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	<title>Críticas - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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	<title>Críticas - Rota Cult</title>
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		<title>Sexo e Destino: Márcio Trigo dirige novo filme espírita nacional</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No momento em que somos bombardeados pela notícia de que a novela A Viagem (1994) ganhará uma versão cinematográfica, oferecendo uma nova visão da história de Alexandre, Diná, Otávio Jordão e Doutor Alberto para novas gerações, mais um filme espírita chega aos cinemas brasileiros. Aliás, este é um filão bastante explorado no cinema nacional dos últimos anos. Sexo [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">No momento em que somos bombardeados pela notícia de que a novela <em>A Viagem</em> (1994) ganhará uma versão cinematográfica, oferecendo uma nova visão da história de Alexandre, Diná, Otávio Jordão e Doutor Alberto para novas gerações, mais um filme espírita chega aos cinemas brasileiros. Aliás, este é um filão bastante explorado no cinema nacional dos últimos anos. <em>Sexo e Destino</em>, dirigido por Márcio Trigo, é baseado em um best-seller do espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira, que começa como um drama amoroso relativamente simples.</p>



<p class="has-text-align-center">Marina (Letícia Agustin) e sua irmã Marita (Carol Macedo) apaixonam-se pelo mesmo homem, Gilberto (Bruno Gissoni). Gilberto, inicialmente, é o namorado de Marita. Só que ele nunca a amou de verdade. A certeza vem quando conhece Marina, que, por sua vez, se encanta e corresponde sem saber que ele é o namorado de sua irmã. O choque provocado pela descoberta da traição parece apontar para um melodrama centrado nesse triângulo amoroso, mas o filme rapidamente abandona esse conflito inicial para seguir por outros caminhos.</p>



<p class="has-text-align-center">A história passa então a se apoiar nas famílias daqueles personagens e em seus dramas particulares. Marina e Marita são filhas de Cláudio (Antônio Fragoso) e Márcia (Raquel Rizzo), um casal consumido pelo desgaste do tempo, pelo alcoolismo e pela falta de afeto. Já Gilberto é filho de Nemésio (Tato Gabus Mendes) e Beatriz (Totia Meireles), uma mulher em estado terminal cuidada justamente por Marina, enfermeira da família. Tudo soa, do princípio ao fim, bastante rocambolesco e muito piegas.</p>



<p class="has-text-align-center">É nesse ambiente que surgem alguns dos conflitos mais relevantes da narrativa de&nbsp;<em>Sexo e Destino</em>, especialmente o assédio constante de Nemésio sobre a jovem. O problema é que, apesar da quantidade de personagens e conflitos, o longa-metragem nunca consegue organizar dramaticamente todas essas linhas narrativas de forma satisfatória.</p>



<p class="has-text-align-center">Existe uma velha máxima no cinema que diz que um roteiro escrito por muitas mãos costuma ser um roteiro fadado ao fracasso. Evidentemente, toda regra possui exceções.&nbsp;<em>Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)</em>&nbsp;(2015), vencedor do Oscar de Filme e Roteiro Original, foi escrito por quatro roteiristas e funciona brilhantemente. Em&nbsp;<em>Sexo e Destino</em>, infelizmente, isso não acontece. São seis roteiristas construindo uma trama, como eu já escrevi, rocambolesca e marcada por problemas graves de desenvolvimento.</p>



<p class="has-text-align-center">Um dos principais defeitos está justamente na transformação dos personagens. A doutrina espírita — assim como o cristianismo, de maneira geral — acredita na regeneração moral do indivíduo, na possibilidade de arrependimento e evolução espiritual. O problema é que, em&nbsp;<em>Sexo e Destino</em>, essas mudanças acontecem de forma abrupta demais. Personagens extremamente mesquinhos tornam-se pessoas melhores quase da noite para o dia, sem que o roteiro construa adequadamente esse processo. Assim, 1h50 de duração claramente não é suficiente para desenvolver tantos dramas, conflitos e arcos de forma simultânea e satisfatória.</p>



<p class="has-text-align-center">As atuações de&nbsp;<em>Sexo e Destino</em>&nbsp;também pouco ajudam. E, quando personagens frágeis encontram interpretações pouco convincentes, o resultado, inevitavelmente, desaba. O elenco reúne nomes experientes e conhecidos, como Tato Gabus Mendes, Totia Meireles, Antônio Fragoso e Rafael Cardoso — este, o melhor em cena, mas abandonado lá pelas tantas pelo texto para ser resgatado só mais tarde —, porém o centro emocional da história reside em Bruno Gissoni e Letícia Agustin.</p>



<p class="has-text-align-center">Bruno é um ator competente, mas aqui parece não encontrar o tom do personagem em nenhum momento. Já Letícia, que eu não conhecia até assistir ao filme, infelizmente causa uma impressão ruim. Sua Marina não possui carisma, não convence emocionalmente e tampouco estabelece uma química minimamente sólida com Gilberto. Soma-se a isso uma direção extremamente convencional de Márcio Trigo, incapaz de dar personalidade ao longa-metragem. A sensação constante é a de um diretor operando o tempo todo no piloto automático.</p>



<p class="has-text-align-center">Talvez o momento que melhor sintetize os problemas do filme esteja em seu terço final, quando&nbsp;<em>Sexo e Destino</em>&nbsp;decide mergulhar de vez na doutrina espírita e apresentar as vidas passadas daqueles personagens. O longa retorna ao Brasil Colônia, ao Rio de Janeiro do século XVIII. A intenção é claríssima: explicar espiritualmente os sofrimentos, os comportamentos e as relações daquelas pessoas no presente, partindo da crença espírita de que a alma reencarna sucessivas vezes em busca de evolução moral.</p>



