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OSB destaca a família das Madeiras em concerto na Sala Cecília Meireles

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A Orquestra Sinfônica Brasileira dá sequência à Série Músicos da OSB na Sala Cecília Meireles, no dia 24 de outubro, desta vez lançando luz à família das Madeiras. No repertório, obras de Claude Debussy, Heitor Villa-Lobos, Ernani Aguiar, Malcolm Arnold, Jacques Ibert e Carl Reinecke.

A Syrinx, para flauta solo, de Claude Debussy, retoma o mito da ninfa grega que, perseguida por Pã e encurralada diante de um rio, é transformada em um feixe de caniços no instante em que o deus a toma nos braços. Pã então os leva aos lábios e os sopra, tirando dela uma música triste. Em sua peça, o compositor francês opta não por recriar sonoramente todo o mito, mas por explorar, como em um aforismo musical, o gesto solitário de Pã, que converte o ausente em presente através da música. O programa segue com o delicioso Choros nº 2, de Villa-Lobos, para clarinete e flauta. Tal como em uma Invenção a duas vozes, os dois instrumentos aqui se imitam numa conversa bem-humorada, combinando o elemento contrapontístico com uma espontaneidade que soa improvisada. Do diálogo a duas vozes passamos para a Música a 3, de Ernani Aguiar. Escrita originalmente em 1982 para três violinos, a obra mostrou-se tão maleável que, ao longo dos anos, ganhou diversas roupagens, do trio para violino, marimba e percussão à orquestra de cordas, até chegar à versão para dois clarinetes e fagote que ouvimos hoje. Em três breves movimentos, a composição encontra nas palhetas uma nova cor, mais terrosa e calorosa.

O Divertimento para flauta, oboé e clarinete, de Malcolm Arnold, dura aproximadamente dez minutos. O que ele articula nesta curta duração, no entanto, é um jogo encadeado de seis movimentos em que os músicos dividem o protagonismo em pé de igualdade. Ninguém ocupa o mesmo lugar por muito tempo: o clarinete que num momento puxa a brincadeira, no seguinte se contenta em balançar entre duas notas, sustentando flauta e oboé enquanto eles cantam a melodia. Em certas passagens, os três abrem mão das diferenças e marcham juntos, em uníssono, até se dispersarem de novo em arpejos vertiginosos. O trio ganha um quarto integrante nos Dois movimentos que Jacques Ibert escreveu em 1922. Breve e despretensiosa, a peça parte de um charme descontraído, em que as madeiras parecem passear sem pressa, para logo acelerar o passo num segundo movimento vivo e de ritmo marcado.

Para encerrar, oito músicos sobem ao palco para tocar o Octeto em si bemol maior, de Carl Reinecke. No século XIX, a música de câmara tinha nas cordas o seu ideal, e os sopros raramente encontravam espaço fora da orquestra. Reinecke, que por décadas regeu a Orquestra do Gewandhaus de Leipzig, conhecia esses instrumentos de perto e soube explorá-los com maestria, como atesta esta obra, em que o calor dos pares de clarinetes, trompas e fagotes sustenta o canto da flauta e do oboé, numa sonoridade cheia e equilibrada. 

SERVIÇO: Dia 24 de outubro (sábado), às 17h Local: Sala Cecília Meireles (Rua da Lapa, 47 –  Lapa, Rio de Janeiro – RJ)

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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