para gente realmente foi uma coisa de observar os exemplos de sucesso que tinha aqui em Goiânia, como Black Drawing Chalks, que foi a banda que chegou antes da gente em um patamar mais alto mesmo, de chegar a ser indicado a prêmios na MTV, de tocar no SWU, tocar no primeiro Lolla, então a gente via os exemplos dessa galera que era mais bem sucedida do underground e nos assimilamos pra gente também. Eu e o Dinho que começamos a banda, já tínhamos banda em Goiânia, mas sempre uma coisa mais amadora e aí quando a gente começou a gravar como Boogarins a gente sentou e viu que tinha um potencial naquilo ali,  e nos organizamos pra gravar o melhor material possível.
Os Boogarins já tocaram em grandes festivais ao redor do mundo como o Coachella, e a maioria das canções são em português, vocês acreditam que é importante levar nossa língua para o exterior?
Benke Ferraz – Desde sempre a gente escreveu em português mesmo, fomos influenciados pelo rock gaúcho, bandas como Cachorro Grande, Júpiter Maçã, bandas que tocavam rock que tinham uma pegada meio sessentista e britânica. O português faz as canções soarem bem do nosso jeito, que as vezes,  o publico pode não entender muito bem a letra,que o cara tá cantando, mesmo sabendo que é português, assim você acaba instigado à escutar aquilo mais vezes.
Como é pra vocês tocar em grandes festivais internacionais a exemplo do Coachella?
Benke Ferraz – Eu acho que o Coachella, para gente,  realmente é um evento como o Rock in Rio, mais conhecido por ser um festival de música Pop, mas a gente indo lá e conhecendo e tendo a oportunidade tocar os dois fins de semana e aparecer nos cartazes é um prestigio realmente tremendo. E a gente também entende onde que é o nosso lugar nisso tudo. Tocamos num palco menor, uma tenda que é basicamente exclusiva para música latina, então é o tipo de coisa que as vezes passa batido no meio de todo hype da festa, as pessoas não conhecem e entendem por ser o Coachella. É um palco que a equipe toda é latina e a maioria dos headliners também, acredito que a experiencia foi maravilhosa por estar no meio disso tudo e ver também esse tipo de abertura que existem pra outros mercados que a gente nem sabe.
O disco novo procura oferecer mais questionamentos do que respostas segundo o vocalista Dinho. O que mudou no processo de composição e emocional entre o disco anterior e este?
Benke Ferraz –  Ele parte do mesmo processo de gravação do anterior (“Lá Vem a Morte”) que as pessoas e a imprensa disseram que seria o disco mais sombrio do Boogarins, são dois discos irmãos, algumas músicas do “Sombrou Dúvida” partiram do mesmo processo de gravação e eu acho que não houve mudança nos fatos externos ou nas influências pro disco, é uma coisa realmente do nosso estado de espírito, de amadurecimento da gente e principalmente do Dinho que é o principal letrista da banda.
Eu acho que todos esses questionamentos e o tipo de impressão que a gente passa na música vem como um todo mesmo, são as opiniões, as discussões que a gente tem, e do modo como a gente toca a musica juntos, tanto no palco, quanto nas turnês longas que a gente faz, vai pra um estúdio e começa improvisar e partir disso criar musicas. Então, eu acho que são temas e influencias que estão no nosso inconsciente, e obviamente isso pode ser lido como “Ah essa canção fala mais sobre politica, fala sobre amor, sobre relacionamentos ruins…” , tudo isso, eu acho que vem mesmo de um processo de análise, como se estivéssemos sentados no divã e falando e aí de repente depois de falar muito a gente analisa tudo aquilo pra ler aquela canção.
O que o título do disco “Sombrou Dúvida” espera provocar nos ouvintes na sua perspectiva?
Benke Ferraz: Eu acho que é um pouco disso mesmo, mas como eu falei, esse nome chegou pra gente de improviso, a gente se junta e começa tocar e o Dinho cantando também com as letras junto das melodias e encaixando as palavras, fazendo esse exercício de repetição e de realmente da gente ficar se repetindo e até que a gente chega em uma ideia totalmente nova, não era uma ideia realmente de ninguém, mas acaba sendo uma ideia de todo mundo também e então é muito nesse processo que a gente compõe. Essa linha “Sombra ou Dúvida” surgiu de um improvisos desses que a gente estava fazendo na época do disco anterior, e foi uma ideia realmente que ficou muito marcante na nossa cabeça, era uma faixa que a  gente escutava bastante, e que quando a gente escutava essa parte do “Sombra ou Dúvida” nos gostávamos muito. Esse conceito de chamar a sombra como se fosse a nossa zona de conforto, e a dúvida esse tipo de incerteza que faz a gente querer tentar alguma coisa de acordo com nossos instintos parecia um tipo de questionamento interessante pra gente propor pro ouvinte e também pra amarrar todas essa canções no disco que também trata de temas universais.
O que podemos esperar até o fim da era “Sombrou Dúvida”?
Benke Ferraz: A gente deve lançar um ou dois singles com videoclipes deste disco, ainda, mas faremos o que fazemos de melhor, que é pegar a estrada entre Julho e Agosto. Faremos shows na Europa e em Setembro estaremos nos Estados Unidos,com uma turnê bem especial pra gente.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here