<p class="has-text-align-center">Em teoria, este é um elemento dramaticamente poderoso. Na prática, porém, o recurso surge tarde demais, é desenvolvido às pressas e acaba ampliando ainda mais a sensação de desorganização narrativa.&nbsp;<em>Sexo e Destino</em>&nbsp;até possui temas interessantes e um material filosófico rico em mãos, mas falha justamente no mais importante: transformar tudo isso em cinema vivo, envolvente e dramaticamente consistente. Agora, é torcer para que a nova versão de&nbsp;<em>A Viagem</em>&nbsp;seja melhor e não macule o clássico televisivo.</p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares.</p>
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		<title>O Mandaloriano e Grogu se afasta da essência da série</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cesar Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[George Lucas]]></category>
		<category><![CDATA[O Mandaloriano e Grogu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando a Lucasfilm decidiu retomar Star Wars nos cinemas após um hiato de sete anos, uma resolução era inegociável: não causar divisão ou polêmica entre os fãs. A trilogia que encerrou a chamada saga Skywalker não é exatamente uma unanimidade positiva entre os fãs da franquia, por isso, a Disney resolveu lançar mão de um produto de [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Quando a Lucasfilm decidiu retomar <em>Star Wars</em> nos cinemas após um hiato de sete anos, uma resolução era inegociável: não causar divisão ou polêmica entre os fãs. A trilogia que encerrou a chamada saga Skywalker não é exatamente uma unanimidade positiva entre os fãs da franquia, por isso, a Disney resolveu lançar mão de um produto de reputação ilibada: a série <em>O Mandaloriano</em>. O filme <em>O Mandaloriano e Grogu</em> traz exatamente esta segurança de que o estúdio precisava para um recomeço (talvez até um reboot) do universo criado por George Lucas na plataforma em que gera mais frisson: o cinema. Afinal de contas, ambas as retomadas de <em>Star Wars</em> nas telonas – <em>A Ameaça Fantasma</em> e <em>O Despertar da Força</em> – provocaram uma corrida às salas, enchendo os cofres com arrecadações na casa dos bilhões. O filme de 2015 fez 2 bilhões nas bilheterias, metade do valor da compra da Lucasfilm pela Disney.</p>



<p class="has-text-align-center">E se a estratégia é lucro certo, nada mais acertado do que apostar no principal ativo de&nbsp;<em>Star Wars</em>&nbsp;nos últimos anos: o pequenino Grogu, também conhecido vulgarmente como Baby Yoda (quando era chamado na série apenas de &#8220;A Criança&#8221;, devido ao fato de pertencer à mesma espécie do velho mestre Jedi). Enquanto os produtos licenciados dos novos filmes encalhavam nas prateleiras das lojas, os bonecos do pequeno sensitivo da Força vendiam aos borbotões. E as&nbsp;<em>action figures</em>&nbsp;do mercenário que dá nome à série também não faziam feio. Era questão de tempo para a dupla chegar aos cinemas.</p>



<p class="has-text-align-center">Ambientado após a queda do Império, o filme acompanha o mandaloriano Din Djarin, vivido por Pedro Pascal, e Grogu em uma nova jornada pela galáxia. Em meio ao processo de reconstrução política conduzido pela Nova República, a dupla se vê envolvida em uma missão que a leva a rastrear remanescentes imperiais e senhores da guerra escondidos em diferentes regiões do universo. Dando continuidade aos eventos da série, a trama aplica a receita que fez de&nbsp;<em>Star Wars</em>&nbsp;o fenômeno de massa que se tornou: aventura, ação e o vínculo entre mestre e aprendiz em um cenário de guerra — ou, neste caso, marcado pelas consequências dela.</p>



<p class="has-text-align-center">Aliás, vale ressaltar que, além de trazer <em>Star Wars</em> de volta aos cinemas, o filme também é imbuído de um aspecto de reencontro do público com a série que pavimentou a galáxia muito distante no streaming da Disney, e com muito sucesso. A questão é que, no afã de conquistar todos os públicos — o juvenil, os não iniciados e os fãs consolidados —, <em>O Mandaloriano e Grogu</em> não se arrisca e apenas reproduz o que já deu certo na franquia. Estão ali a artilharia imperial, agora usada pelos remanescentes (os andadores AT-AT enchem os olhos na tela do IMAX); a vilania dos hutts, raça a que pertencia Jabba, de <em>O Retorno de Jedi</em>, agora representada por seu filho e membros da família nada nobres; a grande besta que habita uma cova; e as manobras da Razor Crest e de X-Wings. Porém, essa versão cinematográfica deixa um pouco de lado o que sua contraparte televisiva tinha de melhor, e que foi responsável pela fidelização dos fãs: explorar os aspectos mais interessantes do mundo criado por Lucas e ampliá-los com explicações plausíveis, mirando em um público já crescido. Aqui, as coisas são como são porque são, e maiores detalhamentos são vistos como entrave para que cenas de ação desenfreadas se encadeiem.</p>



<p class="has-text-align-center">Jon Favreau, criador da série — e que chegou a ser um dos nomes cogitados para comandar&nbsp;<em>O Despertar da Força</em>&nbsp;antes da escolha de J.J. Abrams —, era a escolha mais óbvia para o projeto. Não só por ser o dono do brinquedo, mas por ter sido ele o responsável por iniciar o Universo Cinematográfico da Marvel com seu&nbsp;<em>Homem de Ferro</em>, em 2008. Se era preciso alguém que entendesse de construir franquias, ele era o nome certo. Sua direção segue o convencional, sem grandes ousadias, e sempre prestando tributo tanto aos longas, sobretudo à Trilogia Clássica, quanto aos episódios da série. No entanto, por mais que o novo longa se venda como uma nova aventura de Din Djarin e Baby Yoda em uma escala cinematográfica, essa ambição já estava presente na série do Disney+ em diversos episódios, sobretudo nas duas primeiras temporadas. O roteiro assinado por Favreau e Dave Filoni (sucessor direto de Lucas e atual manda-chuva criativo da Lucasfilm) é estruturado em cima de situações familiares para quem acompanhou a série, sem nenhuma surpresa ou reviravolta para o arco dos personagens.</p>



