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Muitos conhecem ou ouviram falar de Vinicius de Moraes, autor de versos mundialmente conhecidos, como os da famosa canção “Garota de Ipanema”. Poucos, no entanto, sabem que ele se encantava pelo terror, gênero que reúne fãs no Brasil e no mundo. “Noturnos” é uma nova série, que estreia nesta quarta, 21, às 22h, no Canal Brasil e Globoplay.

Baseada em poemas e contos escritos por Vinicius de Moraes, entre os anos 1930 e 1940, ela reúne seis obras do poetinha selecionadas por Renato Fagundes e com direção geral de Marco Dutra (As Boas Maneiras / 2017) e Caetano Gotardo (O Que Se Move / 2012). Os episódios foram pilotados por Gabriela Amaral (O Animal Cordial /2017), Rodrigo Aragão (A Mata Negra / 2018), Vinícius Silva, Everlane Moraes, Aaron Salles Torres e Gustavo Vinagre. 

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Diretores e elenco na coletiva de imprensa

O PROJETO
Em coletiva realizada nesta terça, 20, Fagundes contou que enveredou no mundo da escrita por influência de Vinicius de Moraes. O idealizador frisou que a ideia foi muito bem recebida desde o início. André Saddy, diretor geral do Canal Brasil, salientou a facilidade de escolher alguns projetos e que esse já tinha o que ele chama de “assinatura Canal Brasil”, que reforça a relação do canal com o cinema. Para Fagundes, contar com a dupla Dutra e Gotardo foi o melhor dos cenários e, não por acaso, o canal viu o potencial que a obra tinha pela frente. 

“O verdadeiro terror é maior do que morrer.”

ORIGENS
Renato Fagundes contou que sua experiência de olhar diferente para a obra de Vinicius com o curta Balada das Duas Mocinhas de Botafogo foi a centelha. Ao deparar-se com os escritos e a relação dele com o gênero, foi puro encantamento. “O verdadeiro terror é maior do que morrer. É o medo de deixar de ser humano”, disse o idealizador. E complementou ter saído flutuando após o primeiro encontro com a dupla Dutra e Gotardo: “Eles fizeram uma coisa que ninguém estava esperando”.

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Marco Dutra, diretor geral, contou que chegou a hesitar num primeiro momento, mas os textos foram muito inspiradores. “Nas entrelinhas dava para ver o carinho dele com o gênero terror”, disse. E lembrou que o trabalho, iniciado no ano passado, muito antes da pandemia, acabou estreando no período de um confinamento que acontece na vida real. Se quiser, clique abaixo, para ver o Balada das Duas Mocinhas de Botafogo no canal oficial.

LIBERDADE PARA CRIAR
O parceiro Caetano Gotardo salientou a liberdade que tiveram para propor algo diferente. “Nem todos tinham uma narrativa fácil de construir”, disse. O primeiro poema “Balada do Morto-Vivo” foi o responsável pelo formato adotado. Dutra contou que eles curtiam a ideia de uma antologia, mas fazer tudo a partir do grupo de teatro, vivenciando as experiências dos contos pareceu a melhor solução.

ONDE E COMO
A série se passa em um teatro, com atores e equipe presas no local, devido a uma forte tempestade. É quando histórias são contadas por eles e protagonizadas por diferentes personagens. Marco reforçou que tiveram muita liberdade para “propor algumas maluquices”. “Foi legal poder brincar com os textos de Vinicius de Moraes e com os subgêneros. Eu acho que os fãs vão gostar de assistir e identificar”, concluiu.

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UM AUTOR, DOIS CRIADORES, SEIS DIRETORES
“Acho que Vinicius foi o estopim”, disse Gotardo, ao lembrar da pluralidade de olhares envolvidos. Dutra concordou com ele. “Eu e Marco dirigimos tudo no teatro e chamamos diretores para os outros universos. Tinha essa vontade de ter diferentes olhares”, observou. Sobre o jeito diferente de cada diretor trabalhar com o elenco, a dupla frequentava o set para manter a sensação de unidade.

“O elenco se desdobrou em vários personagens e com diretores diferentes. Havia mudança grande de estilo para elenco e equipe”, disse Gotardo. “A cada história era como se tivesse zerado. A impressão que dava era que iria dar tudo errado, lembrou a atriz Andrea Marquee. Ícaro Silva ressaltou que a confiança mútua “foi fundamental”. 

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HISTÓRIAS DO PASSADO, TEMAS ATUAIS

Para Gotardo, a conexão dos textos do passado com a atualidade “brotou naturalmente a partir dos assuntos que os personagens discutiam em cena”. “Ficou forte e aconteceu de forma orgânica”, concluiu. Fagundes frisou que o terror é uma alegoria para falar de temas universais. “Cada episódio lida com isso de um jeito. Era o que a gente procurava”, disse ele .

“É um exercício para vida, lidar com os nossos medos”

CONEXÃO COM O TERROR
Para o ator Ícaro Silva, o mistério é o que o atrai para o gênero. “Quando eu penso na série, penso sobre a dilatação do tempo. É como se a gente tivesse vivendo várias noites em uma história”, disse. Marjorie Estiano comentou que “é um exercício para vida, lidar com os nossos medos”.

Para Andrea Marquee, a pandemia se tornou um elemento surpresa que vai ao encontro do que ela aprecia na dramaturgia: a metalinguagem. “Foi muito mágico o que aconteceu naquele teatro”, concluiu o ator Rafael Losso.

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VINICIUS DE MORAES, MÚSICA E TERROR
A música está muito presente no trabalho da dupla de diretores. Em “Noturnos”, as letras são de Caetano e as músicas de Marco. O mais interessante, porém, é que as canções foram escritas há cerca de 20 anos, quando ambos iniciavam a carreira. Gotardo frisou que cada episódio tem um universo musical específico, e por ser feito a partir de uma obra de Vinicius de Moraes foi muito emocionante. 

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