Quarto filme da franquia honra seu legado.

Matrix Resurrections
THE MATRIX RESURRECTIONS, (aka THE MATRIX 4), from left: Carrie-Anne Moss, Keanu Reeves, 2021. © Warner Bros. / Courtesy Everett Collection

São muitas as vezes nas quais um filme desperta a atenção e o debate de críticos de cinema, filósofos e psicanalistas, Matrix Resurrections , surpreendentemente, consegue tudo isso! Pois é! É raro na indústria cinematográfica filmes que reúnem preceitos tão interligados. Christopher Nolan tem o habito de fazer isso em seus filmes, não à toa, Matrix Resurrections tem um quê de A Origem (2010). No entanto, Matrix Resurrections ainda consegue ser um blockbuster de ação. Além disso, a questão metafísica é justamente o mote da franquia, que, aliás, parece que tem tudo para ter uma nova sequencias de filme.

Protagonizado por Keanu Reeves e Carrie Anne-Moss, o novo longa retoma a história de Neo / Thomas A. Anderson e Trinity 20 anos depois. Neste novo filme, Thomas Anderson é um programador da companhia de software Metacortex, até descobrir que sua realidade é apenas uma simulação, com ambos ainda presos dentro do mundo simulado gerado por computador, mas sem memória de seu passado ou um do outro.

 Matrix Resurrections, certamente, assume uma cultura de reinicialização da franquia, após duas décadas em hibernação, num efeito que repete o lançamento do filme original lançado em 1999, inclusive, honrando seu legado, com muito tiro, porrada e bomba.

Matrix foi considerado uma revolução, porque conseguiu unir o sucesso estrondoso de público com o respeito da mídia especializada, o que é bastante difícil de acontecer. O filme, ao mesmo tempo em que lidava com questões sensíveis para o imaginário da época, inovava nos efeitos especiais e nas cenas de ação.  Além disso, a atmosfera que conta com uma paleta discreta de cores, remete aos filmes noir dos anos 40 e 50.

A direção das irmãs Wachowski, Lilly e Lana fez história. Aliás, as próprias diretoras foram responsáveis por apontar como o principal influenciador da obra, o francês Jean Baudrillard, principalmente por meio do livro “Simulacros e Simulação”. Baudrillard chegou a ser convidado para orientar o argumento das continuações, mas declinou. Ele declarou numa entrevista que “Matrix é certamente o tipo de filme sobre a matriz que a matriz teria sido capaz de produzir”.

Além disso, Baudrillard criticou a ausência de ironia em Matrix, e de ter se tomado os princípios de “simulacro” e “simulação” a partir das categorias da realidade. Agora, no quarto filme da franquia, por incrível que parece a ironia faz parte do destino final, nas mãos apenas de Lana que retorna em um looping cheio de referencias à “Alice no País das Maravilhas”, além de referencias psicológicas.

Matrix Resurrections é, certamente, muito mais que ação e os efeitos especiais! Em pleno século 21, na Era da velocidade de conexão 5G e do reconhecimento facial, além do metaverso. Matrix ainda traz muitas questões a serem discutidas: O que esperar agora? O que a Matrix vai nos dizer a respeito das próximas décadas? A escolha é uma ilusão? O livre arbítrio realmente? existe?

 

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