<p class="has-text-align-center">No Brasil,&nbsp;<em>O Mandaloriano e Grogu</em>&nbsp;ganhou o prefixo&nbsp;<em>Star Wars</em>&nbsp;no título para garantir o interesse do público amplo. Uma manobra compreensível, já que por aqui a franquia, apesar de popular, não tem o mesmo apelo que possui nos Estados Unidos. O nome de Pedro Pascal também pode atrair plateias, apesar de ele não tirar o capacete por grande parte do tempo e em diversos momentos ser substituído por dublês. Sigourney Weaver, a eterna Ripley de&nbsp;<em>Alien</em>, está ali para arrancar um largo sorriso dos fãs de sci-fi no papel de uma coronel da Nova República, e as curiosas participações de Jeremy Allen White e até Martin Scorsese como dubladores podem ser consideradas atrativos. Já Grogu, como era de se esperar, está ali apenas para fazer gracinha e renovar o merchandising, já que seu arco se fechou no último episódio da segunda temporada e na terceira e última já estava relegado a essa função. Essa empreitada da Lucasfilm busca resgatar, sobretudo, o espírito de matinês que tanto influenciou o&nbsp;<em>Star Wars</em>&nbsp;de 1977, e o objetivo foi alcançado. O longa é um entretenimento ligeiro e eficaz. O pecado é jogar tão seguro que acaba abrindo mão da essência audaciosa da série.</p>
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		<title>Erupcja coloca Charli XCX à prova em desencontro de maturidades</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Francisco Carbone]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um vulcão em erupção, no cinema, pode ser utilizado como um simbolismo que remeta&#160;à explosão de uma paixão, ao início de um fato histórico grave, ao sinal de um perigo iminente que, enfim, se tornou realidade. Em&#160;Erupcja, essa imagem que poderia ter uma visão de alegoria em uma narrativa, é transformada em outra&#160;forma de símbolo [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Um vulcão em erupção, no cinema, pode ser utilizado como um simbolismo que remeta&nbsp;à explosão de uma paixão, ao início de um fato histórico grave, ao sinal de um perigo iminente que, enfim, se tornou realidade. Em&nbsp;<em>Erupcja</em>, essa imagem que poderia ter uma visão de alegoria em uma narrativa, é transformada em outra&nbsp;forma de símbolo de dentro para fora do roteiro.&nbsp;Com sua atividade se mostrando um reflexo de alguns acontecimentos que estão em curso nos últimos 15 anos, o filme parte de uma apresentação de proposta inusitada para nos inserir em uma moldura cada vez mais reconhecível. De forma tão delicada esteticamente quanto baseada em alguns clichês, essa busca inicial julga romper com os lugares comuns que narrativas românticas&nbsp;empreendem; o resultado surpreende.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">De apresentação experimental, o que&nbsp;<em>Erupcja&nbsp;</em>tem entre suas características mais especiais é a capacidade de colocar um véu entre o espectador e as texturas de seu roteiro, com o jogo entre os personagens se definindo de maneira mais naturalista do que a sugestão previa. Essa ilusão permite um aprofundamento que se dá por órbitas distintas, primeira tateando no escuro de relações que parecem pouco usuais, de construção mágica, até atingir um coloquialismo que seduz os olhos de quem acompanha. O resultado é uma obra que se transmuta para uma lógica menos marcada, a princípio, mas cujo novelo é desvendado mais rápido do que se imagina.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Erupcja&nbsp;</em>conquista pela sinceridade com que seus temas são tratados, enquanto seu grupo de protagonistas é tomado de questões demasiadamente humanas. Então gradativamente o contexto fantástico cede lugar ao que é sua intencional ao roteiro e mesmo à realização: promover a arte do encontro &#8211; e quando há encontro, evidentemente há desencontro. Histórias são contadas em formato audiovisual há mais de 100 anos, e essencialmente teremos esse ponto de partida como base; o que é traduzido aqui é o tempo. Tudo o que deveria acontecer já está posto pelos seus personagens antes da história se abrir para o espectador, como se a chegada do público acontecesse intempestivamente. Já perdemos o ponto de partida, o que nos resta então descobrir?&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Bethany ainda não sabe, mas será pedida em casamento por Rob em Varsóvia. Nel ainda não sabe, mas uma nova visita de Bethany tornará suas decisões um pouco mais confusas. Rob ainda não sabe, mas o reencontro entre sua namorada e essa amiga distante mudará o rumo de coisas que ele imaginava concreto. Da natureza das pessoas surge o olhar que devemos lançar sobre&nbsp;<em>Erupcja</em>; cada um dos tipos representados por essas três figuras estabelece um lugar social e emocional entre possíveis normas, prestes a serem quebradas. Por exemplo: homens são, em linhas gerais, pouco atentos ao que não é sua vontade e seu lugar no mundo. Ou seja, as certezas de Rob deveriam ser mais frágeis, mas ele não percebe o que é muito óbvio e até meio clichê.</p>



<p class="has-text-align-center">A direção e o roteiro de Pete Ohs garantem, no primeiro quesito, uma certa crueza de imagens e da qualidade das encenações. Há o despojamento do tratamento da luz e dos enquadramentos, o que nos carrega para um aspecto de baixo orçamento que se aproveita desse naturalismo para arraigar também no plano e na moldura de cena algo possível, quase como um documentário da vida real. Essa aproximação ao coloquial é provado no segundo quesito, que Ohs divide com seu quarteto de atores centrais &#8211; há mais um elemento além do triângulo central &#8211; e que convergem&nbsp;<em>Erupcja&nbsp;</em>para longe de uma ideia de sofisticação da arte por si só. Essa intrínseca qualidade do filme não está na elaboração formal, mas justamente no gradativo desprendimento das mesmas.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">No grupo de protagonistas, uma figura chama atenção por seu status extra fílmico: Charlie XCX, uma das cantoras pop mais influentes da atual geração, está em sua primeira produção de ficção aqui (e mês que vem já estreia&nbsp;<em>100 Noites de Desejo</em>), onde em breve muitos outros virão. Ela é Bethany e seu rosto combina com algo de inconsequente que a personagem tem, entrando e saindo das vidas alheias com alguma desfaçatez, porém sem vilania. Seu trabalho corporal é sutil e cabe à essa dimensão de naturalismo que o filme quer imprimir, onde todos vivem mais do que necessariamente encenam algo &#8211; amor, desejo, decepção, medo. Dessa forma, tanto Lena Góra quanto Will Madden seguram alguma dramaticidade, no que a composição coletiva comporta as qualidades do trabalho final.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Cabe a&nbsp;<em>Erupcja&nbsp;</em>então a dupla tarefa de carregar aos cinemas os fãs de uma artista de visibilidade jovem, e também ao espectador médio que não está conectado às paradas da Billboard. Ambos devem ser contemplados por essa narrativa que se escora no possível para desembaralhar corredores de aparência impossível. Uma história de amor, ciúme, perda, começos e recomeços em torno de um trio que se materializa na tela com o formato mais próximo possível. E essa acaba sendo outro artigo importante ao filme, vestir de normalidade um filme estrelado por uma artista da música. Essa combinação geralmente não é atrelada ao retrato comum, mas aqui isso acaba se mostrando um acerto e uma surpresa, bastante bem-vinda.</p>
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		<title>Na Zona Cinzenta: Guy Ritchie está de volta com muito tiro, porrada e bomba</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alê Shcolnik]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 May 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Guy Ritchie está de volta aos cinemas com Na Zona Cinzenta. No longa, Jake Gyllenhaal, Henry Cavill e Eiza González são contratados para reaver uma fortuna bilionária que foi roubada. Recheado de cenas de ação como a gente gosta (e como só Guy Ritchie sabe fazer), Na Zona Cinzenta traz sequências de ação frenéticas e [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Guy Ritchie está de volta aos cinemas com <em> Na Zona Cinzenta</em>. No longa, Jake Gyllenhaal, Henry Cavill e Eiza González são contratados para reaver uma fortuna bilionária que foi roubada. Recheado de cenas de ação como a gente gosta (e como só Guy Ritchie sabe fazer), <em>Na Zona Cinzenta</em> traz sequências de ação frenéticas e eletrizantes, planos elaborados em uma trama de tirar o fôlego. Aliás, essa é a terceira parceria de Eiza González com o diretor e roteirista, com o qual já tinha trabalhado em <em>Guerra sem Regras</em> e <em>A Fonte da Juventude</em>.  </p>



