A proximidade do Sylvio Fraga Quinteto com o maestro baiano Letieres Leite deu origem ao álbum “Canção da Cabra” (da nova gravadora Rocinante), que chegou às plataformas digitais no final de agosto. Os shows de lançamento serão nos dias 25 e 26 de setembro, às 20h, na Audio Rebel, com participação especial de Luizinho Jêje, e ingressos a R$ 20. Este é o terceiro disco de Sylvio Fraga, compositor e poeta, cujos versos você pode encontrar também no livro “Cardume”, lançado pela 7 Letras, em 2015.

“Cada canção expressa alguma coisa da vida, mas não em termos objetivos. Esse disco tem várias músicas curtas, coisa que me interessa, a condensação. Talvez isso tenha algo a ver com minha paixão pela poesia e pela pintura. Quase todos poemas existentes são lidos em menos de um ou dois minutos. E eu não fico muito tempo diante de uma pintura. Em geral, o impacto acontece mesmo nos primeiros segundos diante da tela”, conjectura.

Letieres Leite coassina a obra. “Letieres faria alguns arranjos para sopros e cordas, mas a coisa foi se aprofundando e acabou que o disco é dele também”, diz Sylvio. “Ele teve total e absoluta liberdade criativa – e isso não é algo que necessariamente se declara, é algo que acontece. Conversamos muito a respeito das músicas, mapeamos tudo, ele foi a muitos ensaios. Houve um imersão”, afirma. Sylvio conta que ficou muito impressionado com a Orkestra Rumpilezz, criação do baiano, quando ouviu “A saga da travessia” pela primeira vez.

“A maneira dele pensar os arranjos a partir das claves, da percussão, é de um frescor extraordinário. Sem falar na inspiração melódica e harmônica dele”, rebobina. “Acabou sendo um casamento muito feliz, por uma afinidade de busca sobretudo rítmica nos nossos trabalhos e uma afinidade pessoal mesmo, de viver a arte”. Uma cumplicidade que fica evidente nas 15 faixas, de durações variadas, deste “Canção da Cabra”.

A maioria delas nasceu com Sylvio tocando violão em casa e as letras, em geral, vieram um tempo depois. “Às vezes é a composição que vai determinando se fico feliz ou triste, ou revelando se estou feliz ou triste ou qualquer outro estado de espírito”, pondera ele, também diretor artístico da Rocinante, que, além de gravadora com estúdio próprio na serra fluminense, abrirá uma fábrica de vinil em poucos meses.

Produzido por Duda Mello e Sylvio Fraga (que toca guitarra, violão, banjo e canta), “Canção da Cabra” reúne quatro parcerias com Thiago Amud (“Euá”, “Fata morgana”, “Da vida” e “Sono do burgo”). Nas três primeiras, Sylvio fez a música, enviou pro Amud e ele voltou com os versos. O processo foi inverso em “Sono do burgo”. Sylvio recebeu a letra do parceiro, no meio da madrugada. “Quando acordei bem cedo e vi a letra, fui para o violão e fiz a música rapidinho, em dez minutos. Depois ele me disse que havia escrito a letra também rapidinho, em dez minutos, dando um total de vinte minutos (risos)”, recorda.

Com o amigo de longa data Pedro Carneiro, mais conhecido como Vovô Bebê, Sylvio compôs “A flauta” e “Sei da cor da noite”, feita à moda antiga, os dois juntos, na casa do Vovô Bebê. Sylvio também compôs com músicos da sua banda, coisa que aconteceu de forma natural dado que ensaiam três vezes por semana, o ano todo, fazendo a dez mãos os arranjos para o disco: “Romaria de jagunço” e “Incríveis animais da floresta” com o pianista Lucas Cypriano e com o baterista Mac Willian Caetano; “Dulcineias” e “O lagarto e o gato largado” com o baixista Bruno Aguilar e o trompetista José Arimatéa.

Conforme disse o próprio maestro baiano, “o trabalho do Sylvio é um dos que mais me encantam hoje no Brasil. Esse disco traz uma contribuição importante no avanço e nas possibilidades da canção”.

Foto: Joao Atala

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