<p class="has-text-align-center">Como em <em>Esquema de Risc</em>o, <em>Infiltrado</em>, <em>Snatch &#8211; Porcos e Diamantes,</em> entre outros filmes do diretor, Guy Ritchie faz de suas obras um cinema marcado por uma estética forte, marcada por cores vivas, que instigam a violência. A temática da vingança, de fato, faz parte dos filmes do cineasta, o que obviamente nos leva a filmes violentos, porém nem sempre sanguinários. Ritchie tem o cuidado de trabalhar sua paleta de cores em uma trama onde seus personagens são bem definidos por elas. </p>



<p class="has-text-align-center"><em>Na Zona Cinzenta</em> é aquele tipo de filme com uma nova classe de criminosos e justiceiros em busca de dinheiro acima de tudo. O titulo em inglês &#8220;In The Gray&#8221; remete a um termo onde regras não são aplicadas e muita vezes requer interpretações.  stamos falando de falta de limites morais, onde as fronteiras não são claramente definidas como boas ou más.</p>



<p class="has-text-align-center">O filme acompanha Sophia (González), uma negociadora com ampla experiência em transações milionárias que se utiliza de todos os meios possíveis para completar sua tarefa. Quando recebe uma missão de alto nível, convoca seus dois agentes de elite, Bronco (Gyllenhaal) e Sid (Cavill), para realizar um plano elaborado que garanta sua fuga de uma ilha fortemente guardada. </p>



<p class="has-text-align-center">Do outro lado da mesa está um fugitivo poderoso, interpretado por Carlos Bardem. É ele quem está no comando do território onde as negociações serão realizadas e em posse do dinheiro que Sophia precisa recuperar. A dinâmica entre os dois se torna rapidamente uma caçada de gato e rato com cada um se utilizando das ferramentas à sua disposição para render o adversário. </p>



<p class="has-text-align-center">Ao melhor estilo Guy Ritchie, as cenas de ação são temperadas em tiro, porrada e bomba. Mas, em meio aos fortes homens e suas armas, o que chama atenção é o fato de a trama ter duas mulheres como as grandes chefonas da história. Rosamund Pike e Eliza González são quem verdadeiramente dão as ordens. Porém só uma delas vencerá mesmo que estejam do mesmo lado do jogo.</p>
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		<title>O Rei da Internet traz estética Pop, dinâmica e ágil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>De vez em quando, nós, críticos de cinema, somos surpreendidos por filmes que não imaginávamos assistir. Isso aconteceu comigo no ano retrasado, com&#160;Bandida: A Número 1&#160;(2024), de João Wainer, sobre uma criminosa real nos morros do Rio de Janeiro. Agora, sob a direção de Fabrício Bittar, acabei de assistir ao longa-metragem&#160;O Rei da Internet, outra [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">De vez em quando, nós, críticos de cinema, somos surpreendidos por filmes que não imaginávamos assistir. Isso aconteceu comigo no ano retrasado, com&nbsp;<em>Bandida: A Número 1</em>&nbsp;(2024), de João Wainer, sobre uma criminosa real nos morros do Rio de Janeiro. Agora, sob a direção de Fabrício Bittar, acabei de assistir ao longa-metragem&nbsp;<em>O Rei da Internet</em>, outra história real, um autêntico true crime sobre Daniel Nascimento, o maior hacker do Brasil no início do século XXI.</p>



<p class="has-text-align-center"><em>O Rei da Internet</em>&nbsp;narra a ascensão de Daniel, que, com apenas 16 anos, tornou-se um fenômeno, ganhando mais de um milhão de reais mensais, em uma vida que pais como o dele jamais poderiam proporcionar. Interpretado por João Guilherme Ávila, o personagem explora os primórdios da internet no Brasil, uma ferramenta que o fez superar a timidez, o bullying escolar e a total falta de jeito com as meninas, para se tornar, assim, um protagonista no mundo digital, onde se considerava imbatível.</p>



<p class="has-text-align-center">Fabrício Bittar, oriundo da MTV Brasil, onde dirigiu programas como, por exemplo, <em>Verão MTV</em>, utiliza muito de sua experiência pregressa em <em>O Rei da Internet</em>. A estética Pop, dinâmica e ágil é a marca do diretor, que aqui vive o seu melhor momento, entregando uma obra à altura do surpreendente <em>Os Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro</em>(2018). A influência visual e narrativa típica de videoclipes permeia cada cena e cada frame, conferindo um ritmo de blockbuster, mesmo sem o orçamento de um.</p>



<p class="has-text-align-center">Aliás, o elenco reforça essa força narrativa: João Guilherme brilha no papel principal; Marcelo Serrado encarna o poderoso chefão da quadrilha que recruta o adolescente prodígio, já Emilio de Mello dá vida ao pai preocupado com a honra da família e Débora Ozório vive a inocente namoradinha de Daniel. Mesmo com 2h16, o longa-metragem se desenrola de forma tão envolvente, vibrante e acelerada que o tempo passa sem que se perceba. A voz em off de João Guilherme conduz o espectador, revelando os bastidores dessa vida de hacker.</p>



<p class="has-text-align-center">O filme não impõe uma lição moral. Daniel, após ser preso, hoje vive de forma relativamente modesta, dando palestras e prestando consultoria sobre cibersegurança, mas sem qualquer sinal de arrependimento. Assim como outras obras de Bittar,&nbsp;<em>O Rei da Internet</em>&nbsp;desafia o politicamente correto, privilegiando uma narrativa honesta e sem maniqueísmos. É um filme pop, ágil, uma ótima pedida para quem quer diversão, sem abrir mão da reflexão sobre os riscos da internet.</p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares e ótima diversão.</p>
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		<title>O Gênio do Crime, adaptação da obra literária de João Carlos Marinho, chega aos cinemas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Francisco Carbone]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em uma semana com uma quantidade absurda de estreias nacionais, onde grande parte deles é acima da média (O Rei da Internet, Eu Não Te Ouço e o melhor filme brasileiro do ano até agora, Mambembe), uma produção infanto-juvenil mostra como seria bom viver em uma indústria séria e reconhecida. O Gênio do Crime, dirigido por Lipe Binder, é [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Em uma semana com uma quantidade absurda de estreias nacionais, onde grande parte deles é acima da média (<em>O Rei da Internet</em>, <em>Eu Não Te Ouço </em>e o melhor filme brasileiro do ano até agora, <em>Mambembe</em>), uma produção infanto-juvenil mostra como seria bom viver em uma indústria séria e reconhecida. <em>O Gênio do Crime</em>, dirigido por Lipe Binder, é uma peça rara dentro de uma engrenagem pesada de destruição de mão de obra especializada; na indústria, é priorizado o resultado a qualquer custo. A intenção aqui é conectar o espectador a um universo criado há mais de 55 anos, sem subjugar a análise desse público final. Ou seja, não é porque se trata de uma produção pensada no público jovem, que o verniz não precisa estar lá. Vindo de um profissional acostumado a rapidez de entrega de conteúdo da televisão, o resultado é assustador &#8211; no melhor sentido possível. </p>



<p class="has-text-align-center">Binder está por trás de novelas de qualidade indiscutível (<em>Cabocla</em>,&nbsp;<em>Sinhá Moça</em>,&nbsp;<em>A Lua me Disse</em>), alguma premiadas internacionalmente (<em>Verdades Secretas</em>,&nbsp;<em>Arcanjo Renegado</em>,&nbsp;<em>Império</em>) e essa é apenas a estreia de um &#8220;jovem&#8221; cineasta que parece pronto para ganhar o mundo. Se com&nbsp;<em>O Gênio do Crime</em>, Binder já surpreende com um filme de linguagem cinematográfica clara, esteticamente inventivo e com uma narrativa desenvolvida de forma deliciosa, desejamos conhecer seu futuro. Com um olhar para o presente, o filme é a adaptação do clássico infanto-juvenil escrito por João Carlos Marinho em 1969, cujos roteiristas Ana Reber e Marcos Ferraz trazem para os dias de hoje com absoluta destreza. Na tela, vemos a agilidade do hoje com o sabor da nostalgia de um tempo onde as crianças viviam sem os perigos de uma grande cidade como São Paulo.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Apesar desse suposto anacronismo &#8211; quantas crianças hoje podem se sentir seguras andando pelo centro da maior cidade do&nbsp;país e dormindo sozinhas em um ferro velho? &#8211;&nbsp;<em>O Gênio do Crime&nbsp;</em>não soa exagerado, ou deslocado no tempo. A sensação é de uma espécie de&nbsp;<em>Menino Maluquinho&nbsp;</em>para a geração 2020, onde a inocência de outrora, no tratamento entre os personagens e na textura de suas ações, foi substituída por uma esperteza condizente com os tempos atuais, sem incutir na imagem alguma subversão ordinária. Em prol da obra, temos ritmo de filme de aventura, uma tensão providencial e um bom humor inteligente, que vai do desenho dos personagens até a acertada escalação de um elenco nada óbvio.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Além disso,&nbsp;<em>O Gênio do Crime&nbsp;</em>tem uma delicadeza pouco comum para um filme que se pretende diversão em larga escala, que não desequilibra o resultado final de um filme que merece encontrar reverberação. Junto a outro título como&nbsp;<em>O Último Episódio</em>, dirigido por Maurílio Martins, Binder mostra que o cinema industrial tem salvação estética. Não é só a narrativa que funciona, unindo um quarteto de pré -adolescentes na busca por um falsificador de figurinhas do álbum da Copa 2026 (sim, o filme é urgente nesse grau!), mas o ritmo com que essa jornada é contada, sempre sendo impulsionada. Tem a energia que vem faltando inclusive a similares gringos, como&nbsp;<em>Um Filme Minecraft</em>, que é refém de uma marca; independente do livro, sua adaptação sobrevive a uma revisão particular porque, acima de tudo, essa é uma peça de desenvolve bem tudo o que se propõe.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Da construção do quarteto de protagonistas, passando pela descoberta do vilão, indo até a doçura desenvolvida por Ailton Graça, e os atores adultos no geral,&nbsp;<em>O Gênio do Crime&nbsp;</em>não deixa nada a dever a qualidade de material que o produtor Márcio Fraccaroli, a bordo da Paris Filmes, desenvolveu na franquia&nbsp;<em>Turma da Mônica</em>, por exemplo. Isso ainda é aliado a pelo menos dois profissionais parceiros de Kleber Mendonça Filho que estão no projeto: o diretor de arte Thales Junqueira e o fotógrafo Pedro Sotero, que não realizam aqui trabalhos menos esmerados. São peças fundamentais para que o filme tenha um padrão elevado e que isso não seja colocado de maneira artificial em cena.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Mas o arremate que provoca o diferencial, como sempre, é o humano. <em>O Gênio do Crime </em>não seria metade do que é, sem a distinção de valores elencados pelo roteiro e que atravessam o elenco de maneira sutil. Em tempos de uma masculinidade tóxica que sai da realidade para o audiovisual (vocês estão acompanhando <em>Pela Metade</em>, minissérie sobre o assunto na HBO?), a amizade e as inimizades, que o filme espelha refletem uma realidade sem floreios, mas com carga de humanidade indelével. Não é sobre &#8216;bullying&#8217;, ou sobre traições juvenis, mas sobre como isso está em tela, provocando o debate sem a carga depressiva que o cinema empregue no tema. Nenhum assunto deveria ser proibido, e sim a maneira irresponsável como cada elemento é exposto, independente da faixa etária pretendida. </p>



<p class="has-text-align-center">A configuração desses valores está impressa nas telas através de um elenco onde só existem acertos. Mas é fácil falar de atores como o já citado Graça, ou Marcos Veras, Rafael Losso, Douglas Silva, Estevam Nabote ou casal de pais de João, o líder dos protagonistas, vividos por Fafá Rennó e Thelmo Fernandes; todos já são previamente ótimos. O encontro com a Turma do Gordo é que faz de&nbsp;<em>O Gênio do Crime&nbsp;</em>algo especial: Breno Kaneto, Samuel Estevam, Bella Alelaf (que já esteve ótima em&nbsp;<em>Um Pai em Apuros</em>) e Francisco Galvão, principalmente, por estar nessa liderança, conduzem o filme por um terreno sempre seguro. O quarteto transforma a sessão em uma experiência ainda mais deliciosa, e, entendendo as leis de um mercado do qual o filme faz parte, a torcida pelo sucesso de bilheteria tem motivo duplo. Em primeiro lugar, porque&nbsp;<em>O Gênio do Crime&nbsp;</em>é bom o suficiente para merecê-lo, e em segundo, porque será incrível reencontrar esses personagens numa ideia de continuação. Que venha!&nbsp;</p>
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		<title>Mortal Kombat 2 reacende os bons tempos (dos anos 1990) no joystick</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 16:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tão revolucionário quanto a jogabilidade realista do Mortal Kombat original, no fliperama, lá em 1992, foi o uso de uma trilha sonora de batida techno/industrial para embalar a chegada do game criado por Ed Boone e John Tobias aos consoles domésticos, como o Master System, no ano seguinte. A partir de 1993, ouviu-se a faixa &#8220;Techno Syndrome&#8221;, composta pela [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">Tão revolucionário quanto a jogabilidade realista do Mortal Kombat original, no fliperama, lá em 1992, foi o uso de uma trilha sonora de batida <em>techno/industrial</em> para embalar a chegada do <em>game</em> criado por Ed Boone e John Tobias aos consoles domésticos, como o Master System, no ano seguinte. A partir de 1993, ouviu-se a faixa &#8220;Techno Syndrome&#8221;, composta pela dupla belga The Immortals como tema para o jogo, não apenas nos quartos fedidos a chulé do nerds dos anos 1990 como em pistas de dança. No Rio, quem viveu a Kremlin, a Trigonometria, o Mello e afins, sentiu esse pancadão como um <em>zeitgeist</em> de uma era em que o videogame se empoderou. </p>



<p class="has-text-align-center">Aí veio 1995 e Paul W.S. Anderson levou &#8220;Mortal Kombat&#8221; para as telonas, com Christopher Lambert, o Highlander, ainda com tudo&nbsp;<em>em riba</em>, no papel de Lorden Raiden, um deus dos relâmpagos. &#8220;Techno Syndrome&#8221; estava lá, a embalar uma pancadaria que desafiava as CNTPs (que, para os que faltaram às aulas de Química, que dizer condições normais de temperatura e pressão) das narrativas de luta. Nada que Jean-Claude Van Damme ou Steven Seagel tinha feito até ali se comprava ao impacto de ver o monstro Goro, de quatro braços, moer gente no tapa.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Aliás, a cultura que move &#8220;Mortal Kombat&#8221;, em seus derivados cinematográficos, como o <em>reboot</em> com um inspiradíssimo Karl Urban, certamente não é a celebração da violência como catarse. É a cultura da sobrevivência, com tudo de mais letal que o verbo &#8220;sobreviver&#8221; se habilita a carregar. O tal &#8220;Techno Syndrome&#8221; é só sinestesia para tornar um debate sobre a lei determinista que assegura &#8220;só os mais fortes sobrevivem&#8221;. O <em>fatality</em> reza pela mesma homilia.</p>



<p class="has-text-align-center">No flíper, ali por 1994, o pleito&nbsp;<em>Fatality!</em>&nbsp;dos arcades de &#8220;Mortal Kombat&#8221; era o indício de uma revisão sanguinolenta do conceito de &#8220;golpe de misericórdia&#8221;. Tratava-se de uma deixa do jogo para que o vencedor &#8211; de um torneio entre guerreiros dotados de poderes fantásticos &#8211; desse cabo dos perdedores de maneira crudelíssima, com amputações. O monstruoso Baraka (vivido por CJ Bloomfield no novo filme de franquia), por exemplo, tinha lâminas em vez de mãos e com elas fazia de seus adversários um estrogonofe humano. &nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Esse clima&#8230; e a mesma boa e velha &#8220;Techno Syndrome&#8221; (agora rearranjada na banda musical de Benjamin Wallfisch) e os coagulantes&nbsp;<em>fatalities</em>&#8230; está tudo de volta em &#8220;Mortal Kombat 2&#8221;, que se estabelece como um dos filmes mais efervescentes de 2026, em taquicardia crescente, graças ao trabalho de seu produtor: James Wan. Midas no terror, onde nos deu &#8220;Invocação do Mal&#8221; e &#8220;Jogos Mortais&#8221;, o pai da Annabelle e da Freira usa todo o seu cabedal no assombro para ampliar o tom sombrio das batalhas entre craques das artes marciais. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Simon McQuoid, que assina a direção desta parte dois, constrói seus enquadramentos sob os auspícios de Wan, encontrando afinação plena com os meandros cinemáticos (de excelência) na pancada impostos ao cinemão pela saga &#8220;John Wick&#8221; (2014-2025). Stephen F. Windon, seu diretor de fotografia, vindo da cinessérie &#8220;Velozes e Furiosos&#8221;, é essencial para retratar o Outworld, o mundo fictício onde o quebra-pau se passa, como metonímia do Inferno. Na montagem, Stuart Levy vai na &#8220;velocidade cinco&#8221; sem dó. Engata a marcha da edição e não freia&#8230; nunca.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Mesmo sem breque, com pontapé atrás de pontapé, decapitação atrás de decapitação, esse feroz &#8220;Mortal Kombat 2&#8221; se humaniza, ao investiga as angústias das gentes que estão ali, no ringue, num octógono sem regras, para matar ou morrer, como é o caso da princesa Kitana (a inglesa nascida em Hong Kong Adeline Rudolph). Cabe (sobretudo) a ela deter os planos do ditador Shao Kahn (Martyn Ford), o senhor do tal Submundo (Underworld), para usar um medalhão mágico a fim de expandir seus poderes e dominar a Terra.&nbsp;<br><br>A fim de travá-lo, uma claque de guerreiros, liderados pela já citada divindade Lorde Raiden (agora encarnado por Tadanobu Asano), convoca um ator fracassado, Johnny Cage (o poço de carisma Karl Urban), para ajuda-los. Cage é um Van Damme falido. Bom, o Van Damme que a gente amava lá de &#8220;O Grande Dragão Branco&#8221; faliu também. O caso é que este, além de ser bom de briga, carrega um status profético de salvador do mundo que renega, até ser forçado a lutar à vera. Essa luta, contra o supracitado Baraka, é antológica.</p>



<p class="has-text-align-center">&nbsp;A presença luminosa de Urban gera sequências divertidas, num clima noventista nostálgico.</p>
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		<title>Nino: de sexta a segunda, de Pauline Loquès, trata com leveza um diagnóstico terminal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Alguns dos melhores filmes a que a gente assiste ao longo da vida, a gente assiste sem qualquer expectativa e, muitas vezes, longe de uma sala de cinema. Eu iria assistir a&#160;Nino: de sexta a segunda, um longa-metragem francês dirigido por Pauline Loquès, pequeno, mas absolutamente envolvente, tocante, na sala do NET Rio, em Botafogo. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">Alguns dos melhores filmes a que a gente assiste ao longo da vida, a gente assiste sem qualquer expectativa e, muitas vezes, longe de uma sala de cinema. Eu iria assistir a&nbsp;<em>Nino: de sexta a segunda</em>, um longa-metragem francês dirigido por Pauline Loquès, pequeno, mas absolutamente envolvente, tocante, na sala do NET Rio, em Botafogo. Mas uma falta de luz, que deixou o cinema por mais de 12 horas no escuro, acabou me obrigando a ver esse filme em casa, por meio de um link divulgado pela assessoria de imprensa e pela distribuidora brasileira da obra.</p>



<p class="has-text-align-center">Com certeza, a experiência não é igual; assistir em casa não é a mesma coisa que no cinema, porque a sala de cinema dá condições de mergulho, de se aprofundar no filme, que o ambiente caseiro não oferece. Ainda assim, essa foi uma obra que me marcou e que já consigo rotular como inesquecível.&nbsp;<em>Nino: de sexta a segunda</em>&nbsp;retrata três dias na vida do personagem-título, vivido por Théodore Pellerin, um rapaz que, na manhã de uma sexta-feira, um dia após completar 28 anos, vai a um hospital de Paris buscar os resultados de um exame de rotina para solicitar uma simples licença médica. Só que as coisas, às vezes, não acontecem conforme imaginamos.</p>



<p class="has-text-align-center">Ao chegar lá, a recepcionista pede que ele vá ao consultório no andar superior. Ele não entende, pois achava que era só pegar os exames. No entanto, naquela cena rápida, logo percebemos que o resultado não era nada rotineiro. Em choque, Nino segue a orientação e, ao chegar lá, a médica, com uma calma para lá de blasé, informa que ele tem câncer na garganta e que o tratamento precisa começar na segunda-feira. Neste instante, o título do filme em português,&nbsp;<em>Nino: de sexta a segunda</em>, justifica-se como poucas vezes nestes anos todos de traduções e adaptações mal-ajambradas. Essa cena inicial é o ponto de partida para três dias que virarão de cabeça para baixo a vida do protagonista.</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Nino: de sexta a segunda</em>&nbsp;tem uma temática pesada, complicada e, por isso, poderia ser bastante denso. Todavia, Loquès consegue tratar tudo com extrema leveza. Enxergamos esses três dias como uma jornada de interiorização, de aceitação daquela nova condição e de encontros e reencontros importantes. Nino busca a ex-namorada, vai à casa da mãe, passa o sábado à noite em uma festa que era para ser surpresa para ele e onde timidamente tenta conversar com seu melhor amigo sobre sua doença e, por fim, no domingo, após uma venda de garagem, reencontra uma colega de escola com quem cria uma conexão imediata e a quem, naturalmente, ele confia sua situação. Por essa e por outra cena, é interessante ver como o protagonista consegue se abrir muito mais com quem ele não tem uma intimidade prévia do que o contrário.</p>



<p class="has-text-align-center">A leveza da direção é um dos grandes trunfos de&nbsp;<em>Nino: de sexta a segunda</em>. A cineasta consegue tratar um tema tão pesado com uma delicadeza quase ímpar. Eu só vi algo parecido uma vez, ano passado, em&nbsp;<em>Uma Bela Vida</em>, de Costa-Gavras. Pode ser que outros filmes tenham provocado em mim a mesma sensação; porém, por ora, não me recordo de nada semelhante.&nbsp;<em>A Pior Pessoa do Mundo</em>&nbsp;também me tocou bastante, mas por motivos que nada têm a ver com doenças. Dito isto, a jornada de Nino é, ao mesmo tempo, séria e fluida, em grande parte devido aos tais encontros e desencontros. A capacidade do filme de equilibrar seriedade e doçura é rara. Quando li a sinopse, confesso que tive receio, mas fui surpreendido pela sutileza com que Loquès conduz a narrativa.</p>



<p class="has-text-align-center">A razão dessa minha experiência tão pessoal com&nbsp;<em>Nino: de sexta a segunda</em>&nbsp;se deve ao fato de que, em 2025, eu perdi um amigo para o câncer. O filme me fez revisitar esse luto e entrar em contato íntimo com os meus próprios pensamentos intrusivos (daí o receio na hora em que li a sinopse). Não foi nada fácil, mas a diretora, com o seu olhar sensível, típico de um cinema francês capaz de unir leveza e importância, tornou a minha jornada, assim como a do protagonista, um pouco menos complicada. Por fim, de algum modo, creio que, por se tratar de um estudo de personagem, o trabalho de Pauline Loquès me remeteu ao da maior cineasta de todos os tempos, Chantal Akerman, que era belga, mas fazia um cinema com nuances francesas.</p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares e excepcional diversão.</p>
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		<title>Edifício Bonfim explora o universo fantástico e de terror</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Francisco Carbone]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Filmes de terror remetem a muitas coisas, em sua construção. A uma ideia de medo, essencialmente, um componente essencial para garantir a boa forma do que está em produção, e da relação entre obra e espectador. E esse medo geralmente estará atrelado a elementos externos &#8211; fantasmas, pesadelos, animais ferozes, o Mal encarnado, a própria [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Filmes de terror remetem a muitas coisas, em sua construção. A uma ideia de medo, essencialmente, um componente essencial para garantir a boa forma do que está em produção, e da relação entre obra e espectador. E esse medo geralmente estará atrelado a elementos externos &#8211; fantasmas, pesadelos, animais ferozes, o Mal encarnado, a própria morte. Talvez todas essas figuras, e algumas outras de surpresa, estejam a bordo de&nbsp;<em>Edifício Bonfim</em>, que estreia essa semana nas telas grandes do país. Porque o filme abre uma caixa e mistura elementos em suas três histórias, que acabam se encontrando na gênese do horror enquanto gênero de cinema, e que o fazem fascinante para longe do que ele acaba apresentando, de suas qualidades narrativas e estéticas.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Em tese,&nbsp;<em>Edifício Bonfim&nbsp;</em>nem se configura como um filme de gênero, e o público que acessar a obra no escuro, será ainda mais surpreendido &#8211; e provavelmente terá ainda mais motivos para comemorar, como quem aqui escreve. Porque tal jogo não é aberto de cara pelo filme, que nos apresenta uma reunião de condomínio onde os presentes da reunião serão os protagonistas de cada um dos episódios que o filme apresenta. Isso é pouco natural em apresentação, e torna a apresentação dessa experiência como algo divertido, além de abrir um leque de personalidades que o próprio filme trata de comentar, ou distorcer. Estão todos ali, e irão em sequência apresentar suas narrativas em diferentes códigos do horror, outra camada que o filme não deixa escapar, de homenagem em homenagem, de leitura em leitura.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Lígia Walper e seu filho, Tomás, assinam a direção de&nbsp;<em>Edifício Bonfim</em>, uma das produções mais curiosas do cinema brasileiro recente. Primeiro, porque filmes de terror ainda são novidades na nossa cinematografia; segundo porque mãe e filho assinarem uma mesma produção é igualmente raro; terceiro porque trata-se de uma produção do Sul do país, que não é das regiões que mais costumam estrear novos títulos, de qualquer gênero. Tabajara Ruas, companheiro de uma e pai do outro, é um dos pilares do cinema gaúcho, por trás de obras como&nbsp;<em>Netto Perde Sua Alma</em>, e aqui atua como produtor. O encontro entre essas leituras tão diferentes de cinema, mostram um caminho que pulsa dentro de uma ala ainda pouco habitada do nosso audiovisual, mas cuja exploração é visivelmente crescente.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">As intenções exploradas &#8211; todas de inquietação visível, dedicação certeira e uma sede de curiosidade exemplar &#8211; apagam os problemas que o filme apresenta. O excesso de comunicação auditiva, é um deles; o enxerto de um cancioneiro quase ininterrupto no filme, abafa as qualidades das composições criadas especialmente para o projeto, e não deixa também que o trabalho de som seja valorizado. Além disso, existe uma equalização desencontrada entre os diálogos e as ações de fato, mas que deixam a produção em menor competência do que poderíamos esperar. Para um filme que tem visível prazer em sua ambição sonora, as decisões finais mais atrapalham que ajudam o conjunto.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">A própria encenação parece quase televisiva, já a fotografia parece retirada de alguma novela antiga, dos anos 2000. Falo antiga, porque hoje as novelas meio que se apresentam com textura e relevo imagético. <em>Edifício Bonfim </em>não tem uma textura de luz condizente com a qualidade de suas ideias, que são inspiradoras. Assim como existe uma crescente no acabamento dos roteiros, cujo primeiro conto dá lugar a um melhor, e o terceiro é o mais embasbacante dos três. Mas ainda que suas curvas de trama homenageiem produções que vão desde <em>Hellraiser </em>a <em>[REC]</em>, o filme não se enleva além do que é possível porque a realização não está à altura do que a vontade de contar tais histórias. </p>



<p class="has-text-align-center">O saldo, apesar de tudo, é estranhamente positivo. Porque percebemos que só um projeto que exala curiosidade, coragem e paixão poderia motivar as nossas iguais sensações para tentar sempre avançar no que estamos vendo, e querendo estar sempre diante do próximo passo.&nbsp;<em>Edifício Bonfim</em>, com seus altos e baixos, entre expectativas e realidades, é uma produção que se acompanha com interesse do início ao fim, porque algo está sendo construído ali e essa não é uma construção básica. Ainda que a sofisticação não tenha necessariamente aparecido, o que está em pauta também é uma garantia de futuro para histórias de gênero sendo tratadas com respeito, e isso está visivelmente aqui.&nbsp;</p>
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		<title>Zico, o Samurai de Quintino: João Wainer faz mergulho pessoal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Apr 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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<p class="has-text-align-center">Assisti ao documentário&nbsp;<em>Zico, o Samurai de Quintino</em>, de João Wainer, em uma sessão no Cinemark, no Botafogo Praia Shopping, em uma manhã de segunda-feira, um dia e horário incomuns para ir ao cinema, a não ser em situações profissionais. Logo ao entrar, percebi que a sala estava mais vazia do que imaginava e do que o peso de um personagem tão popular pedia. Pensei que haveria mais pessoas: mais críticos, influenciadores e até mesmo fãs. Mas não. Arthur Antunes Coimbra, o Zico, começou no futebol no final dos anos 60, nas categorias de base do Flamengo, e dali ganhou o mundo, tornando-se o maior ídolo da história do clube.</p>



<p class="has-text-align-center">O filme de Wainer, que tem no currículo o excelente&nbsp;<em>Bandida: A Número 1</em>, outra obra com um personagem real, mas sem o caráter documental, revisita a vida de Zico a partir de depoimentos de quem fez parte dessa trajetória. Entre as falas que se destacam, temos a da esposa Sandra; a de amigos e ex-colegas de time como Júnior e Paulo César Carpegiani; a de personalidades futebolísticas como o técnico Carlos Alberto Parreira e Ronaldo Fenômeno; além dos jornalistas Mauro Beting e Daniela Boaventura. O material de arquivo também é essencial: a família guardou recortes, fitas de VHS, Super 8, e tudo isso, muito bem amarrado, ajuda a contar a saga do craque.</p>



<p class="has-text-align-center">No momento em que&nbsp;<em>Zico, o Samurai de Quintino</em>&nbsp;entra na fase fora do Brasil, isso ganha um peso bastante interessante. A passagem pela Itália, onde até hoje Zico é ídolo da fanática torcida da Udinese, aparece como um período importante da carreira do ex-jogador e também como um ponto de inflexão do próprio filme; porém, é no Japão que a coisa realmente cresce. Dá para sentir o tamanho do impacto que ele teve lá, não só dentro de campo, mas na construção do futebol japonês como um todo.</p>



<p class="has-text-align-center">Quando Zico se transferiu para o Kashima Antlers, este ainda era um clube amador, ligado a uma indústria siderúrgica e batizado de Sumitomo Metals. A sua chegada ajudou a impulsionar um complexo processo de profissionalização. Dessa forma, fica claro, para quem não sabia, que, muito mais do que uma simples aventura internacional, a passagem do ídolo rubro-negro pela Terra do Sol Nascente teve um viés fundador, bem semelhante ao papel desempenhado por Pelé, na década de 70, nos Estados Unidos. O documentário faz questão de destacar e reforçar esse caráter desbravador.</p>



<p class="has-text-align-center">Enquanto obra cinematográfica,&nbsp;<em>Zico, o Samurai de Quintino</em>&nbsp;é, sem dúvida, um documentário competente, que prende a atenção. Como crítico de cinema e torcedor do Fluminense, senti o impacto, mesmo sendo torcedor de um clube rival. Entretanto, é inegável que o apelo maior é para os torcedores do Flamengo, pois Wainer segue uma cartilha tradicional, o que garante uma cômoda e confortável segurança narrativa. Assim, pode-se dizer, por exemplo, que falta a ousadia que abunda no trabalho anterior do diretor –&nbsp;<em>Bandida: A Número 1</em>&nbsp;–, mas não dá para negar que ele entrega o que prometeu, e isso é um grande mérito.</p>



<p class="has-text-align-center">A história de Zico e do documentário&nbsp;<em>Zico, o Samurai de Quintin</em>o começa lá atrás, nas peladas do bairro suburbano de Quintino, e percorre um caminho que nos leva do Brasil ao Japão, passando pela Itália. E, nesta estrada pavimentada por reminiscências imagéticas e saudades urdidas em depoimentos sinceros, o momento de maior sinceridade acontece quando o próprio biografado revela, após muito refletir, que, se tivesse escutado o seu coração, não teria ido à Copa de 1986, já que, na época, estava muito longe das suas melhores condições físicas. Tocou o meu coração, e eu recomendo o filme: vale a pena.</p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares e boa diversão.</p>
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